segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A FALSA IDÉIA DO “LIVRE-ARBÍTRIO” SEM O ESPÍRITO


Por Fabio Campos

Texto base: “Tornam-se escravos daquele a quem obedecem: escravos do pecado que leva à morte, ou da obediência que leva à justiça?” (Rm 6:16b NVI)

          Aprendemos que temos o poder de escolha de nossas ações! Mas como podemos assumir as consequências dessas escolhas? Precisamos fazer escolhas, boas ou más, e isto não se restringe apenas a uma área, mas em todas. Se o homem tem obrigações a assumir, por que suas decisões são más (não do ponto de vista humano caído, mas aos olhos de Deus que é perfeito)? Se ele quer, mas não consegue já se foi seu “livre-arbítrio”!

           Por que o homem não tem “livre-arbítrio”? Porque por si não consegue cumprir com tudo aquilo que ele mesmo aprova, ou seja, se tem algo que deseja ser, mas não consegue, podemos dizer que ele não consegue usar de seu “livre-arbítrio”. Há uma força maior que enfraquece seu poder de decisão!

          O homem já teve o “livre-arbítrio”, o poder de escolha já lhe pertenceu (Gn. 2. 16-17)! No Éden Deus deu a Adão e Eva o poder de escolha, e eles escolheram o caminho do mal. A Bíblia nos diz que a humanidade está em Adão, e por ele (Adão) entrou a morte e o pecado! Jesus disse que quem peca é escravo do pecado, e não tem como você servir a dois senhores! Vários são os textos no antigo testamento que Deus propõe dois caminhos (Dt. 30:19 / Js. 24:15 / Is. 7:15), mas vemos a incapacidade do homem em escolher o caminho bom! A Lei nos mostra a vontade de Deus, e o que temos que escolher! Mas como não temos suficiência em nós mesmos para a escolha do que reto perante aos olhos do Senhor devido ao pecado que habita em nós, aquele que vive pela sua escolha, mediante sua justiça, este será condenado porque não guardará todos os preceitos da Lei (Gl. 3:10).

          O mundo quer liberdade! Nós dizemos que somos livres! Então por que, você não querendo fazer algo, sabendo que aquilo vai te prejudicar, por inúmeras vezes, não consegue? Paulo em Romanos reconheceu que nós não temos o “livre-arbítrio”, ou somos escravos da justiça ou escravos do pecado, conforme nosso texto base para reflexão.
          O homem natural jamais aceitará as coisas do Espírito porque lhes parecem loucuras; aquele que é nascido da carne é carne (Adão), e aquele que é nascido do Espírito é espírito (Jesus). Quando você decidiu por Deus, não foi por sua vontade, mas o Espírito em um processo de “regeneração” (1 Co. 2:10) , colocou esta vontade em você, pois Deus é espírito, e, antecedendo a fé, seus olhos espirituais foram abertos; daí sua decisão foi Cristo respondendo o chamado eficaz de Deus. Deus sabia da incapacidade do homem de viver de acordo com suas próprias decisões, a de escolher o que é certo ou errado de acordo com a Lei (Jr: 7:21-26; 11: 1-13). Ele prometeu uma nova aliança a qual nos “capacitaria” a escolher o que é certo, e andar conforme sua vontade (Jr. 31:33). A promessa feita a Abraão cumpriu-se em Cristo, a qual é a morada do Espírito Santo no crente em Jesus (Gl 3:14).

          Quantas vezes, antes da sua conversão, você rejeitou a mesma mensagem que um dia você “aceitou”? Antes, este chamado fora recebido de uma forma carnal! Mas quando Cristo, o elegeu Nele (Jo. 15:16), o Espírito que convence o homem do juízo, da justiça e do pecado, te mostrou a necessidade de um Salvador. Neste momento houve o arrependimento! Você pela graça foi justificado diante de Deus, e selado com o penhor da promessa. Sem o Espírito Santo jamais tomaríamos conhecimento desta salvação (Ez. 36:26-27).

          Quando os homens rejeitam a Deus, e são duros de coração, o Senhor os rejeita, entregando-os a suas próprias paixões, e estes, passam a fazer coisas absurdas (Rm 1:26-32). Eles sim “tiveram” o “livre-arbítrio”, ou seja, o que é de si mesmo (Gl: 5.19-21), o pecado! Nossa natureza é depravada, e mesmo sabendo o que é certo e errado, pela carne, escolhemos o errado, mesmo tendo o desejo de escolher o que é certo! Lutero disse: “A vontade humana é tão maligna que perdeu a sua liberdade, sendo forçada a servir ao pecado, não podendo retomar a um estado melhor”.

          Quando Lutero foi interrogado acerca do “endurecimento” dos corações dos ímpios, e se Deus era responsável por tal decisão, ele respondeu sabiamente a seus opositores.

“Os ímpios não se interessam por agradar a Deus. Interessam-se apenas em agradar a si mesmos. Eles odeiam e lutam contra qualquer coisa que os impeçam de desfrutar de seus desejos egoístas. Isso se verifica, especialmente, quando os ímpios são confrontados com o evangelho. No evangelho, Deus põe uma barreira aos desejos corrompidos dos homens, bem como ao egocentrismo deles, de tal modo que se tornam amargos e contrários a Deus e à sua Palavra. Deus não cria uma nova maldade no coração dos homens. Antes, Ele se utiliza do mal que já se encontra no coração deles, visando seus próprios bons e sábios desígnios”.

          Paulo no dilema de Romanos 7, querendo fazer o que é certo, mas não conseguindo, reconheceu que era “miserável”, e rejeitando a idéia do “livre-arbítrio”, colocou sua esperança em Deus por meio do Senhor Jesus. Lutero disse que “o poder da carne é tão forte, que mesmo em verdadeiros crentes, ela denuncia que o “livre-arbítrio” é falso”. O novo testamento falou muito sobre a vontade de Deus sendo uma realidade para a vida dos cristãos conforme suas escolhas (Mt. 6:10 / At. 13:22; 21:14 / Rm: 12:2). Há uma redenção de nosso corpo corruptível por vir (Rm. 8:23), não escolhemos tudo o que deveríamos escolher devido a habitação do pecado em nós (1 Jo 1:8); mas mediante o sacrifício vicária de Cristo, Deus-Pai nos justifica, e nos transforma a cada dia a imagem e semelhança do Filho Jesus.

          Jesus disse que ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e só então saqueará a casa (Mc. 3:27). É por isso que foi manifesto o Filho de Deus, para desfazer as obras do Diabo (1 Jo. 3:8). E se o Filho nos libertar, verdadeiramente seremos livres (Jo. 8:36).

          Que Deus nos livre do “livre-arbítrio”, pois sei que em mim mesmo nada tenho de bom, apenas os frutos da carne. Mas por meio da natureza divina, Deus em mim, produz os frutos do Espírito. Por isso o gabarito de alguém que pertence a Deus não são os dons, e sim os frutos. Os dons do Espírito podem ser falsificados por satanás (Mt. 24:24), mas os frutos, estes só os nascidos de Deus podem produzí-los. “Pelos frutos os conhecereis”!

          Não somos livres! Ou você é escravo de Deus, ou do pecado! Como é confortante saber que Deus não nos deixa “a deus dará”. Somos sustentados por Ele! Que Ele nos ajude na luta contra o pecado. Não mais focado em nossa própria força, o da “escolha”, mas sendo cheios do Espírito, para que a vontade Divina prevaleça em nossos membros.

          Quero o que Lutero desejou e fundamentou por meio das Escrituras: “Se a minha salvação fosse deixada ao meu encargo, eu não conseguiria enfrentar vitoriosamente todos os perigos, dificuldades e demônios contra os quais teria que lutar. Porém, mesmo que não houvesse inimigos a combater, eu jamais poderia ter a certeza do sucesso”. (Ef: 2. 8-9)
Deus abençõe!

Fabio Campos
Soli Deo Gloria!

Citações de Lutero extraída do livro: Nascido Escravo; Lutero, M; editora Fiel; (Versão condensada do clássico: “A Escravidão da vontade” de Martinho Lutero publicado em 1525)