terça-feira, 27 de setembro de 2016

FOGE TAMBÉM DAS PAIXÕES DO FACEBOOK E DO WHATSAPP



Por Fabio Campos


O facebook deu voz ao coração. As redes sociais democratizaram a opinião do anonimato. Agora não somente ouvimos, mas também somos ouvidos. O verbo veio a público. Gente de todas as religiões (até mesmo pessoas que consideravam, até então, internet coisa do capeta, agora estão online). Militantes de todos os partidos políticos; os extremos estão guerreando; direita versus esquerda. Todos estão lá querendo ser ouvidos. Tudo na santa paz! O respeito reina! Só que não, né!? ...

Minha impressão é que o mundo vai explodir a qualquer momento. Sério mesmo! Sem sensacionalismo. As pessoas não querem aprender e nem escutar. Elas anseiam em ser ouvidas (talvez seja por uma demanda reprimida de notoriedade). Raiva, ansiedade, frustração, decepção, inveja etc. Tudo na mesma panela. Imagine o resultado da receita.

Alguém posta algo com um intuito. Outra pessoa, num espírito totalmente diferente, comenta ou compartilha. Chega um terceiro, com outro ânimo, emite a opinião. Ninguém mais ouve ninguém. Vira diálogo de surdo. Cada qual na sua indignação emite o desabafo na sua página. Outros, porém, incomodados (que pensaram ser uma indireta a eles), comentam. Geraram-se mais tretas! E assim é desde o dia que foi dado voz aos escondidos (como eu).

Nem o futebol tem gerado tanta confusão como política e religião. E por falar em religião; como crente, preciso admitir: nós somos os mais chatos. Divergirmos em TODOS os assuntos. Mas isso não é novo. A “história da teologia” denuncia isso1. É sábio admitir que não exista teologia perfeita. Somente a Escritura é pura e cristalina! Teologia nada mais é que o esforço (legítimo) do homem para compreender o divino. 

Suas várias vertentes de interpretações passou-se por longas discussões. E muitas das vezes, acaloradas. Gente morreu por ter defender seu ponto de vista teológico. Coisas que afirmamos ser inerrantes foram formuladas no calor da paixão através de respostas e refutações! Cada sistemática defende o seu ponto de vista. Diferente das Escrituras. Ainda que contenha refutações (principalmente nas cartas), a Bíblia toda, diferente da teologia, foi inspirada por Deus de forma livre e perfeita, sem paixão humana, para ensinar, para repreender, para corrigir e para instruir na justiça o homem de Deus, preparando-o para toda boa obra. 

Não me entenda mal, por favor. Eu amo teologia mais do que qualquer outra coisa na academia. Mas entendo que ela é um sistema imperfeito para entender o que é perfeito. Isso me ajuda muito, pois quando sou tentado a ensoberbecer-se na minha refutação – este pensamento coloca-me no devido lugar.

Discutir teologia ao vivo já é complicado. Imagine fazer isso pela internet. Poucos são os que sabem usar a ferramenta do diálogo e do debate para a glória de Deus. É desanimador acompanhar certos debates (a maioria deles). Há mais calor do que luz. Será que vale a pena ser afligido pelo o que os outros dizem? Até onde Deus está envolvido nesta gritaria?

Eu mesmo tenho sido mais polido e criterioso em assuntos polêmicos. Não me acovardei (até onde sei); apenas tornei-me seleto pelo o que debater (se precisar). Digo isso porque já errei bastante. Perdi amigos de bobeira. Através da minha beligerância, levantei muros. Lamento muito, de verdade! Sei da importância das “vozes” cristãs a despeito de todos os assuntos. Só não caia na tentação de querer ser um messias cibernético. Quem fala muito traz perturbações (Pr 13.3). Portanto, com sabedoria, escolha a sua treta!

O cristão não pode ser superficial. Nós temos a mente de Cristo. Discernimos o mundo sem por ele se discernidos. As pessoas nos escutarão de fato se falarmos com propriedade. Aquele que possui fundamento não grita –, argumenta.  

Evitaremos muito sofrimento (nosso e para outros) se tivermos mais cuidado com o que iremos publicar, compartilhar e comentar (Pr 21.23). Foge, igualmente, das paixões do facebook e do whatsApp. O conselho bíblico é para seguirmos a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor. Faça isso para o bem da sua alma.

Antes de postar algo – pare, pense, reflita, ore. Se for necessário, então escreva. Se não, fuja! Lembre-se que Nosso Senhor, em seu sofrimento, triunfou sobre seus adversários com a boca calada, como está escrito: “... ele não abriu a boca” (Is 53.7). Isso demonstra que não é a persuasão do homem quem faz as coisas, mas o poder de Deus.
Fuja, portanto, das paixões do Facebook e do WhatsApp. Você vai ser mais feliz e menos depressivo. É serio mesmo!


Em Cristo Jesus, considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
fabio.solafide@gmail.com

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1 Para saber mais sobre o assunto sugiro a leitura de OLSON, Roger em  “História da Teologia Cristã” publicado pela Editora Vida Acadêmica.

domingo, 25 de setembro de 2016

FUMAÇA NA MONTANHA | Joy Davidman



Por Joy Davidman 1

Para muitos contemporâneos, Deus reduziu-se a uma nobre abstração, uma tendência histórica, um objetivo evolutivo; transformou-se numa concepção rarefeita, útil organizador a paz mundial – algo bom como uma ideia. Mas não a Palavra que se fez carne, que morreu por nós e ressuscitou dentre os mortos. Não uma personalidade pela qual o homem pode sentir amor. E não, certamente, o eterno amante que tomou a iniciativa de apaixonar-se por nós.

Pensar em Deus como um amante que busca seu amor é razão de escândalo? Então o cristianismo escandaliza. Se aceitarmos o supernatural apenas como algo demasiado fraco e passivo que não interfere na esfera natural, melhor seria considerarmo-nos materialistas e esquecer o assunto – ganharemos em honestidade o que perdermos em respeitabilidade. Aqui vai um teste para saber se a sua fá é algo mais do que uma fé aguada. Suponhamos que hoje à noite o Espírito Santo leve você para as alturas do espaço, profira uma mensagem para sua consciência, depois invisivelmente deixe você de novo seguro na sua caminhada. Você vai considerar a possibilidade de que essa experiência é genuína? Ou vai concluir de imediato que você deve estar maluco e sai gritando à procura de um psiquiatra?

Aqui está outro teste, mais prático – pois é muitíssimo provável que bem poucos dentre nós sejam arrebatados da cama hoje à noite. Você acha que o cristianismo é primeiramente precioso como um meio prático de resolver nosso “verdadeiro” problema – isto é, como construir uma sociedade permanentemente sadia, rica e sábia neste mundo? Se a resposta for afirmativa, você é pelo menos meio materialista, e algum dia os marxistas poderão chamá-lo de camarada.

Tão forte é o clima opinativo materialista que até os cristãos convictos às vezes se sentem forçados a defender o cristianismo contra a acusação de ele “ser de outro mundo” – reduzindo-lhe o valor de passaporte para o céu em prol de sua utilidade como projeto acabado para reformar o mundo. No entanto, não devemos acusar exclusivamente o progresso científico ocidental pelo apego a este mundo, como se o materialismo houvesse esperado que Edison o inventasse. De modo algum. A Roma de Lucrécio, a Atenas de Epicuro – até o Israel de Eclesiastes – certamente não careceram de filósofos materialistas. 

A devoção ao príncipe deste mundo é uma das tentações antigas, e talvez nossos remotos ancestrais mal haviam inventado a funda quando se ergueram sobre as pernas traseiras e proclamaram que seu progresso técnico agora lhes permitia dispensar a religião. A escolha que se nos apresenta hoje é simplesmente a mesma de sempre: saber se devemos ser deste ou de outro mundo; se devemos viver num egoísmo sem amor ou viver para amar a Deus.


Texto extraído do livro: “A Biblioteca de C. S. Lewis”; BELL, James S. & DAWSON, Anthony; Ed. Mundo Cristão. P. 20-21
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1 Joy Davidman foi esposa de C. S. Lewis por pouco mais de três anos. Casaram-se em 23 de abril de 1956. Joy faleceleu, vítima de um câncer, em 13 de julho de 1960. Joy Davidman dedicou o seu talento de escritora ao Partido Comunista. Como muitas outras pessoas, durante a Grande Depressão da década de 1930, Davidman se tornara ateia e comunista, convencida de que a ação social radical era a única solução para as agruras econômicas dos Estados Unidos. Casou-se com Billk Gresham, companheiro do Partido Comunista, que combateu do lado socialista na Guerra Civil da Espanha. Gresham era alcoólatra e tinha outras mulheres. Após o casamento conturbado, Davidman encontrou-se com Deus repentinamente e inesperadamente, no inicio da primavera de 1946. Tendo descoberto Deus, Davidman começou a explorar o novo território de sua fé. Seu guia principal foi um autor inglês [e futuro marido] que recentemente se tornara famoso nos E.U.A – C. S. Lewis. O Grande Abismo, Milagres e Cartas de um diabo a seu aprendiz tornaram-se para ela a porta de entrada para uma fé intelectualmente enriquecida e robusta. Todavia, enquanto outros procuraram simplesmente os conselhos de Lewis, Davidman procurou sua alma. (A vida de C. S. Lewis, McGRATH, Alister; Mundo Cristão; p. 334-335)


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terça-feira, 20 de setembro de 2016

RESENHA DO LIVRO “PURIFICANDO O CORAÇÃO DA IDOLATRIA SEXUAL” | JOHN D. STREET



Por Fabio Campos


O Pecado sexual é tão somente a consumação de maus desejos que já moram em nosso coração. Essa obra me ajudou a entender isso de forma mais abrangente. Literalmente posso afirmar: minha foi desnudada! Quanta coisa há em mim que precisa ser tratado por Deus através da ação do Espírito Santo. 

Gostei muito do livro A Batalha de Todo Homem. Os autores desta obra compartilham suas experiências e como conseguiram obter vitória sobre a tentação sexual. Porém, “Purificando o coração da Idolatria Sexual” escrito pelo Dr. John Street tem outra proposta: “reconhecer e eliminar as motivações idólatras potenciais, empregando um sistema bíblico, que prevenirá um fracasso no futuro. O coração é o solo propício de onde cresce a terrível imoralidade”.1

Na introdução o autor trata da “Teologia do Desejo Santo” que é a tentativa de compreender o que Deus diz ser “bom”, porém, devido a nossa pecaminosa, fizemos mau uso delas, como é o caso do sexo. 

“O paradigma arruinado” trata das motivações e comportamentos dos homens. Deus fez o homem para satisfazer sexualmente o seu cônjuge; com a queda, os homens buscam, de forma egoísta, sua própria satisfação ainda que tenha que privar o outro. 

A “teologia do Desejo Cobiçoso” trata dos desejos pecaminosos descobertos gradativamente – a cada nova “aventura”. O autor cita, por exemplo, “mulheres que são, com frequência, atraídas para práticas sexuais ilícitas através de livros românticos erotizados em que ocorrem descrições pornográficas leves progredindo para imagens e descrições pornográficas pesadas. Muitas lésbicas admiram que foram atraídas para relações homossexuais pelo convidativo apelo-suave do romance”.2 O Dr. Street aborda a forma que podemos aconselhar pessoas, através da Bíblia, que estão escravizadas por esses desejos: “Ao que trabalha com aquele que está sexualmente escravizado, o conselheiro bíblico precisará ser habilidoso hermeneuticamente no que se refere ao uso da palavra cobiça dentro do contexto onde ela aparece”.3 Ele trata também sobre a biologia do homem no sexo, os hormônios que criam o apetite sexual. Em suas pesquisas, John Street, diz que, “as intenções e os propósitos do coração podem prevalecer sobre a sua bioquímica”.4 Ninguém pode negar o poder da libido. Em seu projeto criativo, Deus planejou o sexo para ser bom e poderoso, mas não irresistível. Ele cita o caso de um homem qual dizia não conseguir ter vitória contra as tentações sexuais: “Imagine sua filha de cinco anos de idade entrando no quarto enquanto você está fazendo amor com sua amante. Você continuaria sua prática de sexo ilícito enquanto ela estivesse olhando? “Claro que não!” respondeu ele horrorizado com a ideia. Então, o medo do que sua filha poderia ver e pensar  é real e extremante poderoso. Aliás, o medo do homem é mais poderoso que os impulsos biológicos! Esta é a razão porque você sabe que pararia”. 5

Ele conclui sua introdução dizendo que “formas rígidas de comportamento moralista falharão para aconselhados que estejam lutando com este complexo labirinto de desejos. Este comportamento pecaminoso pode acabar, mas o anseios sensuais desordenados continuarão a afligir o aconselhado”.6                                      

CAPÍTULO 1 – ALIMENTANDO PENSAMENTOS DE COBIÇA SEXUAL

O autor aborda nesse capítulo o “pensar” em sexo de forma saudável e pecaminosa. Pensar em sexo é algo normal, pois foi Deus quem criou o sexo para ser desfrutado no casamento e deu a libido ao homem para que tivesse vontade e prazer ao praticá-lo.

A questão, no entanto, é que o pecado deturpou tudo. Veja que até mesmo um versículo bíblico por muitos não pode ser lido com a pureza devida. Muita gente quer refrear seus impulsos pecaminosos se privando de “certas carícias” no ato sexual, dizendo que é pecado. Mas veja que o problema não é o sexo, mas o nosso coração. Imagine que alguém poste este verso no facebook: “Gazela amorosa, corça graciosa; que os seios de sua esposa sempre o fartem de prazer, e sempre o embriaguem os carinho dela” (Pr 5.19). 

Esse verso deveria ser normal. No entanto, por conta do pecado, pode causar em alguns, certo incomodo. Portanto, o problema não está no sexo e nas suas carícias, mas em nosso coração que maculou essa excelente criação de Deus.

Sobre as “compulsões sexuais como Escravidão”, o autor diz que “há dois tipos distintos de escravidão. Assim como na sociedade israelita antiga havia uma diferença entre o escravo nascido em casa e o trabalhador forçado – existem diferenças entre os dois tipos de escravidão. Temos a pessoal que se encontra sob o domínio total, completamente entregue ao direcionamento dos desejos, que não é regenerada e não possui o poder regenerador do Espírito Santo.7 O segundo tipo de escravidão é o trabalhador forçado. Este é o escravo relutante que se tornou um prisioneiro de guerra. O inimigo o capturou, mas ele não é seu cidadão ou filho. A guerra é algo fatigante, e, por vezes, a pessoa que lutou sem sucesso por um grande período de tempo pode se render e tentar negociar uma trégua. Ou então ele foi enganado ou seduzido a fazer um tratado de paz com a poderosa tentação do pecado sexual. Por fim, ele sucumbe ao pensamento “é inútil resistir”.8

b. A diferença entre tentação sexual e escravidão sexual

Há diferença entre ser “tentado” do estar “escravizado”. Todas as pessoas são tentadas. Quando escravos, porém, não temos guarda. Cedemos fácil. Não há mais esforço. Street trata desta diferença. Como podemos lidar com as tentações? Se de fato somos um escravo, em qual nível estamos no servir deste “senhor”? Como vencer isso?

c. O sentimento de escravidão sexual

O sentimento de fraqueza devido a escravidão sexual é a consequência da maldição de Deus sobre o pecado. John Street diz que, Deus deseja que o escravo errante perceba sua escravidão. Quanto mais o homem se entrega à sensualidade e à cobiça, maior é o controle que esse senhor exerce sobre ele. Salomão descreve isso da seguinte forma: “Quanto ao perverso, as suas iniquidades o prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido” (Pv 5.22)9

Precisamos redobrar nosso cuidado em momentos extremos de fadiga, tensão e stress. Por “alívio”, é oferecida como escape a gratificação sexual: “O Espírito é forte, mas a carne é fraca”, disse Jesus aos seus discípulos no momento de maior tristeza e tensão que eles enfrentaram. Há morte em todas as áreas quando o pecado é consumado: 1) a esperança morre (falta de esperança e desespero são comuns entre as pessoas escravizadas sexualmente); 2) a utilidade morre (a auto-gratificação torna a pessoa improdutiva. Uma vez que ela consome mais e mais o talento e a energia da pessoa, sobra pouco para torna-la produtiva; 3) a consciência morre (O pecado corrompe a consciência. Quando a pessoa sexualmente tentada se entrega para aquilo que crê que lhe dará satisfação, ela aceita e acredita em uma mentira. Ela corrompe a mente e sua capacidade de despertar a consciência; 4) relacionamentos morrem (O casamento sofre desde a simples falta de atenção até situações severas de ira, violência e divórcio. Amigos também são afetados, já que o pecado altera o nosso humor); 5) o tempo morre (A cobiça demanda tempo. Exaure as energias do cérebro com imaginações, e como a pessoa que está presa às drogas, gasta-se muita horas acordado planejando e buscando a próxima dose. Esta perda é irrecuperável); 6) os recursos morre (o maior custo do pecado é morte; porém, para consumir o pecado é necessário dinheiro. Isso é comprovado pelos lucros da indústria do sexo. É muito dinheiro pago com pegado); 7) a piedade morre (A devoção pessoal, mesmo que presente, é normalmente árida e sem significado; “tira a finura da vida espiritual”, como diz o pastor Paulo Romeiro); 8) o corpo morre (através das doenças sexualmente transmissíveis).

d. O paradigma para a escravidão sexual

O pecado escraviza progressivamente. Cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e o seduz (Tg 1.14). 

1) Primeiro estágio (o pecado pertence a nossa natureza; porém alimentado pelos desejos depravados internos da carne; seja pelos pensamentos; seja pela experiência. Quanto mais se peca, mais vontade de pecar se terá. A cura se encontra num coração regenerado pelo Espírito. A cura não está no exorcismo; em batalhas espirituais ministradas por alguns lideres do neopentecostalismo. Quebrar  possível maldição hereditária? sem chance! É necessário “nascer da água e do Espírito”. Isso não é esforço nosso, mas graça de Deus. Não há “técnicas” para vencer o pecado; a “Bíblia diz tão somente para andarmos no Espírito para que de modo alguma possamos satisfazer os desejos da carne.

2) Segundo estágio (A cobiça concebe num coração fértil quando ela ganha o consentimento da vontade). Nossos olhos precisam estar treinados; porém, mais importante ainda é ter um coração limpo. Imagens sensuais, por exemplo, são sementes que se alojam em nosso coração quando as cultivamos. À medida que vamos regando essas sementes mais vulneráveis nos tornamos na defesa contra a tentação sexual. O Dr. John Street diz que, “satanás possui milhares de anos de experiência em recorrer aos desejos latentes do coração. Existem desejos corruptos dentro de todo coração, semelhante a um vírus inativo de computador, que através de um pequeno estímulo, pode vir à tona e reprogramar a vida toda do aconselhado” (que luta contra a escravidão sexual).10

3) Terceiro estágio (o coração fecundado com a cobiça, em algum momento, dará à luz os atos visíveis da transgressão). Pecado gera mais pecado. É comparado a uma gestação na qual o ventre da imaginação não pode mais contê-la. “O que o homem semear isso também colherá”, diz a Bíblia. Aquele que está escravizado sexualmente não mensura riscos para satisfazer os seus desejos pecaminosos. Ele assume riscos cada vez maiores, como, por exemplo, ser descoberto – contanto que seu apetite voraz seja satisfeito. Neste estágio, o escravizado, entretanto, não consegue mais se satisfazer com seu cônjuge. Reclama do seu parceiro a despeito das práticas sexuais. Muitos, por isso, vão a busca de outras “aventuras” como masoquismo, sadismo, homossexualismo etc. Street diz que, “quando uma pessoa está escravizada sexualmente pelos seus desejos cobiçosos, suas exigências egoístas denunciam uma agenda voltada para a satisfação pessoal a qualquer custo, mesmo que isso signifique que seu cônjuge seja usado para dar vazão às suas expressões sexuais egoístas”.11

 4) Quarto estágio (O pecado completamente formado resulta em morte). O pecado mata, e é aos poucos. É como o peixe pescado! Quando o pescador apanha o peixe em seu anzol ele primeiro cansa o peixe. Se puxar de uma vez, o peixe escapa. Mas ele cansa-o até quando não houver mais nenhum tipo de resistência; ele apanha o peixe de uma vez por todas. Assim é o pecado. Ele minha o nosso vigor. Chegam a desesperança, inutilidade, consciência cauterizada, relacionamentos rompidos, tempo perdido, recursos desperdiçados, impiedade e corpos adoecidos.

e. A aplicação da teologia no aconselhamento de problemas sexuais.

O autor aborda a forma que devemos pensar a respeito do que Deus diz sobre o padrão que Ele estipulou para o matrimônio. Street nos ajuda a aplicarmos uma teologia bíblica no aconselhamento. O que Deus diz sobre as fantasias pecaminosas? Como o sexo deve ser desfrutado? Qual o relacionamento está sob a bênção de Deus? Jonh Street traz essas respostas a luz das Escrituras.

f. Atingindo o cerne da cobiça

O cerne da cobiça se encontra no coração que guarda diversas fantasias. A pessoa que assim vive nunca está satisfeita nos seus apetites sexuais. Sempre busca novas coisas e novos parceiros. É possível que alguém que se encontre nesse estado consiga obter vitória sobre suas tentações por algum tempo, mas é temporário; enquanto o cerne da cobiça que se encontra enraizado não for cortado, tão logo ele florescerá e dará luz ao pecado.

CAPÍTULO 2 – IMPUREZAS DO CORAÇÃO QUE SE TORNAM DESEJOS COBIÇOSOS

Muitos cristãos genuínos se encontram em dificuldade na área do sexo. Ainda que o ato não seja consumado, o “fato de haver impureza no coração”, já demonstra que há certa dificuldade nesta área. A diferença é que o cristão verdadeiro luta contra isso. Seu desejo é agradar a Deus. Seu prazer está na santificação, entretanto, sua tristeza, em seus fracassos. A diferença do verdadeiro para o falso cristão é esta. O falso não faz questão de pensar no que Deus pensa. Ele não possui o desejo por santificação. É um cristão nominal; o pecado não é acidental na vida dele, mas cotidiano. Vive na prática do pecado. 

Street trata os sentimentos como “autocomiseração”, “autopiedade” e “ressentimento” que desencadeiam em cobiça. Quando a cobiça é gerada o pecado é consumado. O salário disto é a morte.

CAPÍTULO 3 – DESCRIÇÃO DO PANTEÃO DE ÍDOLOS DO CORAÇÃO

a. A ira que Conduz à Fantasia e a Atividades Lascivas

O escravizado sexualmente, geralmente, busca satisfazer sua ira e descontentamento alimentando seus maus pensamentos. Muitos até chegam a se zangar com Deus quando por Ele são repreendidos. A resposta deste descontentamento é materializada através das atividades sexuais. Porém, o Senhor repreende a quem ama (Hb 1211). Citando F.F Bruce, Street, diz: “O homem que aceita a disciplina [privação] vinda de Deus como algo projetado pelo seu Pai celestial para o seu bem, deixa de lado sentimentos de melindre e rebeldia; ele aquietou sua alma, o que, por sua vez, produz terreno fértil para o cultivo de uma vida justa, sensível à vontade de Deus.” 12

Pessoas que se encontram neste estado não suportam ser contrariadas. Possuem uma visão elevada de si mesmas. Este sentimento de revolta, de poder e vanglória desembocam para práticas sexuais ilícitas. Pois o sexo além da satisfação física, pode também alimentar o ego. 

b. A autocomiseração como alimentador do desejos e feitos cobiçosos.

É comum os pensamentos lascivos crescerem quando a autocomiseração reina no coração. Sentir dó de si mesmo é um grande perigo para reparar essa “falta”. A carne grita; o diabo persuade “você merece, vai... não seja tão duro assim consigo mesmo”. A autocomiseração que Street trata é a falta que viermos a ter; é o tipo, por exemplo, do homem solteiro: “ninguém me quer... bem o que posso fazer”! Só me resta contratar uma prostituta ou consumir pornografia para reparar este meu “sofrimento”.  

c. A autogratificação pela dedicação excepcional

John Street diz que a auto-gratificação é uma espécie de recompensa pelas virtudes exercidas. É o caso do homem, por exemplo, que se dedica ao trabalho por períodos prolongados: “Eu mereço”! Quantos pastores caíram neste engodo. Pregam, visitam, ensinam, aconselham; mas levam uma vida dupla para se auto-compensar por sua performance. Não podemos descuidar. Jamais podemos descansar em nosso desempenho. Cristo é o nosso descanso. Viva como se você não merecesse nada! E depois que tiver feito tudo, considere um servo inútil. Essa postura nos manterá seguros e firmados na Palavra de Deus.

d. A lisonja e o elogio que alimentam o desejo sexual.
Qualquer pessoa possui o desejo de ser amada e adorada; mas o cristão que busca aprovação das pessoas se torna presa fácil da lisonja para a pessoa sexualmente atraente. Um coração ferido pela baixa autoestima é o pior inimigo da pessoa escrava do sexo. Por vezes, o sexo é um meio; o fim, no entanto, é o prazer de ser “admirado”. O marketing da indústria do sexo gira em torno da facilidade, entretanto, sem exigência: “Você é lindo, desejado, atraente, poderoso...”. Esse é o “encanto”. Essa proposta tem muito mais aceitação em pessoas que estão feridas em suas emoções em virtude a “reprovação” de outros. As mulheres, por sua vez, também têm suas vulnerabilidades. A busca por afirmação de suas virtudes as coloca nas mãos de lobos devoradores. Com palavras adocicadas e carregadas de elogios – conseguem o seu objetivo quando encontram um coração carente. O autor aborda através dos princípios bíblicos como se proteger desta “carência de elogio”. 
e. O descontentamento como solo fértil para a cobiça sexual

A insatisfação com a vida consiste em expectativas não supridas. Street diz que “a pessoa descontente procura novas emoções e experiências que superarão suas experiências anteriores da vida. Quando você acrescenta cobiça a um coração descontente, você tem a fórmula para todo tipo de experimento e perversão sexual. (...). Isso foi verdade com relação aos homens de Sodoma. Não mais satisfeitos com suas esposas e seus parceiros sexuais dentre de sua própria cidade, eles anelavam por algo novo, neste caso, os anjos que eram hóspedes na casa de Ló.”13. John Street trata do poder do arrependimento neste tipo de situação. Gratidão é ser grato; quem é grato não busca novas aventuras, mas se alegra com o que possui. Seja grato a Deus pelo seu cônjuge.

f. O medo que alimenta o desejo sexual.

O medo busca por reafirmação; ele traz consigo uma série de sentimentos nocivos como perturbação e irritação. É por medo de algo que muitos fazem concessões perigosas. Por medo, a namorada cede sexualmente ao namorado que ameaça em deixa-la. É o calouro na faculdade que se sujeita a uma transa com prostitutas para provar à seus amigos que ele está ali não de brincadeira. O homem faz guerra não porque é corajoso, mas porque tem medo; medo de ser substituído. O medo é um grande vilão na vida daquele que luta contra a escravidão sexual. 

g. O desejo pelo poder ou por controle alimenta a Cobiça sexual

John Street trata do desejo pelo poder ou por controle. Pessoas escravizadas sexualmente são presas fácil de pessoas inescrupulosas que usam sua posição de autoridade para conseguir satisfação de apetites pecaminosos. Homens geralmente se utilizam da sua posição de destaque perante a sociedade para atrair parceiras. Mulheres, no entanto, se utilizam da sedução através de joias e vestimentas. Outros vícios entram neste jogo; álcool, drogas etc. Street faz uma abordagem bíblica do assunto.

h. O desejo pelo conforto alimenta a cobiça sexual

Street diz que “tudo o que apela a centros de prazer somático do cérebro tem o potencial para ser um agente ativador poderoso da cobiça do coração pecaminoso.”14 Todo prazer que substitui Deus é idolatria. Este ídolo é construído através de vários sentimentos do coração. John Street diz que, “isto tem sido verdade para cada um dos oito eixos do Panteão de Ídolos do Coração. Ira, auto-comiseração, temor, descontentamento, lisonja, poder/controle, auto-gratificação e conforto são exemplos comuns de uma variedade de desejos latentes que se manifestam caracteristicamente na escravidão sexual”.15 John Street diz que o trabalho do conselheiro é identificar esses vários desejos da pessoa escravizada ao sexo e conduzi-la à purificação bíblica.

CAPÍTULO 4 – INTERPRETANDO O DESEJO IDÓLATRA

John Street trata em “Interpretando o desejo idólatra” o esforço para entender o que há dentro do aconselhado (escravizado sexualmente) à medida que isso interage com as inúmeras situações de problemas da vida: o que ele está pensando? Como ele racionaliza sua cosmovisão? Quais são as reais motivações dele? O que ele mais ama e o que ele mais detesta? A quem ou o que ele adora? O coração é diferente de tudo. Ele é perspicaz, calculista, e muda constantemente. Muitas vezes é ativamente enganador e se auto-engana, não é inerte. Por isso só seremos libertos da presença do pecado no último estado da salvação, ou seja, na glorificação – quando ressuscitarmos num corpo incorruptível. A carne, o mundo e o diabo por essa questão são os grandes inimigos daquele que está lutando pela purificação. A arma do nosso inimigo consiste no desencorajamento. “Para com isso”; “não adianta tentar”; etc! 

O coração é uma fábrica de ídolos, com disse João Calvino. A reputação é um deles. Homens e mulheres cedem a situações para serem aceitos num determinado grupo de pessoas.  João Calvino expõe a natureza cobiçosa do coração humano quando diz: “Não há ninguém que não nutra dentro de si um tipo de reino”. Calvino enxerga o orgulho e suas expectativas avarentas como a mãe de tudo no coração que se rebela contra Deus. Ela irá mimar e cuidar de todos os pecados sexuais até que eles tenham estabelecido algum tipo de reino no coração. 

John Street também argumenta que “o orgulho cultiva um sentimento de auto merecimento expectante”. Ela alimenta o coração, que ao mesmo tempo está faminto e ferido. Quando está faminto, ele tende a desejar o elogio dos outros (lisonja), mandar-nos outros (controle/poder sobre), desejar a recompensa dos outros (auto-gratificação) e o prazer dos outros (conforto). Sua propensão para o merecimento próprio o torna suscetível a se magoar com facilidade. Portanto, ele desejará algum consolo por causa de sua fúria para com os outros (ira), de fracasso dos outros (auto-comiseração), de medo dos outros (temor), e de familiaridade dos outros (descontentamento). Estes desejos têm o potencial de escravizar uma pessoa a diferentes tipos de pecado, especialmente os pecados cobiçosos do sexo. Calvino indica o ponto de partida para sua cura: “Pois quando as Escrituras nos convidam a deixarmos a preocupação própria, isso não apenas apaga de nossa mente a ânsia de possuir algo, o desejo pelo poder, e o favor do homem, mas também arranca pela raiz a ambição e o desejo por glória humana e inúmeras outras pragas secretas”. O ponto de partida no lidar com um reino de cobiça no coração não envolve Prozac ou encontros de poder, mas o poder das Escrituras.”16

A Bíblia diz que é Deus quem efetua em nós tanto o querer como o realizar. Quando abrimos mão do nosso esforço, pela confiança de que Ele nos dará graça para vencermos essa a luta, o temor e o tremor passam a nos favorecer para que andemos em novidade de vida, atingindo a transformação duradoura e completa. É Deus quem faz! Sem o novo nascimento – nascimento do alto, o homem pode até reconhecer que é um miserável que se encontra escravizado pela cobiça. Ele até pode se esforçar para se livrar desta prisão, porém, uma vez que possui apenas uma natureza terrena e não uma nova natureza, ele se encontra num estado de escravidão permanente.

CAPÍTULO 5 – PURIFICANDO O CORAÇÃO DO DESEJO SEXUAL IMPURO

Neste capítulo, John Street, aborda o modo como muitos têm tratado o pecado sexual. Não se fala mais de pecado, mas trauma. Não é necessário conversão, mas terapia. Creio que o acompanhamento de um psicólogo, em alguns casos específicos, seja importante. Mas o problema é mais complexo. Muitos conseguem, através de terapias, se livrarem da compulsão sexual. Entram como um pecador escravizado, porém saem como um fariseu com justiça própria.

John Strett traz cinco estratégias que ajudará o conselheiro a direcionar o aconselhado sobre como purificar o coração da compulsão sexual:

1. Você precisa ser um discípulo (aprendiz) do evangelho da graça: É necessário que tratemos o pecado com seriedade; porém, a graça deve acompanhar a nossa denuncia. O que nos constrange é o amor de Deus; e o que nos leva ao arrependimento é a sua bondade. É necessário expor que a graça de Deus não consiste somente em perdão, mas em purificação. 

2. Prepare-se para limpar a casa – e não simplesmente dar uma geral: O alvo não é a melhora; é a santidade. Como disse C. S. Lewis: “Experimente a santidade e você nunca mais desejará outra coisa”.  Santidade é amar o que Deus ama e odiar o que Deus odeia. Ser cristão não deixar de fazer as coisas erradas, mas se alegrar em fazer o que agrada a Deus. É se alegrar em Deus em toda e qualquer circunstância. Se não houver de fato uma “limpeza na casa”, jamais chegaremos ao “pleno conhecimento de Deus”. Se não nos “revestirmos do novo homem” não poderemos experimentar a boa, perfeita e agradável vontade do Senhor.

3. Você não pode confiar no catavento dos seus pensamentos: Salomão explica como os sentimentos controlam o pecador sexual. “Quanto ao perverso, as suas iniquidades o prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido” (Pr 5.22). O pecado escraviza. A pessoa que se entrega se torna vulnerável a todo tipo de ataque. Ela já não resiste. Street diz que “crer mais em nossas impressões do que em Deus sempre resultará em problema”.

4. Estar atento para situações de tentação: Não podemos brincar com os nossos impulsos. Nunca se ache forte suficiente para enfrentar uma tentação. Sansão jamais pensaria que pudesse cair nas mãos do seu inimigo. Brincou com o pecado; foi laçado pela sedução persistente de Dalila. Acordou preso e cercado pelos inimigos. Devemos nos afastar de tudo o que nos incite a recorrer a pecados antigos. Quem não quer cair, não anda em lugares escorregadios.  

5. Aprenda a confiar na igreja que ensina a Bíblia: A igreja faz parte da provisão graciosa de Deus para o cristão que está lutando contra o pecado sexual. Uma igreja que leva a sério a Palavra de Deus jamais disciplinará sem o objetivo da restauração. Ela terá, antes de tudo, o temor de Deus em saber que Ele comprou com seu próprio sangue aquela alma que está padecendo em seus vícios.  

CAPÍTULO 6 – O DESEJO SEXUAL E A FAMÍLIA.

A escravidão sexual cobra um preço alto. E infelizmente quem paga por ele é a família. O casamento é afetado. O Dr. Street trata neste capítulo de casos onde pessoas se distanciaram de Deus, do cônjuge e da família para viver suas aventuras. A busca por novidades não têm limites. Não importa o quanto de dinheiro e energia terão quer ser empreendidos para satisfazer a cobiça. A relação íntima com o cônjuge passa a ser mecânica, sem prazer. O escravizado começa a reclamar do seu parceiro dizendo que não mais o satisfaz. 

John Street aborda a A) “Manutenção da pureza do casamento”. Ele diz que permanecer puro no casamento envolve mais do que a fidelidade física. A fidelidade conjugal é uma questão de coração. De que maneira um casal matem singularidade de coração em sua fidelidade a Deus e um ao outro? O que precisa acontecer no matrimônio cristão para que a pureza seja estabelecida e mantida? Street traz cinco diretrizes que a Bíblia diz respeito à sexualidade para o casamento:

1. As Escrituras encorajam o ato sexual dentro de um relacionamento heterossexual monogâmico

O sexo foi criado por Deus para ser desfrutado dentro do casamento; o problema veio com a queda (Gn 3). Tudo o que Deus fez “muito bom” o homem distorceu. Em Cristo, é possível desfrutar deste presente de modo satisfatório conforme ordenado por Deus. A libido, a atração, o desejo pelo cônjuge – são dons de Deus para o casal para que possa haver alegria no ato sexual. Como sempre digo, o seu cônjuge deve ser sua única fonte de prazer; portanto, aproveite! 

2. Aliança matrimonial significa que a atividade sexual não visa uma auto-gratificação, mas a satisfação do cônjuge.

O sexo foi criado por Deus não para satisfação própria, mas do cônjuge. Todas as vezes que a ordem de prioridade é alterada, o egoísmo reina. O pacote do sexo egocêntrico contém traição, masturbação, homossexualismo, lesbianismo, incesto, estupro etc. Muitos problemas no casamento seriam eliminados caso os cônjuges levassem a sério essa admoestação e começassem a buscar avidamente satisfazer seus cônjuges.  

3. O sexo dentro do matrimônio não está livre do desejo pecaminoso caso os cônjuges estejam fazendo uso de suas fantasias idólatras com propósitos de excitação e desempenho. 

Jesus disse que só o fato de cobiçar alguém em no coração tal coisa é considerado um adultério. O ato sexual deve haver entrega não somente de corpo, mas de mente e alma.  

4. A garantia contra a tentação sexual orientada pela cobiça pode ser mantida quando existe uma determinação em se manter relações sexuais recorrentes e ininterruptas no casamento.

A Bíblia recomenda que o sexo seja desfrutado constantemente entre os cônjuges. Não pode haver longos períodos de abstinência (1 Co 7.5). Para o casamento, o sexo não é uma opção, mas mandamento. Negar sexo ao cônjuge é pecado. 

5. O casal precisa ser aberto e honesto sobre seus desejos sexuais.

Um dos piores inimigos na vida sexual do casal é a falta de comunicação. Por vezes, mulheres reprimidas não estão abertas a satisfazer as vontades do seu marido! E maridos “xucros” entendem que as demandas sexuais da esposa são imorais. Infelizmente muitos casamentos estão se findando porque não há diálogo e nem cumplicidade nos desejos legítimos que se pode ter no ato sexual.    

B. A manutenção da pureza enquanto solteiro

Depois da minha conversão, fiquei solteiro por quase dois anos e meio. Eu sei muito bem o quão difícil é abster-se do sexo para honrar a Palavra de Deus. Mas o Senhor me deu graça. A graça de Deus é suficiente. 

A época de solteiro é essencial para que se possa ter um casamento feliz e sexualmente saudável. É neste período que você aprende a se dominar. Seus apetites são santificados. Muitos, viciados na masturbação, por exemplo, se casam pensando que não terão mais problemas com a sua sexualidade. Enganam-se! O casamento resolve por algum tempo; mas se isso não for tratado às coisas tendem a piorar; ou seja, o escravizado buscará prazer em outra fonte que não seja o seu cônjuge e acabará arruinando a sua vida e de todos que estão envolvidos, em certo ponto, com eles. Quando se leva uma vida santa no tempo de solteiro, o Senhor recompensa com um casamento saudável. O sexo já não é mais essencial, mas complemento; por isso ele se torna prazeroso.  

C. A escolha do cônjuge e a cobiça sexual.

Muitos não querem casar por causa da beleza do matrimônio, mas para se arrumar na vida. Outros casam para fugir da tutela dos pais. Outros escolhem o cônjuge segundo os padrões do mundo; outros, no entanto, casam-se por causa de sua baixa-estima ou por medo de ficar sozinhos. Escolhe a primeira pessoa que aparecer com o interesse. John Street diz que esses ídolos (a motivação na escolha do cônjuge) controlam o companheiro para a vida toda. 

D. A educação para os filhos

Street trata neste capítulo a forma como os pais podem falar de sexo com seus filhos. Citando o psicólogo cristão, James Dobson, 10 itens são citados:

           1.      O papel da relação sexual no casamento.
           2.      A anatomia e fisiologia masculina e feminina.
           3.      A gravidez e o processo de nascimento.
           4.      A polução noturna.
           5.      A masturbação.
           6.      A culpa e a fantasia sexual.
           7.      A menstruação.
           8.     A moralidade e a responsabilidade no sexo.
           9.      Doenças venéreas.
        10.  As características sexuais secundárias que resultarão em mudanças glandulares – pêlos pubianos, desenvolvimento sexual geral, aumento de interesse no sexo, etc.

É importante que os pais ensinem seus filhos a conhecerem seu próprio coração. Street passa algumas dicas em como fazer essa abordagem.

CONCLUSÃO

John Street encerra o livro dizendo que “há uma diversidade nos desejos do coração que em alguns momentos tem-se a impressão de que todos se convergem. As questões do coração, como ira, a auto-comiseração, o temor, o descontentamento, o desejo pelo elogio, pelo conforto, pela satisfação própria ou pelo controle das coisas podem existir muito antes de qualquer pecado sexual. Eles normalmente predispõem o coração a ser um terreno fértil para a cobiça e a imoralidade. A Palavra é o que ilumina, dá entendimento e esperança quando aplicada adequadamente pelo conselheiro”.17

No final Street traz um resumo sétuplo que o conselheiro pode trabalhar com pessoas escravizadas sexualmente.  

MEU PARECER

Por mais que fujamos do assunto – por sermos seres caídos – nossos desejos sexuais, até certo ponto, estão em desordem. Imagine se Deus resolvesse projetar em um telão, a vista de todos, nossos pensamentos pecaminosos? Seria uma vergonha! 

Este livro me ajudou a detectar outros pecados que jamais pensaria que pudessem levar à escravidão sexual.  Vi-me na obrigação de passar essas informações a outros. Meu desejo sincero, portanto, é que você possa ser ajudado através da leitura desta resenha (e do livro) e que outros possam ser ajudados por seu intermédio.

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos

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Citações:

1 STREET, D. John. Purificando o coração da idolatria sexual. p. 12
2 IBid, p. 19
3 IBid, p. 22
4 IBid, p. 26
5 IBid, p. 26
6 IBid, p. 28
7 IBid, p. 37
8 IBid, p. 40
9 IBid, p. 46
10 IBid, p. 57
11 IBid, p. 64
12 IBid, p. 116
13 IBid, p. 147
14 IBid, p. 160
15 IBid, p. 165
16 IBid, p. 178
17 IBid, p. 233

Ficha técnica:
Autor: John D. Street
Páginas: 236
Editora: Nutra Publicações
São Paulo – SP; 2009.