terça-feira, 28 de agosto de 2012

Respostas ao questionamento do tema: "A falsa ideia do livre-arbítrio sem o Espírito"



O irmão que me fez este questionamento é uma pessoa muito equilibrada em suas opiniões! Ele “discorda” de alguns pontos por mim tratados no post “A falsa ideia do livre-arbítrio sem Espírito”; Entretanto, seu questionamento foi pertinente, e me fez aprofundar mais a cerca do assunto! Agradeço pela oportunidade que este irmão querido me deu de explicar minhas posições com mais clareza.

Abaixo as perguntas e respostas!

Caro irmão Fábio Campos. Sei que o irmão é um profundo conhecedor da Palavra de Deus, e por esse motivo, é capaz de manter um questionamento em amor e Espírito. Achei seu expositivo sobre o "livre arbítrio" muito interessante.
Gostaria que o irmão caso se dispusesse, explicasse com suas próprias considerações as perguntas a seguir:

1) Pelo relato Bíblico de Gênesis 3:22, vemos Deus dizendo: "Eis que o homem É COMO UM DE NÓS, CONHECENDO O BEM E O MAL". Pergunta: Deus dizer que o homem "é como um de nós", não tem isto muito significado para o irmão? 

R: Esse texto trata da misericórdia que Deus teve para com o casal! Eles não poderiam suportar o peso da culpa e conviver com uma natureza a partir daí, em um lugar santo, na presença de um Deus Santo, que poderia acabar com a raça humana, mas os salvou, mediante uma justiça apresentada!
A proposta de satanás no “conhecer o bem e o mal” era no sentido “ontológico” e não do “conhecimento”. Deus conhece o bem e o mau, mas Ele ontologicamente não é mau. Conhecedores neste sentido não é ontológico. A diferença entre Deus e o homem não é moral, mas ontológica. E nisto reflete a escolha do homem pelo que é mal sem a interferência Divina na pessoa do Espírito Santo.

2) Vemos que passado o dilúvio, Deus ABENÇOOU a Noé e seus filhos e lhes mandou povoar a terra como visto em Gênesis 9:1. Pergunta: Tendo Deus feito acontecer o dilúvio em que toda a humanidade pecadora pereceu e, passado o dilúvio, o fato de Deus por sua Soberana Vontade ter ABENÇOADO os que escolhera salvar da morte, não implicou em um "recomeço sem pecado"?

R: Vemos que Deus escolheu Noé e mais sete pessoas para serem salvas; isto se deu para a preservação da linhagem por vir. Isto não por ele (Noé), mas pela escolha do próprio Deus conforme sua soberania (2 Pe. 2:5). Deus generalizou a humanidade denotando-a má (Gn. 8:21), e por Ele, não pela humanidade, continuou trabalhando na criação já que o cordeiro já tinha sido morto (Ap. 13:8). Este sacrífico antes da criação que perpetuou o viver humano, e sempre, com base nele, na esperança messiânica, mediante a fé, o homem é justificado perante Deus. No antigo testamento o Espírito foi dado por medida, por isso poucos se “destacaram” com sua fé inabalável e retidão diante de Deus.
Não vemos duas quedas, apenas uma, e nisto a profecia de Gn 3:15 cumpriu-se em Cristo, justificando a Noé!

3) Podemos ver que existe um livro (o livro da vida), é que nomes podem ser RISCADOS dele pela Soberana Vontade de Deus, como visto em Êxodo 32:32-33. Pergunta: Quem tem o nome naquele livro pode vir a praticar pecado tão grave assim que o leve a morte (I João 5:16)?

R: Esse texto trata da “exclusão” da comunhão com Deus. Perceba que Moisés quer nacionalizar o pecado, mas Deus trata-o individualmente (V. 33).
Em Hebreus 6 diz que aqueles que provaram o dom celestial e caíram, a estes apostatas, não poderão ser salvos (nunca foram conforme explicação posterior de numero 10), e estes pecados, nem devemos orar conforme o texto apresentado por ti, ate mesmo por causa da consciência dos outros. Nos versos 7 e 8 o autor mata a “charada”: Pelos frutos seremos conhecidos, e o salvo vive como salvo, o perdido de dura cerviz, pode apresentar aparente piedade, mas nunca será um piedoso. O salvo persevera, e uma vez listado no livro da vida, jamais terá seu nome apagado (Ap. 3:5), pois Deus não perderá nenhum dos seus! O pecado para a morte serve de alerta para a igreja diferenciar um irmão que se esfriou do “irmão” que se diz irmão, mas nunca foi, e tendo como fruto a apostasia.

4) Em I Samuel 2:30, vemos que o homem de nome Eli era um SACERDOTE ESCOLHIDO por Deus para PERPETUALMENTE lhe servir no templo. No entanto, pelo seu muito pecar, foi por isso Justiçado por Deus. Pergunta: Teve este sacerdote seu nome riscado do livro de Deus?

R: Quem muito pecou foi os filhos e não Eli. A queixa do Senhor Deus para com Eli foi o de honrar mais os filhos do que o Senhor (V. 29). Como Eli já estava velho, e seus filhos nunca andaram nos caminhos do Senhor, Deus acabou com a linhagem de Eli, assim como acabou com o reino de Israel. Por amor a Ele mesmo, sem a fidelidade do outro lado, por amor a Davi, preservou o remanescente, a tribo de Judá (devido a esperança messiânica).
Eli nunca foi riscado, mas os filhos nunca foram escritos, pois a alma que pecar, esta morrerá!

5) Em Ezequiel 18:20 a 23, é revelado que o ímpio NÃO MORRERÁ se vier a se converter de todos os seus pecados e guardar todos os estatutos de Deus e proceder com justiça. De forma semelhante, é revelado em Ezequiel 18:24 que se o JUSTO/SALVO se desviar do seu caminho, passando a cometer iniquidade e a praticar abominações, de TODAS AS JUSTIÇAS QUE SE TIVER FEITO NÃO SE FARÁ MEMÓRIA: na sua transgressão com que transgrediu, e no seu pecado com que pecou, NELES MORRERÁ. Pergunta: Tem outro nome que não "Livre Arbítrio" estas atitudes tomadas pelo ímpio e pelo justo?

R: Esse capítulo de Ezequiel trata e uma “acusação” do povo de Israel contra Deus, o chamando de injusto em seus decretos! Falavam que levavam a culpa dos pais. E Deus os exortou dizendo que cada um é responsável por seu próprio pecado. A soberania divina nunca poderá ser separada da responsabilidade humana. Porém, como o próprio nome do post diz: “A falsa ideia do “livre-arbítrio” sem o Espírito”, no mesmo texto (Ez. 18) essa verdade é ratificada: “Livrem-se de todos os males que vocês cometeram, e busquem um coração novo e um espírito novo. Por que deveriam morrer, ó nação de Israel?” (Ezequiel 18:31) Só Deus pode dar um espírito novo e um coração novo por meio do Espírito Santo. O fato de Deus exigir o que é certo mediante a Lei, não significa que o homem tem o livre-arbítrio de cumpri-la por si só. Se fosse dessa forma, a segunda aliança não teria entrado em vigor, sendo que Deus em Cristo condenou o pecado na carne, pois o que era impossível à carne devido a sua enfermidade (escravidão do pecado), Deus o fez enviado seu Filho em semelhança pecaminosa. O homem natural, sem a regeneração, jamais aceitará o que é espiritual, sendo que nunca terá prazer na santificação.

6) Vemos em Mateus 7:13 Jesus fazendo admoestações para que se busque a porta estreita. Pergunta Por que Jesus precisaria estimular que entrem pela porta estreita se os salvos não iriam de forma alguma deixar de entrar por ela?  

R: O ser humana sendo “tricótomo”, precisa de um veiculo de comunicação física para o entendimento na alma! Sua pergunta poderia ser colocada (outra situação): “Se foi eleito, por que pregar”? Sabemos que as Escrituras fomentam a ministração da palavra a qualquer hora, e não somente aos “perdidos”, mas aos convertidos! Sempre temos que ler a mesma palavra, e ela nos adverte no que o Senhor se agrada! Se não escutarmos, como saberemos o que fazer: “Finalmente, meus irmãos, alegrem-se no Senhor”! “Escrever-lhes de novo as mesmas coisas não é cansativo para mim e é uma segurança para vocês”. (Filipenses 3:1). O salvo medita na palavra de dia e de noite, e a prática conforme lhe é ensinado por Jesus. Quantas vezes alguns dos homens de Deus, na Bíblia, quando no erro, confrontada na Palavra, retornaram ao caminho que Deus o requer? O salvo pode até se desviar por um momento, mas Deus o traz de volta confrontando-o no seu espírito no que é certo!

7) No ensino de Jesus em Mateus 7:3-5, o Mestre chama o homem de hipócrita, e diz ser necessário que primeiro o homem tire a trave do próprio olho para depois cuidar do argueiro no olho do irmão. Pergunta: Aquele homem hipócrita já pode também fazer o que é certo?

R: Ali não há um personagem direto a quem Jesus se referiu! Todos estavam ouvindo, inclusive os discípulos. Mas conforme disse na resposta anterior, Jesus está ensinando aos seus seguidores a maneira de se portar no convívio como cidadãos do céus. Deus falou pelos profetas, agora, nos últimos tempos, fala pelo o Filho.

8) Na sentença proferida por Jesus a Israel em Mateus 21:43, é Deus por meio de seu Filho Jesus Cristo, afirmando que RETIRA de Israel o reino dos céus e dar para uma outra nação. Pergunta: Isto ocorreu a Israel pelo seu muito pecar contra Deus ou Israel verdadeiramente não era o povo exclusivo de Deus? Se eram o povo santo, separado e escolhido, como puderam pecar tanto ao ponto de LHES SER RETIRADO O REINO DE DEUS conforme Mateus 21:43?

R: Jesus tratava de homens de “dura cerviz”. A promessa de Deus para com Israel não falhou, pois Jesus falando a estes que o Reino lhes seria retirada, disse individualmente, e não como uma nação. Paulo nos diz que nem todo “Israelita” é verdadeiramente o Israel de Deus. Mas são os Israelitas por meio da promessa que são os eleitos de Deus. Somente em Isaque Deus considera seu povo! Muitos dos que Jesus confrontou, não eram filhos da promessa, e mesmo sendo “judeus” eram filhos do diabo. Deus preservou os remanescentes, e não os remanescentes se preservaram! Por quê? Não sei! E isto se enquadra na vontade secreta de Deus, que quando revelada, saberemos os motivos do endurecimento destes! Sei que Deus é justo, e não há sombra de maldade nenhuma no seu caráter!

9) Em João 8:31-32 é revelado que os filhos de Israel que creram em Jesus (os judeus), tinham que permanecer nas palavras de Jesus para serem verdadeiros discípulos do Mestre. Desta forma, conheceriam a verdade (Cristo Jesus), e a verdade os libertaria. Pergunta: O que ocorreria se não permanecessem nas palavras de Jesus?

R: De fato eles nunca pertenceram a Jesus! Aquele que pertence a Cristo, o ama, e permanece na sua Palavra: “Aquele que não me ama não guarda as minhas palavras. Estas palavras que vocês estão ouvindo não são minhas; são de meu Pai que me enviou”. ( João 14:24).

10) Em II Pedro 2:20 a 22, é revelado que homens DEPOIS DE ESCAPAREM das corrupções do mundo, e de conhecerem o caminho da justiça pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, SE DESVIARAM DO SANTO MANDAMENTO QUE LHES FORA DADO. Para eles assim é dito: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a PORCA LAVADA ao espojadouro de lama. Observemos ser revelado que "escaparam das corrupções do mundo" e ainda conheceram o caminho da justiça por Cristo Jesus. Todavia, optaram por se desviar do Santo Mandamento que lhes fora dado. Aqui não cabe a falsa ideia de logo dizer: Não eram crentes "genuínos". Afirmar isso é o mesmo que dizer que Satanás (Lúcifer), não era um anjo genuíno pelo que é revelado em Ezequiel 28:11 a 15. Pergunta: No caso dos homens que se desviaram (isto é: Passaram a praticar iniquidades), qual a explicação para esse proceder depois de terem andado nos retos caminhos?

R: Vejamos o texto de 2 Pe. que trata dos falsos profetas e futuro “falsos mestres” (v. 1-3); nisto consiste todo o resto da narrativa! Dos versos 4 à 8 ele trata dos anjos que não conservaram seu estado, e anjo não precisa de salvação, se não haveria pregações para anjos! Trata também de Ló tipificando o justo na cidade aonde só havia ímpio! Nos versos 9 à 10 “Deus preserva” o homem da provação e mantem o castigo aos ímpios, entregando-os as suas próprias paixões (v. 10). Repare no verso 14 que diz: “Tendo os olhos cheios de adultério, nunca param de pecar” (quem não para de pecar nunca foi salvo!).
Os versos 20 a 22 trata de homens que tiveram o “conhecimento”, mas não a “regeneração’. Esses falsos mestres (v.1), que nunca pararam de pecar (V. 14), pelo conhecimento de Cristo mudaram seu estilo apenas no “exterior”. Mas pela dureza de seus corações, e tendo ciência do Santo Mandamento (e nisto Deus se faz justo mostrando a verdade a TODOS), assim como a porca que mesmo depois de um belo banho, por causa da sua natureza que não pode ser mudada, voltou a lama. Assim são esses que voltam a fazer o que lhe é de costume conforme sua natureza. Se o vinho novo (evangelho) for colocado em odres velho (natureza carnal) ambos se perderão; mesmo tendo aparência de piedade, os mesmos nunca foram de fato piedosos pela santificação que é posterior a regeneração.  Esse texto é de incentivo aos verdadeiros crentes a lutarem contra a apostasia! Assim como devemos orar e meditar nas Escrituras para fortalecimento do espírito, para fortalecidos, não cedermos aos manjares de satanás. O verdadeiro crente vive pela sua fé, ou podemos dizer assim: O justo viverá pela sua “fidelidade”. E a Bíblia nos ensina com exortações e exemplos bons e maus a forma deste viver.

Que o Espírito Santo te seja por guia.    

Grande abraço para você meu irmão.
Fabio Campos