segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

CONHEÇO ALGUEM MAIS “BOM” DO QUE DEUS! EU MESMO!

Evangelho de Marcos: MC 10: 17-22 – O Jovem Rico
Texto base: MC 10:18 Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus”
Diante de tantas tragédias ocorridas nos últimos tempos, comecei a reparar nos argumentos das pessoas com relação ao divino. Comentários do tipo “Por que Deus permitiu tudo isso?”, “Por que as coisas ruins acontecem com pessoas boas?”.
Existe um termo usado na teologia e na filosofia chamado “teodicéia”. O termo teodicéia provém do grego θεός - theós, "Deus" e δίκη - díkē, "justiça", que significa, literalmente, "justiça de Deus”. Esse termo foi cunhado nessas ciências por um filósofo Alemão chamado Gottfried Leibniz, tendo como alvo mostrar que a presença do mal no mundo não entra em conflito com a bondade de Deus. A teodicéia é o tema mais complexo de ser analisado dentro da teologia, seguido do mistério da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).
É interessante notarmos o senso de justiça própria que temos em nossa natureza. Ao pensarmos ou afirmarmos o “porque que Deus permitiu ou fez algo” que contrarie nossa própria justiça ou pre-rogativas, declaramos por traz de nossos julgamentos, que Deus não é tão bom quanto eu, que se estando eu em seu lugar, as coisas sairiam melhores. É de se parar para pensar, não é verdade?
Os adeptos do “teísmo aberto” acreditam que, Deus fez o mundo e tudo o que nele há, mas para provar o seu amor pela humanidade, deu-lhes o livre arbítrio, não interferindo na história humana, sendo pego de surpresa em todos os acontecimentos. Para esses “teólogos” temos um Deus “limitado”, “fraquinho”, o que é bem diferente do Deus revelado na Bíblia Sagrada. Eles querem “defender” a Deus, “inocentando-o” das intempéries do mundo, como se Ele tivesse alguma culpa.
E quando as pessoas vão dar seu testemunho dizendo que, Deus é bom porque um milagre aconteceu (não que seja errado, até mesmo eu falo dessa maneira); mas paramos e pensamos: Se o milagre não tivesse acontecido, Ele deixaria de ser bom?
No episódio ocorrido com Jesus e o jovem rico, o Senhor mostrou aquele moço que, os parâmetros de bondade de Deus, não são os mesmos dos homens. Muitas das pessoas que se dizem “boas”, praticam coisas “boas”, porém, em determinada situação, através dos seus atos de “bondade”, acabam levando outras a destruição. Ex. Uma mãe que não coloca limite em seus filhos por pensar que agindo dessa forma estará sendo má; em um futuro muito próximo, verá as desgraças causadas na formação do caráter dessas crianças. Nós somos iguais a crianças quando disciplinadas; uma criança quando tem como didático o castigo, seu primeiro sentimento é que seus pais são ruins, pois na mente delas o pai bonzinho é aquele que as deixa à vontade, não censurando em nada seus comportamentos e atitudes. Essa é uma pequena ilustração que o adjetivo bom para nós, não é o mesmo do de Deus.
Vejo cristãos sinceros, “tentando” explicar a Deus, “ajudando” o Senhor a sair das sinucas de bico colocadas pela parte dos incrédulos, questionando a bondade de Deus. Só que, quando conjecturamos as intenções de Deus a respeito de algo, ou seja, quando não temos certeza, corremos um grande perigo de tentar “justificar” a um Deus Santo e perfeito, diante de um miserável pecador e imperfeito, como eu e você.
Essas comparações acontecem quando nossos padrões de bondade são misturados aos de Deus. Não existe a possibilidade de ambas se misturarem; Deus é eterno, nós somos pó. Ele é criador, nós somos criaturas.
Quando Jesus disse que não há ninguém bom, a não ser um, que é Deus, no texto Grego original, a palavra “bom” (αγαθον- agathon) quer dizer: “bom”, “excelente”, “reto”, “generoso”. Porém nessa passagem do evangelho de Marcos, todas essas características são atribuídas à ESSÊNCIA (intrínseco) de Deus e não somente aos seus atos, coisa que não somos, e, enquanto Jesus não voltar, também não seremos, e graças a Deus por isso, pois assim Ele continua sendo (nunca deixará de ser) Deus, e eu sendo homem, privilegiado pela sua graça maravilhosa.
Quando estamos passando por adversidades é muito difícil compreender a bondade imutável do Senhor. Nesses momentos, tenhamos apenas temor e confiança Nele, lembrando que, daremos conta de toda palavra frívola que sair de nossa boca, principalmente nos julgamentos precipitados que fazemos quanto a adversidades de outros, seja ele quem for.
É importante lembrarmos que Deus não está por trás de todas as coisas ruins que acontecem. Ele permite, pois se não fosse dessa maneira, teríamos um Deus limitado, como dizem os adeptos do teísmo aberto. Nós temos um Deus que, usa tudo e todas as coisas, para que interligadas, cumpram seus propósitos, beneficiando os que o amam, dos quais foram chamados para o seu propósito.
Quando seu coração for tentado a condenar a Deus por alguma coisa que aconteceu, antes, pergunte a si mesmo qual é a sua parcela de culpa nessa situação, qual parcela de culpa das pessoas diretas e indiretamente envolvidas no caso. Tenha o discernimento do que é realmente propósito de Deus nas situações, dessa forma não falaremos “besteiras” a pessoas que estão passando por alguma dificuldade.
Mesmo diante de todas as catástrofes, Deus é totalmente confiável e amoroso, pois Ele sim é BOM, tanto é que a Bíblia nos diz que “o seu amor é pra sempre”. Escute o que Ele te diz nos momentos difíceis: “Aquietai-vos e sabei que sou Deus; serei exaltado entre as nações, sou exaltado na terra.
Ele nos ama, mesmo sendo falhos, pois esse amor foi provado na morte do seu único filho, Jesus Cristo o justo, para justificação e resgate dos perdidos. E aqueles que verdadeiramente conhecem esse amor, reconhecem suas maldades, sendo perdoados de todos os pecados, passando a servir-lo, e experimentado sua bondade todos os dias.
Deus abençoe!
Fabio Campos
Soli Deo Gloria