segunda-feira, 27 de junho de 2011

É SEMPRE UMA FALTA DE AMOR CRITICAR E JULGAR?



Por Augustus Nicodemus Lopes


Tornou-se comum evangélicos acusarem de falta de amor outros evangélicos que tomam posicionamentos firmes em questões éticas, doutrinárias e práticas. A discussão, o confronto e a exposição das posições de outros são consideradas como falta de amor. Essa acusação reflete o sentimento pluralista e relativista que permeia a mentalidade evangélica de hoje e que considera todo confronto teológico como ofensivo. Nossa época perdeu a virilidade teológica. Vivemos dias de frouxidão, onde proliferam os que tremem em frêmito diante de uma peleja teológica de maior monta, e saem gritando histéricos, "linchamento, linchamento"!

Pergunto-me se a Reforma protestante teria acontecido se Lutero e os demais companheiros pensassem dessa forma.


É possível que no calor de uma argumentação, durante um debate, saiam palavras ou frases que poderiam ter sido ditas ou escritas de uma outra forma. Aprendi com meu mentor espiritual, Pr. Francisco Leonardo Schalkwijk, que a sabedoria reside em conhecer “o tempo e o modo” de dizer as coisas (Eclesiastes 8.5). Todos nós já experimentamos a frustração de descobrir que nem sempre conseguimos dizer as coisas da melhor maneira. Todavia, não posso aceitar que seja falta de amor confrontar irmãos que entendemos não estarem andando na verdade, assim como Paulo confrontou Pedro, quando este deixou de andar de acordo com a verdade do Evangelho (Gálatas 2.11). Muitos vão dizer que essa atitude é arrogante e que ninguém é dono da verdade. Outros, contudo, entenderão que faz parte do chamamento bíblico examinar todas as coisas, reter o que é bom e rejeitar o que for falso, errado e injusto. Considerar como falta de amor o discordar dos erros de alguém é desconhecer a natureza do amor bíblico. Amor e verdade andam juntos. Oséias reclamou que não havia nem amor nem verdade nos habitantes da terra em sua época (Oséias 4.1). Paulo pediu que os efésios seguissem a verdade em amor (Efésios 4.15) e aos tessalonicenses denunciou os que não recebiam o amor da verdade para serem salvos (2Tessalonicenses 2.10). Pedro afirma que a obediência à verdade purifica a alma e leva ao amor não fingido (1Pedro 1.22). João deseja que a verdade e o amor do Pai estejam com seus leitores (2João 3). Querer que a verdade predomine e lutar por isso não pode ser confundido com falta de amor para com os que ensinam o erro.

Apelar para o amor sempre encontra eco no coração dos evangélicos, mas falar de amor não é garantia de espiritualidade e de verdade. Tem quem se gabe de amar e que não leva uma vida reta diante de Deus. O profeta Ezequiel enfrentou um grupo desses. “pois lisonjeiam com a sua boca, mas o seu coração segue a sua avareza” (Ez 33.31) ACF


O que ocorre é que às vezes a ênfase ao amor é simplesmente uma capa para acobertar uma conduta imoral ou irregular diante de Deus. Paulo criticou isso nos crentes de Corinto, que se gabavam de ser uma igreja espiritual, amorosa, ao mesmo tempo em que toleravam imoralidades em seu meio. “Estais ensoberbecidos, e nem ao menos vos entristecestes por não ter sido dentre vós tirado quem cometeu tal ação” v. 2 “Não é boa a vossa jactância...?” v.6 – (1Co 5.2,6)ACF. Tratava-se de um jovem “incluído” que dormia com sua madrasta. O discurso das igrejas que hoje toleram todo tipo de conduta irregular em seus membros é exatamente esse, de que são igrejas amorosas, que não condenam nem excluem ninguém.

Ninguém na Bíblia falou mais de amor do que o apóstolo João, conhecido por esse motivo como o “apóstolo do amor” (a figura ao lado é uma representação antiquíssima de João) Ele disse que amava os crentes “na verdade” (2João 1; 3João 1), isto é, porque eles andavam na verdade. "Verdade" nas cartas de João tem um componente teológico e doutrinário. É o Evangelho em sua plenitude. João ama seus leitores porque eles, junto com o apóstolo, conhecem a verdade e andam nela. A verdade é a base do verdadeiro amor cristão. Nós amamos os irmãos porque professamos a mesma verdade sobre Deus e Cristo. Todavia, eis o que o apóstolo do amor proferiu contra mestres e líderes evangélicos que haviam se desviado do caminho da verdade: “Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós” (1Jo 2.19)ACF “Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo” (1Jo 3.8)ACF “Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? É o anti-cristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho” (1Jo 2.22)ACF - “Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do diabo...” (1Jo 3.10)ACF - “E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo” (1Jo 4.3)ACF - “Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo”v. 7 “Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras”” (2Jo v. 7,9,10,11)ACF

Poderíamos acusar João de falta de amor pela firmeza com que ele resiste ao erro teológico? O amor que é cobrado pelos evangélicos sentimentalistas acaba se tornando a postura de quem não tem convicções. O amor bíblico disciplina, corrige, repreende, diz a verdade. E quando se vê diante do erro seguido de arrependimento e da contrição, perdoa, esquece, tolera, suporta. O Senhor Jesus, ao perdoar a mulher adúltera, acrescentou “vai e não peques mais”. O amor perdoa, mas cobra retidão. O Senhor pediu ao Pai que perdoasse seus algozes, que não sabiam o que faziam; todavia, durante a semana que antecedeu seu martírio não deixou de censurá-los, chamando-os de hipócritas, raça de víboras e filhos do inferno. Essa separação entre amor e verdade feita por alguns evangélicos torna o amor num mero sentimentalismo vazio.

O amor, segundo Paulo, “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Co 13.4-7)ACF


Percebe-se que Paulo não está falando de um sentimento geral de inclusão e tolerância, mas de uma atitude decisiva em favor da verdade, do bem e da retidão. Não é de admirar que o autor desse "hino ao amor" pronunciou um anátema aos que pregam outro Evangelho (Gálatas 1.8,9). Destaco da descrição de Paulo a frase “O amor regozija-se com a verdade”. A idéia de “aprovar” está presente na frase. O amor aprova alegremente a verdade. Ele se regozija quando a verdade de Deus triunfa, quando Cristo está sendo glorificado e a igreja edificada.

Portanto, o amor cobrado pelos que se ofendem com a defesa da fé, a exposição do erro e o confronto da inverdade não é o amor bíblico. Falta de amor para com as pessoas seria deixar que elas continuassem a ser enganadas sem ao menos tentar mostrar o outro lado da questão.

Fonte: O Tempora, O Mores

terça-feira, 21 de junho de 2011

O SONO DA ALMA



Os adventistas do sétimo dia, entre outras denominações, acreditam piamente no sono da alma, ou seja, acreditam que após a morte, o crente aguarda a ressurreição em um estado de coma, inconsciente, literalmente dormindo fora do corpo físico.
Quando Eclesiastes 9:5 diz que “os mortos não sabem de nada”, o texto se refere ao mundo físico, e não o espiritual.  Para entendermos o verso 5, a luz da hermenêutica, sendo sinceros com o texto (Ec. 9: 3-6), vemos que Salomão está se referindo ao tempo presente, definido por meio da expressão “debaixo de sol”. Os mortos não tem ciência dos fatos terrenos, do que está acontecendo no mundo dos viventes (Ec. 6:12).
A Bíblia deixa bem claro que após a morte, os crentes em Cristo vão para o Paraiso, junto a Jesus (Fp. 1:23). E que terão consciência. Ímpios e justos aguardam a ressurreição (Dn. 12:2) em estado de consciência (Lc. 16: 27-30), porém em lugares diferentes, o que foi muito bem definido no texto narrado por Jesus do rico e Lazaro. O rico nesse contexto representa os ímpios que aguardam a ressurreição, e logo após, o julgamento. Esses estão no hades (inferno). Depois do julgamento o hades com os que nele estão, serão lançados no lago de fogo e enxofre (Gr.geena), conforme Ap. 20:14,15. Já Lazaro está no seio de Abraão, linguagem figurativa usada por Jesus para especificar o lugar dos piedosos que morreram no antigo testamento. Jesus ainda não tinha inaugurado o paraíso, quando contou esse fato, por isso da expressão.
O livro do apocalipse declara que as almas dos mártires continuam conscientes sobre seu passado, e que reivindicam a justiça de Deus, debaixo do seu altar (Ap. 6: 9-11). As escrituras nunca mencionam “almas dormindo”, mas “corpos dormindo” (Mt. 27. 51-53).
Em Lc. 23:43 o bandido arrependido , foi para o paraíso, para o mesmo lugar onde foi Jesus, pois Ele “levou cativo o cativeiro” (Ef. 4:8).
Quando a Bíblia usa a expressão “dormir”, ela está tratando a morte por meio de um eufemismo, atenuando o impacto da expressão. Interpretamos dormir como entregar a alma a Deus, e o corpo a sepultura. Paulo diz em 2 Co. 5: 6-8 (ARC) “Por isso estamos sempre de bom animo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor (porque andamos por fé e não por vista). Mas temos confiança e DESEJAMOS ANTES DEIXAR ESTE CORPO, PARA HABITAR COM O SENHOR”.
Por meio de um estudo superficial, vemos que essa teoria dos Adventistas, a do sono da alma, cai por terra à luz da Bíblia Sagrada. Temos que fazer uma escolha, ou ficamos com o que palavra nos diz, ou com a eisegese dos “profetas” por meio das suas “profetadas”.
Sola Scriptura!
Fabio Campos

Bibliografia:
SÉRGIO, Paulo. Manual de repostas bíblicas: Kairos, 2º edição ampliada.
Bíblia Sagrada apologética de estudo ACF, ICP edição ampliada.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

BÍBLIA SAGRADA. UM LIVRO QUE ESCANDALIZA ALGUNS EVANGÉLICOS


Texto base: 2 Tm 4: 3-4 (ARC) “Porque virá tempo em que não SURPOTARÃO a sã doutrina; mas, tendo grande DESEJO de ouvir COISAS AGRADÁVEIS, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da VERDADE, mas se voltarão às FÁBULAS”

O que tenho percebido no pouco tempo que tenho de caminhada cristã, é o desinteresse pela meditação e estudo sistemático da palavra de Deus, por grande parte dos evangélicos. Vejo pessoas sinceras em Deus, expondo suas opiniões acerca de alguns assuntos sobre a fé cristã, porém sem conhecimento e respaldo bíblico para tais afirmações, fazendo uma eisegese (interpretação manipulada da Bíblia) dos textos Sagrados.

Se pregarmos a Bíblia com sinceridade nos dias atuais, dentro de algumas igrejas, pode ter certeza que, muitos evangélicos se escandalizarão com as mensagens. O Apóstolo Paulo inspirado pelo Espirito Santo escreveu sobre o assunto a dois mil anos atrás, e o pior que não foi “profetada”, o negócio está acontecendo. Até Jesus escandalizou alguns de seus “seguidores” com o seu discurso em João 6. E o que dizer dos profetas do Antigo Testamento. Nem imagino a tristeza que se instalou no coração de Jeremias, que em meio ao cativeiro era taxado de intolerante pela tribo do sul, porque só profetizava desgraça. Os pergaminhos escritos por Baruque, ditados por Jeremias, foram queimados. A diferença para os dias de hoje, é que ao invés da fogueira, as Bíblias são colocadas em cima dos armários empoeirados, limpadas apenas no domingo pela camisa usada pelos “crentes”, afinal, é o dia do Senhor. Isso é muito atual, estamos trocando os verdadeiros profetas pelo os “adivinhadores”. Cadê os Jeremias? Cadê os Luteros? Cadê os Sanavarolas? Existem ainda os sete mil que não se dobraram a baal, ou melhor, a mamom com a teologia da prosperidade?

As coceiras nos ouvidos são atiçadas quando a palavra é pregada genuinamente. Para fugir da sã doutrina, e ofuscar a maravilhosa simplicidade (simplicidade hoje é sinal de fraqueza) do evangelho, igrejas se reúnem em semanários dirigidos por falsos mestres, que preferem às fabulas (falsas visões e “profetadas”), em reuniões sensacionalistas dos “milagreiros”, entre outros absurdos que vemos por esse mundão de meu Deus. Eles sabem que o evangelho de Cristo desafia o pecador, confronta as tradições, “machuca” a natureza pecaminosa, e que quando pregado, os refletores são apagados sobre si. Por não ser tão simpático o chamado ao arrependimento, pregam o que o povo gosta de escutar. O povo adora as historinhas do Saci-Pererê, mula sem cabeça, entre outras lendas. Por isso da facilidade de manipular as pessoas com as “visões” e “pseudo-experiências”.

Acredito que Deus revele algo por meio de visões, e falo com convicção pentecostal que, já tive experiências com Deus, porém o Espirito que dá as mesmas, não se contradiz com o que Ele mesmo já escreveu. Tudo e todos têm que passar pelo crivo das Escrituras, é como disse o apostolo Paulo em Gl 1:8 “Mas ainda que NÓS ou mesmo um ANJO VINDO DO CÉU vos pregue EVANGELHO que vá além do que vos temos pregado, seja maldito”. Nossa cultura sempre foi afetada pelo sincretismo religioso, e isso é perigoso para o crescimento saudável do cristão. Grande parte da igreja brasileira é mística e supersticiosa.

Peço desculpa a você se o texto não está sendo muito simpático, mas como disse Martin Luther King em seu discurso “Além do Vietnã”, proferido na igreja Riverside, em Nova York, em 4 de abril de 1967, “O CHAMADO À FALA É MUITAS VEZES UMA DOLOROSA VOCAÇÃO, MAS PRECISAMOS FALAR”. A verdade tem que ser dita com amor, porém não podemos negligenciar esse chamado.

Gosto muito da descrição “Sola Scriptura”, que é um dos cinco pilares da reforma protestante. Só as Escrituras. Elas são o suficiente. Como disse Martinho Lutero: “Fiz uma aliança com Deus; que Ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das ESCRITURAS SAGRADAS, que me dão instruções abundantes de tudo o que preciso conhecer tanto para esta vida quanto para a que há de vir”.

Meu irmão em Cristo, seu tempo é precioso, gaste-o na presença de Deus, meditando e aprendendo mais as coisas do Senhor, o mesmo que se entregou por amor a você.

Invista tempo na meditação Bíblica, o conhecimento teológico é muito importante, mas você não precisa ser bacharel em teologia para compreender as verdades lá escritas. Salmo 119:130 diz que “a tua palavra esclarece e dá entendimento ao simples”.

Não erre mais por não conhecer as Escrituras e nem o poder de Deus, seja um Bereano (At. 17:11), que independentemente de quem fale, confronta com o que está escrito. Quem fugiu da palavra, foi satanás na tentação de Jesus. O Senhor o derrotou dizendo por três vezes, está escrito... Está escrito... E está escrito. Louvado seja a Deus, a Ele toda glória.

Na dúvida, recorra ao que Deus já falou por meio da sua própria palavra: “Seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso” (Rm 3:4)

1 Co 4:6 (ARC) Ora, irmãos, estas coisas eu as apliquei figuradamente a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós APRENDEIS a não ir além do que está ESCRITO”

Nele,
Fabio Campos
Sola Scriptura!

domingo, 5 de junho de 2011

RAPOSINHAS de Araripe Gurgel



Raposinhas
* Araripe Gurgel

“Apanhai-me as raposas, as raposinhas, que devastam os vinhedos”... (Ct. 2.15).

Não tropeçamos em montanhas, mas em pequenas pedras. As montanhas conseguimos enxergar: elas são grandes e ao longe podemos avistá-las. Porém o mesmo não acontece com as pedrinhas. Muitas delas estão à beira do caminho, prontas para nos fazer tropeçar.

A característica de muitas pessoas é a fraqueza de caráter, o que resulta fatalmente na prática de pecados considerados sem importância. Pequenas mentiras, maledicências, ligeiras fraudes, expressões de mau humor e muitas outras reações que, ao se repetirem, tiram de nós a sensibilidade da consciência.São essas centenas de coisinhas corriqueiras que acabam impedindo nossa comunhão com Deus.

O que o poeta bíblico quis dizer com "raposinhas"? Parece que elas gostavam de cavar ao redor das videiras cobertas de flores. Elas são as pequenas coisas a que não damos muita importância, mas que, infelizmente, teimam em estar presentes em nossa vida - é aquela palavra a mais, ao final da discussão, que não precisava ser dita, e você insiste sempre em dizer, é o gesto desprovido de mansidão, é a dureza de julgamento, são os ciúmes que a esposa não consegue esconder ou o perfeccionismo do marido que insiste em que tudo seja feito do jeito que você gosta.

Engana-se quem imagina que são os grandes problemas que destroem um casamento, uma família ou uma grande amizade. Pelo contrário, quando uma grave tormenta se abate sobre o lar, tal como um acidente de um dos familiares ou uma doença grave e repentina, a tendência dos membros da família é se unirem e estreitarem seu relacionamento para lutarem com todas as forças contra aquele "inimigo" indesejável.

Agora, difícil mesmo é lutar contra as "pequenas raposinhas" que aparecem sob o vinhedo, e pouco a pouco vão destruindo sua formosura, até que ele seque completamente. Muitos erros que cometemos, consideramo-los pequenos, sem importância, mas, por sua freqüência e  quantidade, devastam nossas vidas: "Não sabeis que um pouco de fermento leveda   toda a massa?” (1 Co 5:6).

Não nos desculpemos alegando que todos cometem tais erros. É exatamente no cotidiano das nossas vidas que nós, ao nos intitularmos "cristãos", portanto seguidores de Cristo, temos a oportunidade de agir de modo diferente ao de "todo o mundo". Na realidade, essas pequenas negligências a que nos permitimos farão com que "o ramo" não tenha fruto. (Jo 15:12).

A vinha estava em flor, prometia muito, e agora esta devastada. Não há fruto! Nossa comunhão com Deus está prejudicada. A leitura da Bíblia não tem mais o mesmo sabor, ou nunca fez parte de nossas vidas. Não achamos mais prazer na oração, e também não paramos mais para conversar com Deus. As reuniões de oração, os cultos de domingo, eram, para nós, um verdadeiro "oásis" refrescante, mas hoje não nos atraem mais ou nelas não mais encontramos  conforto.

Na vida da igreja, as "raposinhas" são aqueles pequenos acontecimentos desagradáveis, à princípio sem maior importância, mas, se não damos cabo deles, logo começam a perturbar o relacionamento dos irmãos, pequenas intrigas surgem aqui e acolá, e quando menos se espera, todo o vinhedo construído com tanto amor foi destruído - não pela ação maléfica do mundo nem tão pouco por uma investida insidiosa de Satanás.

Tudo isso são como imperceptíveis "raposinhas", que, às vezes, nem nos damos conta de sua existência em nossas vidas. Mas uma coisa é certa: o resultado é sempre devastador! Não há jejum e oração que mantenha o vinhedo bonito se, por outro lado, ele estiver sendo devastado pelas pequenas raposas.

Sansão derrotou inimigos fortíssimos, mas  foi vencido porque permitiu a ação destruidora de uma "raposinha" em sua vida. Gideão, grande herói da Bíblia que venceu batalhas com poucos homens, ao final de sua vida permitiu que uma pequena vaidade levasse Israel de volta à idolatria. Crentes amarram Satanás todos os dias nas grandes concentrações, mas não apanham as raposinhas que estão destruindo sua vida familiar.

E o que é mais grave, há cristãos, hoje, preocupados com a besta do Apocalipse, com maldição hereditária, com demônios territoriais, com a temperatura do inferno, com cura interior, e não fazem a menor idéia de que aquilo que eles devem temer e com que se devem preocupar de verdade, é  aquele olhar furtivo que lançam sutilmente ao sexo oposto.

Tem de se preocupar é com aquele sentimento de auto-suficiência que, devagarzinho,  os tem afastado do Deus vivo. Só há uma maneira de manter a videira bonita, a família saudável e a igreja abençoada: "apanhando" tudo aquilo que destrói uma relação de amor. Sim, apanhe tudo isso e dê um fim em nome de Jesus.                

Talvez o que o cristão mais precise hoje é reconhecer a existência dessas "raposinhas" em sua vida. Não é bom sinal se não estamos conseguindo dar cabo delas. É sinal de que alguma coisa vai mal  dentro de nós - é sinal  de que há um "sabotador" em nosso interior a destruindo aquilo que levou anos para crescer. É sinal de que não estamos bem conosco nem com Deus. Se tais sinais estão aparecendo em sua vida, preste bem atenção: já é hora de você afugentar essas raposinhas!

Que, a partir de hoje, você comece a enxergar aqueles detalhes que estão prejudicando o seu relacionamento com Deus. Aquelas “pedrinhas” que, muitas vezes, são deixadas de lado, mas que, com o tempo,  tornam-se grandes obstáculos. As vinhas estão em flor; não deixe que elas sejam destruídas por pequenas coisas.     

* Pastor na Igreja Crista da Trindade