sexta-feira, 29 de junho de 2012

A ARIDEZ DA ORTODOXIA MORTA


Por Fabio Campos

Texto base: Os mestres da lei e os fariseus se assentam na cadeira de Moisés. Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam. Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los”. (Mt. 23:2-4 NVI)

          O chamado a defesa da fé é um dos ministérios mais difíceis de serem exercidos. Assim como Jeremias, Lutero, Huss, entre outros, sua recompensa às vezes será solidão, martírio, e desprezo até mesmo por parte daqueles a quem mais amamos. Este não é um chamado simpático ou para se ganhar popularidade.

          Entretanto, nos últimos dias, venho percebendo que tem faltado o tempero no linguajar e uma abordagem menos agressiva no trato de assuntos “controversos” (Cl. 4:6). Principalmente no campo acadêmico, o solo tem sido árido, pedregoso, sem amor e misericórdia para com aqueles que discordam de algum ponto de vista secundário da fé cristã. Nas coisas que a Bíblia deixa à liberdade do Cristão, o respeito e o amor para com o irmão têm que prevalecer na discordância (Rm 14).

          Jesus tratou dessa gente (fariseus) em Mateus 23! Eles tinham a lei de Moisés, conheciam a tradição judaica e suas dogmáticas, mas não praticavam o que pregavam. O ponto crucial desta denúncia de Cristo foi quando ordenou aos discípulos o exercício de seus ensinos dentro da exegese coerente dos textos (Mt. 22:29), mas que rejeitassem suas atitudes. Jesus queria MISERICÓRDIA! Chamou os fariseus de filhos do diabo porque não amavam a misericórdia (Mt. 23.15).’

       John Piper em seu livro “O que Jesus espera de seus seguidores” na p. 218 diz: “A cegueira e a apatia espiritual dos mestres da lei e dos fariseus eram não só suicidas, mas também assassinas. Eles estavam destruindo a si mesmos e a outros. Jesus disse: ‘Ai de vocês [fariseus], porque são como túmulos que são vistos, por sobre os quais os homens andam sem o saber’!”

         Hoje muitos teólogos, pessoas sérias, têm este comportamento! Por meio de seus manuseios teológicos pautam as declarações de fé de suas denominações como divinas, e tratam as demais como hereges. São persuasivos em seus argumentos, têm um versículo para cada questão, mas muitos estão mais preocupados em honrar seu anel de formatura do que o Reino de Deus. Fariseus hipócritas! Esse tipo de gente visa o ganho de status por meio de debates ao invés do ganho daquela alma para o Reino. Ficam mais felizes no ganho da discussão do que tristes ao ver o outro se perdendo.

       No mesmo livro Piper na p. 218-219 diz: “Eles também não se importavam com o próximo. Como ocorrem com os hipócritas moralistas, eles eram implacáveis em fazer exigências aos outros. ‘Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los’ (Mateus 23.4). Eles aplicavam a Lei de forma impiedosa. Diferentemente de Jesus, cujo jugo é suave e cujo fardo é leve (11. 28-30), porque Ele nos ajuda a cumprir o que exige, eles apenas faziam exigências e não levantavam um dedo para ajudar. Dessa maneira, não somente pareciam, mas também arrastavam outras pessoas consigo. ‘Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês fecham o Reino dos céus diante dos homens! Vocês mesmos não entram, nem deixam entrar aqueles que gostariam de fazê-lo (23.13)’.”

        O erro doutrinário sempre deve ser denunciado, não podemos ser coniventes com aqueles que interpretam a Bíblia e argumentam suas posições por meio da eisegese, mas temos que entender que Deus não revelou todas as coisas a nós e nem nos revelará (Dt. 29:29) e que existem assuntos onde a Palavra de Deus se cala, e nestes assuntos, não havendo heresias, a paz de Cristo deve ser nosso árbitro.

        De onde vêm estas brigas de pontos secundários? Tiago nos diz: “De onde vêm as guerras e contendas que há entre vocês? Não vêm das paixões que guerreiam dentro de vocês”. (Tg. 4:1 NVI). O Reino é demonstrado com o poder de Deus, com sabedoria vinda do alto.

        Ser sábio não é ter todos os tópicos da teologia sistemática na ponta da língua, nem saber de cor e salteado os ensinos de Calvino, Lutero, Agostinho (sou totalmente a favor do estudo dos reformadores e dos pais da igreja), mas Tiago nos diz que ser sábio é ser puro, pacífico, compreensivo, amável, cheio de misericórdia, que estes são os frutos da justiça (Tg. 3:17-18)

        John Stott estava certo: “A justiça cristã é maior que a justiça farisaica por ser mais profunda, por ser uma justiça do coração... A justiça que agrada a Deus é uma justiça do coração. A justiça que agrada [a Deus] é uma justiça interior da mente e da motivação; PORQUE “O SENHOR VÊ O CORAÇÃO’”.
       O poder de Deus está com os humildes, com aqueles que se esvaziaram de sua falsa divindade, que não tentam ser iguais a Deus, mas que tomam a forma de servo, para que Jesus cresça e eles diminuam, e levem muitos ao conhecimento que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus-Pai. Nós somos a carta de Cristo lida por todos, e Jesus é a Luz que ilumina todos os homens; as pessoas têm que olhar para nossa vida e saber que há esperança.

       Temos que ser acessíveis, assim como foi o Senhor Jesus! Ele veio como homem. E João descreveu muito bem isto dizendoo que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, a respeito do Verbo da vida” (1 Jo. 1:1 NVI). Cristo era acessível!

        Que os perdidos cheguem até nós não temerosos devidos nossa pseudo-santidade e forte conhecimento dos “dogmas cristãos”, mas sim impulsionados pela esperança que veem em nós, esta emanada direta do Deus Vivo e ressurreto, pois nossa esperança não está na morte, mas na ressurreição. Fomos justificados na ressurreição. Mesmo Jesus ressurreto e glorificado Ele se deixou ser tocado.

        Como disse o Rev. Hernandes Dias Lopez: “a ortodoxia sem amor, é morta! pois não passa de farisaísmos hipócrita travestido de cristianismo”.

Deus abençõe!


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos