sábado, 8 de julho de 2017

O ÚNICO DEUS VERDADEIRO E A CRIAÇÃO

Escola Bíblica Dominical – 9 de julho de 2017 | Lição 2

Texto Áureo: Mc 12.29

Verdade prática: Cremos em um só Deus, o Pai Todo-Poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas, visíveis e invisíveis.

Leitura bíblica em classe: Dt 6.4; Gn 1.1

REFLEXÃO E OBJETIVO DA LIÇÃO: 1) Reconhecer que há somente um único Deus verdadeiro; 2) Explicar porque o criacionismo e evolucionismo são antagônicos; 3) Compreender a narrativa da criação.

INTRODUÇÃO:

a. Nenhuma outra religião forneceu tantos livros à humanidade como o judaísmo e o cristianismo.

b. É humanamente impossível ler todas as obras produzidas pelos principais expoentes do protestantismo (também levo em consideração as boas obras católicas). Vamos morrer sem ter conseguido ler todos os livros de nossa biblioteca.

c. O monoteísmo judaico-cristão prova com argumentos irrefutáveis que há um abismo intransponível entre o criacionismo e o evolucionismo.

d. Nossa função como igreja, portanto, é desenvolver uma estrutura de pensamento coerente e consistente, como fizeram os homens da tribo de Issacar: “... que sabiam como Israel deveria agir em qualquer circunstancia...”. (1 Cr 12.32).

I. O ÚNICO DEUS VERDADEIRO

1. O Shemá.

a. Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.” (Deuteronômio 6:4)

b. É o imperativo de um verbo hebraico que significa “ouvir”, “obedecer”.

c. Tornou-se uma oração essencial no judaísmo, porque expressa em poucas palavras as idéias mais importantes na religião do AT.

d. Primeiro, só o Senhor é o Deus de Israel. Ou “O Senhor é um” (Gl 3.20), conforme as versões espanhola Reina-Valera (primeira tradução castelhana completa, direta e literal dos bíblicos textos em grego, hebraico e aramaico) e judaica, conhecida no Brasil como Bíblia Hebraica.

E . A ideia do texto não se restringe apenas em provar que há somente “Um Deus”, mas a sua singularidade em beleza, poder e majestade.

2. O monoteísmo.

a. É a crença em um só Deus e se distingue do politeísmo.

b. As principais religiões monoteístas são o judaísmo, o cristianismo e o islamismo; as três têm origem em Abraão.

c. Há, porém, uma grande diferença ente Alá e Javé, embora o islã (teoricamente) aceite o judaísmo e cristianismo como religiões parcialmente verdadeiras, por serem baseadas em revelações antigas de Deus e irmãs no monoteísmo. O Pacto de Omar, por exemplo, foi criado pelo islã para dar aos cristãos e judeus o direito de praticar sua religião dentro do seu domínio, desde que fossem pagos impostos especiais e com a condição de que se comportassem de uma maneira considerada apropriada a uma população de vassalo.

d. ISLÃ: Essa palavra é de origem árabe e significa “submissão a Deus”. Esse é o nome da religião fundada por Maomé, religião essa também conhecida por islamismo e maometanismo. As tradições islâmicas dizem que o anjo Gabriel perguntou de Maomé (o mensageiro de Deus): “O que é o islã?” E Maomé replicou, dando a essência da fé islâmica: “O islã é crer em Deus e no seu profeta; é dizer as orações prescritas; é dar esmolas; é observar a festa de Ramadã, e é fazer uma peregrinação a Meca”.

e. ALÁ nunca foi conhecido dos patriarcas, nem dos reis, nem dos profetas do Antigo Testamento.

f. Os teólogos muçulmanos se esforçam para fazer o povo crer que Alá é uma forma alternativa do nome de Deus, Javé de Israel; porém, evidencias históricas e arqueológicas não conseguem sustentar essa tese visto que, também, o islã declara que as versões anteriores da revelação, como feitas a judeus e cristãos, haviam sido imperfeitas.

3. O monoteísmo judaico-cristão.

a. Conceito sobre Deus no monoteísmo judaico-cristão O refere como um ser infinito, Todo-Poderoso, conhecedor de todas as coisas, completamente bom, vivo e Criador do Universo, transcendente, mas também imanente.

b. De forma grotesca (embora essa atitude também provenha de cristãos) muitos fazem distinção entre o Deus do Antigo Testamente do Deus do Novo Testamente, que é o Pai do Senhor Jesus Cristo.

c. O marcionismo, movimento criado por Márcion (95-165), foi o primeiro a fazer essa distinção do Deus de Israel com o Deus do evangelho pregado por Cristo.  

d. Ele dizia que o cristianismo era totalmente independente do judaísmo. Márcion formou uma escola gnóstica. Sua mente prolífera o levou a desenvolver muitos conceitos que publicou em uma obra apologética muito combatida pelos apologistas de sua época, principalmente por Tertuliano e Epifânio.

e. Por mais incoerente que isto pareça (pois Paulo valorizava o povo judeu e sua tradição), Márcion procurou ter uma perspectiva paulina para sua teologia.

f. Márcion acreditava que tinha uma missão pessoal: restaurar o puro evangelho. Entre outros ensinos dele, encontramos o batismo pelos mortos. Seu “cânon” era formado pelas dez epístolas do apóstolo Paulo e por uma versão modificada do evangelho de Lucas.

g. Márcion deu uma importante contribuição para o cristianismo; foi por causa da sua heresia que a canocidade dos livros passou a ser debatida e defendida. Até então, em 397, Atanásio apresenta uma lista dos livros canônicos do NT, incluindo todos os vinte e sete livros, e apenas estes. Finalmente, em 397, no Concílio de Cartago, a igreja reconheceu oficialmente todos os vinte e sete livros, e somente estes, como Canônicos. Essa decisão foi ratificada pelo Concílio de Hipona, em 419.

h. Toda tese de que o Deus do AT é diferente do Deus do NT cai por terra na simples afirmação de Cristo, o Shemá. De fato, este Deus se revelou primeiro ao seu povo escolhido, e depois, em Cristo, na plenitude dos tempos, a todo mundo:

“Então ele disse: ‘O Deus dos nossos antepassados o escolheu para conhecer a sua vontade, ver o Justo e ouvir as palavras de sua boca’.” – Atos 22:14

SÍNTESE DO TÓPICO I                                                         

Deus é o único e verdadeiro.

II. CRIAÇÃO X EVOLUÇÃO

1. O modelo criacionista.

a. O criacionismo é a posição que propõe ser a origem do Universo e da vida resultado de um ato criador intencional.

b. A acusação da comunidade cientifica evolucionista sobre o criacionismo, é que o criacionismo se apóia na fé para explicar a criação do mundo (Hb 11.3).

c. No universo existe um número de estrelas maior do que o número de todos os grãos de areia de todas as praias e de todos os desertos do planeta.

d. Há, portanto, diante disto, como provar cientificamente com todas as técnicas e tecnologias disponíveis por quem e como o universo foi criado? Absolutamente, não!

e. O Design Inteligente difere do Criacionismo (apesar de ambos concordarem que exista uma mente inteligente por de trás da criação), pois crê que o mundo foi criado, mas não atribui ao Deus da Bíblia a autoria da criação (exceto os cristãos aderentes desta corrente). 

d. A Ciência demonstra que todas as coisas foram criadas. Mas o cristianismo revela quem é o criador:

“Pois, ainda que mesmo a alma dos ímpios seja forçada e elevar-se até o Criador pela visão da terra e do céu, a fé tem seu modo peculiar de atribuir a Deus o pleno louvor da criação. A isso é pertinente o que antes já citamos do apóstolo [Hb 11.3]: “Apenas pela fé compreendemos que o mundo foi disposto pela Palavra de Deus, pois que, se não chegamos até sua providencia, por mais que pareçamos compreendê-lo com a mente e confessá-lo com a língua, não podemos entender o que vale dizer que Deus é criador”. – CALVINO, João; As Instituas; Tomo I, Capitulo XVI (Unesp).

2. O modelo evolucionista.

a. É uma teoria (que nunca foi comprovada) que tem por base pressupostos naturalistas, entre os quais a proposta darwinista da seleção natural se destaca como o principal mecanismo evolutivo.

b. Darwin trata em sua obra, sobre a origem da variedade das formas de vida e não sobre a origem da vida. Por isso o nome é Origem das Espécies (no plural) e não Origem da Espécie (no singular).

c. O naturalismo, a hipótese mais aceita para explicar o evolucionismo, ensina que organismos biológicos existentes evoluíram em um longo processo através das eras.  É a cosmovisão favorável à ideia de que o universo e a vida vieram à existência por meio de processos de geração espontânea, sem intervenção de um ato criador, isto é, eles teriam evoluído até a complexidade atual por meio da seleção natural, a teoria da sobrevivência dos mais fortes.

d. Não somente pela fé, mas pela própria lógica, é impossível pensar que toda essa complexidade fora criado pelo acaso:

“Ao contrário da noção popular de que só o criacionismo se apóia no sobrenatural, o evolucionismo deve também apoiar-se, desde que as probabilidades da formação da vida ao acaso são tão pequenas que exigem um milagre de geração espontânea equivalente ao argumento teológico”. – Dr. Chandra Wickramasinghe 1

SÍNTESE DO TÓPICO II

O criacionismo e o evolucionismo são antagônicos.

III. A CRIAÇÃO

1. A criação do Universo.

a. Deus criou o universo do nada; é a chamada creatio ex nihilo da teologia judaico-cristã revelada na Bíblia.

b. Se você acreditar em Gn 1.1,“No principio criou Deus os céus e a terra”, você terá que levar a sério todo o restante da Bíblia.

c. Assim como Big Bang, há diversas teorias a respeito da criação do universo, porém a Bíblia traz uma afirmação totalmente irrefutável: “Deus criou os céus e a terra”.

d. O verbo hebraico “criou” é bará, e este apresenta características peculiares: o sujeito da afirmação é sempre Deus, o Deus de Israel, e nunca foi aplicado a deuses estranhos.

e. Gênesis 1 – 2, como afirma grande parte dos estudiosos, trata-se de um livro apologético contra formas antigas e rivais de se entender a criação (Enuma Elish, mito da criação babilônica).

f. Pecamos quando refutamos o darwinismo tentando encontrar todas respostas em Gênesis, como se Gênesis estivesse sido escrito para defender o criacionismo contra as idéias de Darwin.

g. Deus se distingue do homem na criação, justamente porque Ele é Criador e o homem é criatura. Só alguém eterno poderia criar algo do nada. Deus não vê o futuro porque ele não está preso ao tempo. Ele está o tempo todo em todo o tempo: no passado, no presente e no futuro.

h. Deus trouxe o universo à existência do nada e de maneira instantânea, pela sua soberana e livre vontade (SI 33.9; Hb 11.3; Ap 4.11).

2. A narrativa da criação em Gênesis 1.

a. No primeiro dia. Deus trouxe à existência a luz (Gn 1.3); no segundo, criou a expansão ou firmamento (vv.6-8); e, no terceiro, "disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca" (v.9). A essa porção seca Ele chamou terra e ao ajuntamento das águas, mares (v.10). Ainda no terceiro dia, surgiram os continentes com seus relevos e a vegetação (vv.9-13). Os corpos celestes: o sol, a lua e as estrelas aparecem no quarto dia (vv.14-19). As aves e os animais marinhos surgem no quinto dia (vv.20-23).

b.  A Bíblia oferece a verdadeira história. Tudo o que ela relata ocorreu no tempo e no espaço: numa hora específica, de um dia específico, de um mês especifico, de um lugar específico, num lugar específico.

c. Esse elementos básicos: tempo (no princípio), espaço (os céus) e a matéria (a terra), foram trazidos à existência no princípio e são fundamentais no processo de criação.

3. A criação do ser humano.

a. A raça humana teve sua origem em Deus, através de Adão (At 17.26; 1Co 15.45). O ser humano foi criado no sexto dia, como a coroa de toda a criação, e recebeu de Deus a incumbência de administrar a terra e a natureza.

b. A criação do homem foi muito bem planejada pela Trindade. “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1.26).

c. O evolucionismo ensinado nas escolas e propagado pela mídia, afirma como fato e não teoria, que todos os seres humanos evoluíram de um ancestral comum aos chimpanzés e gorilas, que viveu num passado distante de centenas de milhares ou até mesmo de alguns milhões de anos, provavelmente no continente africano.

d. Os dois verbos “asah” e “bara” foram utilizados para demonstrar que os seres humanos foram feitos daquilo que Deus já havia criado anteriormente, a saber, do pó (verbo Asah).

e. A missão do homem era de governar a terra e de guardar o jardim

f. Esse ser humano recebeu diretamente de Deus o sopro em suas narinas (Gn 2.7). Em outro lugar, a Bíblia revela que Deus o fez um pouco menor do que os anjos (SI 8.5).

SÍNTESE DO TÓPICO III

A narrativa bíblica a respeito da criação é verdadeira.

CONCLUSÃO

1. Batalhar pela fé não é opção ao cristão, mas obrigação (Jd 1.3). Graças ao empenho de homens e mulheres no decorrer da história, hoje temos de forma cristalina, o conhecimento do único Deus verdadeiro, que criou o céu e a terra.

2. O desafio hoje não são os ensinos mesopotâmios da época dos patriarcas; ou dos gnósticos da época dos apóstolos.

3. Entendo que o principal desafio da igreja seja o secularismo e, principalmente, o ateísmo prático. O ateu teórico afirma que Deus não existe; o ateu prático age como se Deus não existisse.

4. A melhor forma de proclamar a existência de Deus é viver de acordo com o fato d’Ele existir. Se Deus existe, então há um jeito certo de viver.

5. Os materialistas, existencialistas, dizem que as pessoas procuram a religião para fugir de seus problemas. No entanto, nada pode ser mais angustiante do que saber que há uma realidade e danação eterna, principalmente com a certeza de que “muitos são chamados, mas poucos escolhidos”.

6. Portanto, seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso. Ele é Único, Criador de todas as coisas.


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICT – J - dia 09/07/2017

Curta nossa página fan page e tenha acesso a vídeos, artigos e reflexões de autores cristãos de todas as épocas: https://www.facebook.com/fabiosolafide/?fref=ts
____________________________________________________
1 Citado por Adauto Lourenço em Estudo sobre o Design Inteligente e o Criacionismo

Bibliografias:

Escola Bíblica dominical. A razão da nossa fé. 3º trimestre de 2017; CPAD; lição 2.
CARSON, D.A & FRANCE R.T & WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. Editora Vida Nova, 2009. São Paulo, SP
LOURENÇO, Adauto. Gênesis 1 & 2, a mão de Deus na criação. São José dos Campos, SP; Editora Fiel, 2011.
LOURENÇO, Adauto. A igreja e o criacionismo. São José dos Campos, SP; Editora Fiel, 2011.
LONGMAN III, Tremper. Como ler Gênesis. São Paulo, SP; Vida Nova, 2009.
PAULO, Anglada. Sola Scriptura. Editora Knox Publicações, 2º impressão 2016. Ananindeua, PA
EVANS, C. Stephen. Dicionário de Apologética e Filosofia da Religião. Editora Vida, 2004. São Paulo, SP
Bíblia Apologética de Estudo. 2ª edição. ICP Editora. São Paulo, SP: 2005.
SHEINDLIN, Raymond P. A história ilustrada do povo judeu. Rio de Janeiro, Ediouro, 2004
HINNELLS, C. John R.. Dicionário das religiões. Circulo do Livro, 1984. São Paulo, SP
CHAMPLIN, Norman R. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Editora Hagnos.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

CONVERSÃO NÃO É MORALIDADE, MUDE O DISCURSO DO SEU TESTEMUNHO

Por Fabio Campos

Texto base: “Mas o que para mim era lucro, passei a considerar perda.” – Filipenses 3.7


É raro encontrar alguém que defina biblicamente o que é conversão. Muitos confundem o seu resultado com o ato do que de fato ela representa.

É interessante ponderar sobre a conversão do apóstolo Paulo.

Ele não era um sujeito imoral (do ponto de vista social e religioso). Seu pecado não era a boêmia, a noitada, o mulherio. Seu mundanismo não era oriundo de uma vida pródiga, mas do orgulho de sua “pregressa piedade”. Paulo, do ponto de vista da lei era irrepreensível; também era um bom cidadão; além de ser exemplo para qualquer um de seus compatriotas.

O passado ímpio do apóstolo, todavia, é justamente o testemunho de muita gente dos nossos dias. Seus deveres religiosos eram devidamente cumpridos. Mas do que Paulo tinha que se arrepender?

Perceba o discurso da grande maioria; falam mais do que fizeram para Cristo do que aquilo que Cristo fez por eles.

Paulo mantinha sua segurança no realizar dos afazeres ministeriais e na virtude das boas obras. Era disto que ele se arrependeu. Muitos, porém, se gabam justamente do que Paulo considerou perda. Ou seja, apoiam-se em suas obras de justiça (Fp 3. 4-9).

Afinal, o que é conversão?

A primeira coisa que precisa ser definida é que conversão não é moral, mas ontológica. A moral (e não moralismo) é simplesmente o resultado da nova criatura que foi gerada em Cristo (2 Co 5.17). A primeira coisa que deveria ser dito num testemunho não é o que você é, ou faz hoje, mas como Deus te convenceu do quanto a sua justiça (aquilo que você confiava para salvação) se tratava de esterco (excremento humano, porção do alimento rejeitado pelo organismo como não nutritivo e que deve ser expelido).  

Por ignorância da sã doutrina, quando Cristo me converteu a Ele, logo de inicio fui radical com coisas que hoje tolero (usos, costumes e ingestão de alimentos em geral), e tolerava coisas que hoje sou radical (doutrinas espúrias). Pelo estudo das Escrituras fui convencido de que o Reino de Deus não consiste em “coisas”, mas pessoas que verdadeiramente tiveram um novo nascimento; nascidas não de descendia natural, nem pela vontade de algum homem, mas de Deus (Jo 1. 13).

Não se trata do que você come ou do que você bebe; mas de justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14.17).

Muitos chamam de pecado o que Deus fez para ser desfrutado. A Bíblia chama esses “mestres” de hipócritas e mentirosos, que têm a consciência insensível (1 Tm 4.2). E é aqui que entra o ponto que ofusca o verdadeiro sentido ontológico do resultado da conversão. Baralhar santificação com rigor ascético, abstendo até de prazeres legítimos; proibir o que Deus criou para nosso deleite e para o louvor da sua glória (1 Tm 4.3; 1 Co 10.31). Muitos religiosos taxariam de mundano as festas realizadas sob orientação do próprio Deus no meio do seu povo (Dt 14.26).

Conversão passou a ser “não tocar” nisto; “não provar” aquilo; “não manusear” tal coisa. De fato, como diz a Escritura, isto até tem aparência de santidade; mas só aparência, pois não tem valor algum no combate contra os desejos que realmente são pecaminosos (Cl 2. 20-23).

Os legalistas, no entanto, dizem ser certo justamente o que Deus abomina (opressão em nome da lei). Seita procede exatamente deste modo. Rígidos para com o corpo e laicos na doutrina, que poderia libertar as pessoas do fardo pesado colocado sobre seus ombros.

O Senhor é traído não quando caímos pela fraqueza da carne. Deus é traído quando nos apartamos da simplicidade e pureza devidas a Cristo; quando abraçamos outro evangelho; quando prestamos culto a um "deus" estranho (tipo mamon, o “deus” da teologia da prosperidade). Isto é traição!

A conversão, portanto, está muito além da mera mudança de comportamento. A conversão bíblica consiste primeiramente em abandonar por completo sua própria justiça para lançar-se por completo, por meio da fé, na justiça de Cristo (Ef 2. 8-9). É descansar no sacrifício vicário de Jesus; se trata em renunciar nossa auto-suficiência e pretensioso orgulho de cumprir a lei (Fp 3.3).

O que importa não é isto ou aquilo; guardar o sábado; deixar de comer ou beber certos alimentos. Nada disto valerá se, contudo, você não for nova criatura. Estamos firmados e confirmados numa Pessoa. Não é a obediência de regras ou a observação de determinada tradição que nos fará aceitáveis diante de Deus. É Cristo Jesus, justiça nossa. É n’Ele e em nada mais. Ele é tudo para aquele que sabe que não possui nada.

Se você ainda se apóia no seu desempenho religioso; no fato de se abster, por exemplo, do álcool e de certos alimentos – você até pode ser um bom moço ou moça, mas você ainda não é um genuíno cristão. O Evangelho de Cristo incomoda os libertinos tanto quanto incomoda os legalistas. Os libertinos esquecem Deus; os legalistas tentam ser Deus.

Portanto, conversão é ter em Cristo toda a confiança, é ser achado n”ele, não tendo por justiça as nossas obras, mas sim a justiça que procede da fé no Salvador, a saber, a justiça que vem de Deus. O fim da lei é Cristo para a justificação do todo aquele crê.


Em Cristo Jesus, considere esta reflexão e arrazoe isto em seu coração.


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos

“A folha branca é o meu púlpito principal.”


Curta nossa página fan page e tenha acesso a vídeos, artigos e reflexões de autores cristãos de todas as épocashttps://www.facebook.com/fabiosolafide/?fref=ts


domingo, 18 de junho de 2017

JOSÉ, O PAI TERRENO DE JESUS – UM HOMEM DE CARÁTER


Escola Bíblica Dominical – 18 de junho de 2017 | Lição 12
Texto Áureo: Mt 1.24

Verdade prática: José, pai de Jesus, nos deixou um exemplo marcante de um caráter humilde, submisso e amoroso.

Leitura bíblica em classe: Mt 1. 18-25

REFLEXÃO E OBJETIVO DA LIÇÃO: 1) Mostrar alguns aspectos do perfil de José, pai de Jesus; 2) Apontar o caráter exemplar de José; 3) Explicar a nobre missão de José.

INTRODUÇÃO:

a. A Bíblia não traz muitas informações sobre José.

b. O que sabemos, no entanto, é que ele pertencia a família de Davi (Lc 2.4), a linhagem do messias (2 Sm 7. 12,16).

c. A Bíblia declara que José era um home justo e piedoso (Mt 1.19).

d. Além de sua árvore genealógica, os únicos outros aspectos conhecidos na vida de José são o seu casamento com Maria, sua residência e profissão.

e. Não há palavra alguma pronunciada por José registrada na Bíblia; entretanto, sua postura e testemunho tornaram evidentes o que de fato Deus requer de seus servos: caráter, moderação, compaixão e misericórdia.

I. JOSÉ, O PAI DE JESUS

1. Quem era José?

a. José era esposo de Maria.

b. Seu nome só é mencionado nas narrativas sobre o nascimento de Jesus, em Mateus 1 e 2 e Lucas 1 e 2, bem como na árvore genealógica, em Lucas 3.23.

c. José não era rico; morava na Galiléia (periferia comparada a Judéia); e era carpinteiro (profissão não renomada).

d. O fato de José e Maria terem oferecido para o sacrifico duas rolinhas na apresentação de Jesus (Lc 2. 22-24) comprova que ele era pobre (Lv 12.8).

2. Pai adotivo de Jesus,

a. José não era o pai biológico de Jesus, mas adotivo, visto que Jesus foi gerado pela ação do Espírito Santo no ventre de Maria (Lc 1.35).

b. Ele agia como um pai legítimo de Jesus, levando-O a Jerusalém para a purificação (Lc 2. 22) e fugindo com Ele para o Egito, a fim de escapar de Herodes.

c. Como todo pai piedoso do seu tempo, José levava o menino Jesus a Jerusalém em cada ano, por ocasião da páscoa (Lc 2.41).
d. A genealogia de Jesus que Mateus escreve, estilizada, garante o direito legal de Jesus ser Rei conforme dito na Escritura.

e. Lucas registra a genealogia de Jesus, a partir da descendência de Davi:
“A uma virgem desposada com um homem, cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria.” – Lucas 1:27

3. José, um sonhador obediente.

a. Uma notável seqüência de sonhos marcou o papel inicial de José como pai adotivo do Filho de Deus.

b. Sabendo da gravidez de Maria, José decidiu abandoná-la. Inicialmente foi instruído a não divorciar-se de Maria, “porque o que nela fora gerado era do Espírito Santo” (v. 20).

c. Após o nascimento de Jesus, José teve um segundo sonho, no qual foi orientado a pegar Jesus e Maria e ir com ele para o Egito, para protegê-lo de Herodes, o Grande, que planejava matar o messias (Mt 2.13).

d. O terceiro sonho de José, quando estava no Egito, o enviou de volta a Israel, junto com sua família, depois da morte de Herodes.

e. Em seguida, foi instruído num último sonho a se estabelecer em Nazaré e não na Judéia (v.21), o que ele fez (v. 23).

f. Em todos os casos, de acordo com a vontade do Senhor, José agia em total obediência.

SÍNTESE DO TÓPICO I                                                         

José foi escolhido por Deus para ser o pai adotivo de Jesus.

II. O CARÁTER EXEMPLAR DE JOSÉ

1. Um homem obediente.

a. Ao saber da gravidez de Maria, decidiu divorciar-se dela em segredo. Mas 
após o sonho no qual o Senhor dizia para ele receber Maria como esposa, prontamente obedeceu a ordem Divina:

“Ao acordar, José fez o que o anjo do Senhor lhe tinha ordenado e recebeu Maria como sua esposa.” – Mateus 1:24

b. Em meio a tanta confusão que se passava na cabeça de José, mais  sua vulnerabilidade emocional (pois pensava que tinha sido traído), José discerniu que aquele sonho se tratava da orientação de Deus (porém, precisamos tomar cuidado com os sonhos).

“Porque, da muita ocupação vêm os sonhos...”. – Eclesiastes 5:3

c. José, que já havia mostrado que não era rancoroso e vingativo, por ter planejado deixar Maria em segredo – pois a lei ordenava a exposição pública da pessoa pega em adultério (Dt 22. 23,24; 24.1).

d. De acordo com os costumes judaicos, Maria estava ligada a José como uma esposa, embora eles não tivessem relações sexuais. O noivado representava uma ligação legal. A descoberta que Maria estava grávida dava a José uma base para romper o contrato de casamento e recuperar o preço que ele já havia pago pela noiva. Muitos homens, ao descobrir a noiva grávida, teriam exigido a exposição pública, não apenas para silenciar qualquer mexerico sobre ele, mas também para recuperar o seu dinheiro.

e. José, embora pudesse ter se sentido traído, tinha Maria em alta consideração, e fez uma escolha completamente diferente. De acordo com a lei, ele poderia ter dado uma carta de divórcio a Maria, sem nenhum julgamento público, mas também teria que devolver qualquer dote que tivesse recebido, como multa.

 f. Ao receber a direção de Deus, José abraçou Maria, e a acolheu, decidindo seguir com o matrimonio.

2. Um homem temperante.

a. José foi viril segundo Deus; era um homem que sabia respeitar sua namorada.

b. Ele era temente a Deus e esperou não somente o matrimonio para poder ter relação com Maria, conforme dizia a lei (Dt 22. 23,24), mas também o nascimento de Jesus, para cumprir toda a vontade de Deus (Mt 1.25).

c. Aquele casal é um grande exemplo para todos os solteiros que é possível sim manter a santidade no relacionamento, para que o sexo possa ser desfrutado de acordo com as regras d’Aquele que entregou este belo presente aos homens: “O amor tudo espera” (1 Co 13.7).

SÍNTESE DO TÓPICO II

José foi um homem de caráter exemplar.

III. A NOBRE MISSÃO DE JOSÉ

1. Assegurar a ascendência real de Jesus.

a. José era descendente da tribo de Judá, de onde viria o Messias (Lc 3. 23-38). Apocalipse diz que Jesus é o “Leão da Tribo de Judá” (Ap 5.5).

b. Embora nenhuma menção seja feita sobre a linhagem de Maria, é possível que ela tenha vindo da mesma linhagem, especialmente se, conforme parece provável, a genealogia de Cristo, no terceiro capítulo de Lucas, deva ser traçado através de Sua mãe.

c. Alguns teólogos alegam que esta linhagem dupla foi necessária devido à maldição imposta a Jeoiaquim, o último rei da casa de Davi, em Judá, no início do exílio na Babilônia (Jr 22.30). Se esta sentença foi interpretada no sentido futuro, que “nenhuma da sua linguagem prosperará, para se assentar no trono de Davi, ou reinar de novo em Judá” (v. 30), ambas as genealogias são essenciais. A árvore genealógica de Mateus ainda provaria o direito legal de Jesus ao trono de Davi, embora, devido à alternativa de Davi [por meio de outro filho, Natã; Lc 3.31), vista na genealogia apresentada por Lucas.

2. Proteger Jesus em seus primeiros anos.

Alguns fatos relevantes sobre a vida de Jesus comprovam o amor e o zelo de José pelo menino que não era seu filho biológico, mas filho de Maria pela intervenção divina.

a.  Nascimento de Jesus.

I. Tudo indica que José foi quem tenha realizou o parto; a Bíblia diz que “não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2.7). Maria envolveu o bebê em panos e o colocou na manjedoura, porém, ao que indica, foi José que fez o procedimento exigente na hora do parto.

II. Outra coisa que favorece a idéia de que o casal estava só é o fato de que os pastores encontraram somente “Maria, e José, e o menino deitado na manjedoura” (Lc 2.17).

III. O texto de Lucas é claro ao dizer que o anjo que apareceu aos pastores, disse que “o Salvador havia nascido hoje” (Lc 2.11); e que logo que os anjos se retiraram, os pastores “saíram com toda pressa” e acharam o “menino deitado” junto de seus pais (Lc. 2. 12-17).

IV. O comentário Bíblico Vida Nova, p. 1481, diz que, embora uma antiga tradição cristã sugira que a criança nasceu em caverna, Lucas parece descrever o local como parte de uma hospedaria (ou de uma casa) onde os animais eram guardados.

b.  Nas cerimônias exigidas pela lei.

I. José era obediente as leis do estado e a lei de Deus; no decreto de César Augusto, ele foi se alistar para o senso; participava do rito da purificação (Lc 2.22); e observava a páscoa (Lc 2.41).

II. Jesus, como havia de ser, cumpriu “toda a justiça” desde cedo; não aprouve a Deus, portanto, escolher para Jesus um pai rico, mas justo.

c.  Na fuga para o Egito.
I. Diante da ameaça de Herodes, de matar o menino Jesus, Deus determinou 
que José tomasse Maria e o menino, e fugissem para o Egito, até que o rei homicida tivesse morrido.

II. Por quase 500 quilômetros de viagem, em meio a estradas desertas, com risco de assalto e intempéries, José conduziu a esposa e seu filho para um lugar seguro. E de lá só voltou por revelação de Deus, quando o homicida tinha morrido, e foi morar em Nazaré (Mt 2. 13-23).

3. O zelo pela formação espiritual de Jesus.

a. Levando-se em conta que José em nenhum aspecto é considerado um líder entre o povo de Deus, ele demonstra ser uma das figuras mais piedosas mostradas nas Escrituras.

b. Do que se sabe sobre ele, José obedecia em tudo o Senhor. Era também um marido exemplar, que protegeu Maria mesmo sob suspeita de traição.

c. José foi um exemplo de pai, que se fez presente na vida do filho; pois em todo instante cuidou de Jesus e de Maria, observado com cuidado tudo aquilo que manda a Escritura.

SÍNTESE DO TÓPICO III

José recebeu de Deus a nobre missão de ser o pai adotivo de Jesus.

CONCLUSÃO

1. José, antes de ser o “pai” de Jesus, isto é, do Messias que ele mesmo aguardava, era um servo piedoso de Deus.

2. Maria tinha um justo dentro de casa; assim como José tinha uma mulher piedosa no seu convívio; estes atributos devem nos trazer orgulho (no bom sentido) ao olharmos para a vida de nosso cônjuge, ou seja, “eu tenho um justo (a) dentro de casa”.

3. Sem palavra alguma, mas através de uma vida obediente e piedosa, José deve ser mais um exemplo do que é servir o Senhor cujo objetivo final é a glória de Deus.

Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICT – J - dia 18/06/2017

Curta nossa página fan page e tenha acesso a vídeos, artigos e reflexões de autores cristãos de todas as épocas: https://www.facebook.com/fabiosolafide/?fref=ts
____________________________________________________
Bibliografias:

Escola Bíblica dominical. O Caráter do Cristão. 2º trimestre de 2017; CPAD; lição 12.
O Novo Dicionário da Bíblia, Vol 1 e 2. São Paulo, SP; Edições Vida Nova, 1984
Quem é quem na Bíblia Sagrada. Editado por Paul Gardner. Editora Vida Acadêmica. São Paulo, SP
CARSON, D.A & FRANCE R.T & WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. Editora Vida Nova, 2009. São Paulo, SP
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do NT. Editora CPAD, 2014. Rio de Janeiro, RJ