segunda-feira, 6 de agosto de 2012

TEÓLOGOS QUE NÃO CONHECEM A SUBSTÂNCIA QUE ESTUDAM


Por Fabio Campos

Texto base: “Porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido”. (At. 4:20)

          Não existe nada melhor nesta vida do que conhecer a Deus! O vácuo que há na alma do homem é muitas vezes preenchido com diversas coisas, mas com toda certeza, suas “alegrias” são passageiras. Muitas delas têm conseqüências devastadoras como é o caso das drogas, bebidas, e sexo ilícito. Mas quando o homem é satisfeito neste vácuo com a presença do Deus Vivo por meio da comunhão com o Filho Jesus, este tem uma alegria inexplicável, mesmo em meios as intempéries, ele desfruta de uma paz ao qual o mundo nunca poderá receber.

          Você pode estar pensando que o assunto a ser tratado neste post será sobre a situação dos “ateus”. Este não será o foco da minha reflexão! Os ateus já foram sentenciados pela Palavra de Deus como “tolos”: “Diz o tolo em seu coração: ‘Deus não existe’”. (Sl 14:1). O foco são os “religiosos” e teólogos que pensam que conhecem a Deus.

         É interessante que o texto base que trouxe trata de uma fala de Pedro onde ele responde às autoridades religiosas afirmando e interrogando-as que se “aos olhos de Deus é justo obedecer a homens ou a Deus?”. Falando a esses líderes, conhecedores da Torá, Pedro que aos olhos dos homens era sem instrução e comum (At. 4:13), disse aos sacerdotes “irrepreensíveis” na Lei: Porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido”. (At. 4:20). Quanta virtude nesta frase; quanta ternura neste Deus que se revela a homens simples e sem instrução de tal forma que, os que receberam esta experiência propagam seu amor com uma intrepidez inexplicável.

       Paulo nos diz que: “O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica. Quem pensa conhecer alguma coisa, ainda não conhece como deveria. Mas quem ama a Deus, este é conhecido por Ele” (1 Co. 8:1-3). Muitos têm um vasto conhecimento teológico, e graças a Deus por isso, mas não conhecem a Deus, ou seja, não tem relacionamento verdadeiro com o Senhor. Se nossa teologia não tiver o significado de servir a sociedade, anunciar este Deus em sua essência no dia-a-dia, e se os ensinamentos das Escrituras seguidos dos manuseios teológicos não transformarem os escritos em ação, nosso estudo será egoísta, pernicioso por meio da jactância do coração humano. Abominação diante de Deus!

        Nesta semana tive o privilégio de participar do lançamento do novo livro do Pr. Luiz Sayão: “O problema do mal no antigo testamento”. Na apresentação, tinha mais um preletor, também homem de Deus, erudito. Porém, este falou muito de Agostinho entre outros sábios da fé cristã, mas quando o Sayão assumiu o micro-fone, no decorrer da sua ministração, brotaram diversos versículos bíblicos, e na graça que Deus lhe concedeu, foi impossível não notar a vivência e relacionamento que este homem tem com Deus. A Teologia para Sayão é secundária diante do que Jesus nos propôs: um relacionamento de Pai para filhos. E é exatamente isso que Pedro tinha e quis expor aos religiosos o que é conhecer a Deus e ser conhecido por Ele. “Como podemos deixar de falar do que experimentamos?”. A Teologia saiu do papel, seus livros acadêmicos eram um relacionamento com Deus, lidos por todos e que, com a sinceridade de coração e no partir do pão, caiam na graça do povo. O Senhor realizava grandes sinais por meio deles, e a cada dia acrescentam aqueles que iriam se salvar. Teologia é isso! Se não for assim, seremos sacerdotes, mestres da Lei, escribas, mas sem o conhecimento de Deus e nem de seu poder!

         Tem gente que decorou o livro “História eclesiástica” de “Eusébio de Cesaréia, as institutas de Calvino, sabe de cor e salteado as melhores teologias sistemáticas disponíveis a nós, mas não conhecem a Deus. É triste ver cristãos que colocam os ensinos de Calvino em pé de igualdade com os de Paulo, Pedro, João, e etc.!

         Sabe por que muitos que tem vivência com Deus transmitem realmente o evangelho, enquanto outros, teólogos, pregam a Palavra, mas sem intimidade, e Deus em suas bocas se tornam algo estranho? Simples! O salmista nos responde: “A explicação das tuas palavras ilumina e dá discernimento aos inexperientes” (Sl 119:130)

         Que ao gloriarmos em algo, gloriamos em conhecer ao Senhor em profundidade, pois só assim teremos a eficácia que Pedro teve em seus sermões, arrebatando multidões. Como disse Lutero: “Sermão sem unção, endurece o coração”.

          Assim diz o Senhor: "Não se glorie o sábio em sua sabedoria nem o forte em sua força nem o rico em sua riqueza, mas quem se gloriar, glorie-se nisto: em compreender-me e conhecer-me, pois eu sou o Senhor, e ajo com lealdade, com justiça e com retidão sobre a terra, pois é dessas coisas que me agrado", declara o Senhor. (Jr. 9:23-24 NVI)

Deus abençõe!

Fabio Campos
Soli Deo Gloria!