domingo, 18 de junho de 2017

JOSÉ, O PAI TERRENO DE JESUS – UM HOMEM DE CARÁTER


Escola Bíblica Dominical – 18 de junho de 2017 | Lição 12
Texto Áureo: Mt 1.24

Verdade prática: José, pai de Jesus, nos deixou um exemplo marcante de um caráter humilde, submisso e amoroso.

Leitura bíblica em classe: Mt 1. 18-25

REFLEXÃO E OBJETIVO DA LIÇÃO: 1) Mostrar alguns aspectos do perfil de José, pai de Jesus; 2) Apontar o caráter exemplar de José; 3) Explicar a nobre missão de José.

INTRODUÇÃO:

a. A Bíblia não traz muitas informações sobre José.

b. O que sabemos, no entanto, é que ele pertencia a família de Davi (Lc 2.4), a linhagem do messias (2 Sm 7. 12,16).

c. A Bíblia declara que José era um home justo e piedoso (Mt 1.19).

d. Além de sua árvore genealógica, os únicos outros aspectos conhecidos na vida de José são o seu casamento com Maria, sua residência e profissão.

e. Não há palavra alguma pronunciada por José registrada na Bíblia; entretanto, sua postura e testemunho tornaram evidentes o que de fato Deus requer de seus servos: caráter, moderação, compaixão e misericórdia.

I. JOSÉ, O PAI DE JESUS

1. Quem era José?

a. José era esposo de Maria.

b. Seu nome só é mencionado nas narrativas sobre o nascimento de Jesus, em Mateus 1 e 2 e Lucas 1 e 2, bem como na árvore genealógica, em Lucas 3.23.

c. José não era rico; morava na Galiléia (periferia comparada a Judéia); e era carpinteiro (profissão não renomada).

d. O fato de José e Maria terem oferecido para o sacrifico duas rolinhas na apresentação de Jesus (Lc 2. 22-24) comprova que ele era pobre (Lv 12.8).

2. Pai adotivo de Jesus,

a. José não era o pai biológico de Jesus, mas adotivo, visto que Jesus foi gerado pela ação do Espírito Santo no ventre de Maria (Lc 1.35).

b. Ele agia como um pai legítimo de Jesus, levando-O a Jerusalém para a purificação (Lc 2. 22) e fugindo com Ele para o Egito, a fim de escapar de Herodes.

c. Como todo pai piedoso do seu tempo, José levava o menino Jesus a Jerusalém em cada ano, por ocasião da páscoa (Lc 2.41).
d. A genealogia de Jesus que Mateus escreve, estilizada, garante o direito legal de Jesus ser Rei conforme dito na Escritura.

e. Lucas registra a genealogia de Jesus, a partir da descendência de Davi:
“A uma virgem desposada com um homem, cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria.” – Lucas 1:27

3. José, um sonhador obediente.

a. Uma notável seqüência de sonhos marcou o papel inicial de José como pai adotivo do Filho de Deus.

b. Sabendo da gravidez de Maria, José decidiu abandoná-la. Inicialmente foi instruído a não divorciar-se de Maria, “porque o que nela fora gerado era do Espírito Santo” (v. 20).

c. Após o nascimento de Jesus, José teve um segundo sonho, no qual foi orientado a pegar Jesus e Maria e ir com ele para o Egito, para protegê-lo de Herodes, o Grande, que planejava matar o messias (Mt 2.13).

d. O terceiro sonho de José, quando estava no Egito, o enviou de volta a Israel, junto com sua família, depois da morte de Herodes.

e. Em seguida, foi instruído num último sonho a se estabelecer em Nazaré e não na Judéia (v.21), o que ele fez (v. 23).

f. Em todos os casos, de acordo com a vontade do Senhor, José agia em total obediência.

SÍNTESE DO TÓPICO I                                                         

José foi escolhido por Deus para ser o pai adotivo de Jesus.

II. O CARÁTER EXEMPLAR DE JOSÉ

1. Um homem obediente.

a. Ao saber da gravidez de Maria, decidiu divorciar-se dela em segredo. Mas 
após o sonho no qual o Senhor dizia para ele receber Maria como esposa, prontamente obedeceu a ordem Divina:

“Ao acordar, José fez o que o anjo do Senhor lhe tinha ordenado e recebeu Maria como sua esposa.” – Mateus 1:24

b. Em meio a tanta confusão que se passava na cabeça de José, mais  sua vulnerabilidade emocional (pois pensava que tinha sido traído), José discerniu que aquele sonho se tratava da orientação de Deus (porém, precisamos tomar cuidado com os sonhos).

“Porque, da muita ocupação vêm os sonhos...”. – Eclesiastes 5:3

c. José, que já havia mostrado que não era rancoroso e vingativo, por ter planejado deixar Maria em segredo – pois a lei ordenava a exposição pública da pessoa pega em adultério (Dt 22. 23,24; 24.1).

d. De acordo com os costumes judaicos, Maria estava ligada a José como uma esposa, embora eles não tivessem relações sexuais. O noivado representava uma ligação legal. A descoberta que Maria estava grávida dava a José uma base para romper o contrato de casamento e recuperar o preço que ele já havia pago pela noiva. Muitos homens, ao descobrir a noiva grávida, teriam exigido a exposição pública, não apenas para silenciar qualquer mexerico sobre ele, mas também para recuperar o seu dinheiro.

e. José, embora pudesse ter se sentido traído, tinha Maria em alta consideração, e fez uma escolha completamente diferente. De acordo com a lei, ele poderia ter dado uma carta de divórcio a Maria, sem nenhum julgamento público, mas também teria que devolver qualquer dote que tivesse recebido, como multa.

 f. Ao receber a direção de Deus, José abraçou Maria, e a acolheu, decidindo seguir com o matrimonio.

2. Um homem temperante.

a. José foi viril segundo Deus; era um homem que sabia respeitar sua namorada.

b. Ele era temente a Deus e esperou não somente o matrimonio para poder ter relação com Maria, conforme dizia a lei (Dt 22. 23,24), mas também o nascimento de Jesus, para cumprir toda a vontade de Deus (Mt 1.25).

c. Aquele casal é um grande exemplo para todos os solteiros que é possível sim manter a santidade no relacionamento, para que o sexo possa ser desfrutado de acordo com as regras d’Aquele que entregou este belo presente aos homens: “O amor tudo espera” (1 Co 13.7).

SÍNTESE DO TÓPICO II

José foi um homem de caráter exemplar.

III. A NOBRE MISSÃO DE JOSÉ

1. Assegurar a ascendência real de Jesus.

a. José era descendente da tribo de Judá, de onde viria o Messias (Lc 3. 23-38). Apocalipse diz que Jesus é o “Leão da Tribo de Judá” (Ap 5.5).

b. Embora nenhuma menção seja feita sobre a linhagem de Maria, é possível que ela tenha vindo da mesma linhagem, especialmente se, conforme parece provável, a genealogia de Cristo, no terceiro capítulo de Lucas, deva ser traçado através de Sua mãe.

c. Alguns teólogos alegam que esta linhagem dupla foi necessária devido à maldição imposta a Jeoiaquim, o último rei da casa de Davi, em Judá, no início do exílio na Babilônia (Jr 22.30). Se esta sentença foi interpretada no sentido futuro, que “nenhuma da sua linguagem prosperará, para se assentar no trono de Davi, ou reinar de novo em Judá” (v. 30), ambas as genealogias são essenciais. A árvore genealógica de Mateus ainda provaria o direito legal de Jesus ao trono de Davi, embora, devido à alternativa de Davi [por meio de outro filho, Natã; Lc 3.31), vista na genealogia apresentada por Lucas.

2. Proteger Jesus em seus primeiros anos.

Alguns fatos relevantes sobre a vida de Jesus comprovam o amor e o zelo de José pelo menino que não era seu filho biológico, mas filho de Maria pela intervenção divina.

a.  Nascimento de Jesus.

I. Tudo indica que José foi quem tenha realizou o parto; a Bíblia diz que “não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2.7). Maria envolveu o bebê em panos e o colocou na manjedoura, porém, ao que indica, foi José que fez o procedimento exigente na hora do parto.

II. Outra coisa que favorece a idéia de que o casal estava só é o fato de que os pastores encontraram somente “Maria, e José, e o menino deitado na manjedoura” (Lc 2.17).

III. O texto de Lucas é claro ao dizer que o anjo que apareceu aos pastores, disse que “o Salvador havia nascido hoje” (Lc 2.11); e que logo que os anjos se retiraram, os pastores “saíram com toda pressa” e acharam o “menino deitado” junto de seus pais (Lc. 2. 12-17).

IV. O comentário Bíblico Vida Nova, p. 1481, diz que, embora uma antiga tradição cristã sugira que a criança nasceu em caverna, Lucas parece descrever o local como parte de uma hospedaria (ou de uma casa) onde os animais eram guardados.

b.  Nas cerimônias exigidas pela lei.

I. José era obediente as leis do estado e a lei de Deus; no decreto de César Augusto, ele foi se alistar para o senso; participava do rito da purificação (Lc 2.22); e observava a páscoa (Lc 2.41).

II. Jesus, como havia de ser, cumpriu “toda a justiça” desde cedo; não aprouve a Deus, portanto, escolher para Jesus um pai rico, mas justo.

c.  Na fuga para o Egito.
I. Diante da ameaça de Herodes, de matar o menino Jesus, Deus determinou 
que José tomasse Maria e o menino, e fugissem para o Egito, até que o rei homicida tivesse morrido.

II. Por quase 500 quilômetros de viagem, em meio a estradas desertas, com risco de assalto e intempéries, José conduziu a esposa e seu filho para um lugar seguro. E de lá só voltou por revelação de Deus, quando o homicida tinha morrido, e foi morar em Nazaré (Mt 2. 13-23).

3. O zelo pela formação espiritual de Jesus.

a. Levando-se em conta que José em nenhum aspecto é considerado um líder entre o povo de Deus, ele demonstra ser uma das figuras mais piedosas mostradas nas Escrituras.

b. Do que se sabe sobre ele, José obedecia em tudo o Senhor. Era também um marido exemplar, que protegeu Maria mesmo sob suspeita de traição.

c. José foi um exemplo de pai, que se fez presente na vida do filho; pois em todo instante cuidou de Jesus e de Maria, observado com cuidado tudo aquilo que manda a Escritura.

SÍNTESE DO TÓPICO III

José recebeu de Deus a nobre missão de ser o pai adotivo de Jesus.

CONCLUSÃO

1. José, antes de ser o “pai” de Jesus, isto é, do Messias que ele mesmo aguardava, era um servo piedoso de Deus.

2. Maria tinha um justo dentro de casa; assim como José tinha uma mulher piedosa no seu convívio; estes atributos devem nos trazer orgulho (no bom sentido) ao olharmos para a vida de nosso cônjuge, ou seja, “eu tenho um justo (a) dentro de casa”.

3. Sem palavra alguma, mas através de uma vida obediente e piedosa, José deve ser mais um exemplo do que é servir o Senhor cujo objetivo final é a glória de Deus.

Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICT – J - dia 18/06/2017

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Bibliografias:

Escola Bíblica dominical. O Caráter do Cristão. 2º trimestre de 2017; CPAD; lição 12.
O Novo Dicionário da Bíblia, Vol 1 e 2. São Paulo, SP; Edições Vida Nova, 1984
Quem é quem na Bíblia Sagrada. Editado por Paul Gardner. Editora Vida Acadêmica. São Paulo, SP
CARSON, D.A & FRANCE R.T & WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. Editora Vida Nova, 2009. São Paulo, SP
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do NT. Editora CPAD, 2014. Rio de Janeiro, RJ

domingo, 11 de junho de 2017

URIAS, O JUSTO INJUSTIÇADO!


Por Fabio Campos

Texto base: “E mandou Davi indagar quem era aquela mulher; e disseram: Porventura não é esta Bate-Seba, filha de Eliã, mulher de Urias, o heteu? Então enviou Davi mensageiros, e mandou trazê-la; e ela veio, e ele se deitou com ela...”. – 2 Samuel 11: 3,4 (AFC)


Quando me perguntam qual o meu herói favorito no Antigo Testamento – para surpresa de muitos – digo que é Urias, o heteu. Urias foi mais um dos justos injustiçado neste mundo de cão. A tragédia se torna ainda mais dramática pelo fato da crueldade ter sido praticada não pelas mãos do ímpio, mas de um justo, o rei Davi.

Urias é meu referencial não por causa da habilidade com a espada, mas por seu caráter e por sua hombridade. Ele era viril segundo os padrões de Deus. O “mano” foi valoroso frente a “molecagem” de Davi.

Urias significa “minha luz é Yahweh”; o herói da nossa reflexão, com efeito, fez valer o significado.

Urias era estrangeiro, heteu, que pertencia ao seleto grupo dos heróis de Davi (2 Sm 23.39; 1 Cr 11.41); residia em Jerusalém, vizinho do palácio real (pois sua casa era possível de ser avistada do palácio [2 Sm 11.2]).

Tanto o seu nome como a sua conduta sugerem que ele havia abraçado a religião hebraica (2 Sm 11.11). O hitita lutava sob as ordens de Joabe, comandante das tropas de Davi. Certa vez, quando Urias estava na guerra, o rei encontrava no terraço do palácio e, ao olhar para baixo, viu Bate-Seba, esposa do soldado, banhando-se. Davi desejou-a ardentemente, mandou trazê-la e engravidou-a (1 Sm 11. 1-5). O rei ordenou que Urias retornasse a Jerusalém, na esperança de que dormisse com a esposa e lhe evitasse assim a situação embaraçosa.

Ao chegar da guerra a mando do rei, Urias recebe a ordem de Davi que fosse para casa descansar e dormir com sua esposa. Urias, sem falar nada, saiu da presença do rei e, o invés de ir para o conforto do seu lar e deliciar-se com os carinhos de sua esposa, preferiu dormir à porta do palácio real.

Urias recusou tal privilégio que seus companheiros de exército não teriam. Sua preocupação era com a Arca e com o povo de Israel. As investidas de Davi para fazer com que ele dormisse com Bate-Seba não deram certo. Mesmo embriagando-o, o valente Urias honrou sua convicção: novamente dormiu com os servos.

Exasperado, Davi o enviou de volta à frente da batalha, com uma recomendação ao comandante Joabe para colocar Urias na linha de frente no cerco à cidade de Rabá, o que acarretou na sua morte. O rei Davi, então, toma Bate-Seba para ser sua esposa. O que parecia ser louvável a todo Israel (ainda ninguém sabia o que de fato havia acontecido), cheirava mal perante o Senhor Deus (2 Sm 11.27).

Urias foi apagado pelo homem, mas elogiado por Deus.

Com efeito, a disciplina e fidelidade de Urias são dignas de ser imitadas por todo aquele que verdadeiramente leva Deus a sério. Quanta virtude há neste homem que morreu sem saber da trama que foi levantada contra ele.

Sem promover a fidelidade aos seus camaradas de guerra, Urias não esperou “sentir de Deus” para entender que naquela ocasião, ainda que fosse lícito, não convinha dormir com sua esposa. A fé de Urias não era pautada em emoções ou em expectativas de triunfos, mas em princípios: “Pela tua vida, e pela vida da tua alma, não farei tal coisa” (2 Sm 11:11).

A voz da consciência de Urias falou mais alto que a ordem do rei: “Porém Urias se deitou à porta da casa real” (2 Sm 11.9a). Ele se abdicou do prestígio daquele privilégio e preferiu dormir com os servos de Davi: [pernoitou] “com todos os servos do seu senhor; e não desceu à sua casa” (2 Sm 11.9).

Urias, como um bom soldado, era disciplinado e rigoroso consigo mesmo. Ele sabia que o seu chamado era o de proteger Israel. Diferente de Davi, Urias sabia que sua espada seria enfraquecida caso cedesse aos desejos do seu coração: “... mais vale controlar o seu espírito do que conquistar uma cidade” (Pr 16.32).

O heteu era obediente (v.12); porém fazia apenas aquilo que era correto. Mesmo sob influência do vinho, Urias foi mais disciplinado e leal do que Davi, que estava sóbrio (v. 13).

O hitita é o tipo de gente que podemos confiar o tempo todo. Você poderia deixar, por exemplo, sua esposa a sós com ele sem nenhuma preocupação de haver dele algum galanteio. Não havia suspeita na vida deste guerreiro. Era o tipo de servo que não vasculhava a gaveta do seu patrão. Sem abrir o envelope entregue por Davi direcionado a Joabe, Urias levou sua própria sentença de morte (14-15).

Urias não tinha medo de nada exceto de Deus. Sem retrucar ou pedir explicações, sabendo do perigo de morte por ser o “linha de frente” na batalha, obedeceu ao seu comandando; porém, desobedeceu ao rei quando ordenou que dormisse com sua esposa.

Quanta virtude! Cadê os homens deste quilate?

Joabe não viu com bons olhos a orientação de Davi mas obedeceu ao rei (v.25). Colocou Urias na linha de frente e, no calor da batalha, conforme planejado, Urias foi morto.

Aparentemente o plano de Davi foi bem sucedido. Com indiferença, recebeu a notícia da morte do heteu: “Não fique preocupado com isso, pois a espada não escolhe a quem devorar” (2 Sm 11.25). Bate-Seba, porém, chorou a morte de seu marido.

O desejo descontrolado de Davi e sua pervertida atitude destruiu a família de Urias. Com isto, o rei trouxe desgraça sobre Israel e sobre sua família. Quanta desgraça por causa de um simples olhar onde por tudo começou.

Quando tudo estava sob o controle do rei, após alguns meses, Deus resolve tratar com Davi e honrar a memória de Urias. O profeta Natã é enviado ao rei para repreendê-lo. Com uma história contada na pessoa de um terceiro, o rei sem saber que este homem mal se tratava dele mesmo, cravou sua própria sentença:

“Então, Davi encheu-se de ira contra o homem e disse a Natã: "Juro pelo nome do Senhor que o homem que fez isso merece a morte! Deverá pagar quatro vezes o preço da cordeira, porquanto agiu sem misericórdia. “Então Natã disse a Davi: "Você é esse homem!” – 2 Samuel 12:5-7

Davi sofreu graves conseqüências por causa do seu pecado.

Desde então a família do rei viveu em guerra; seus filhos se deitaram com as concubinas do próprio Davi; houve muita contenda entre seus filhos, e um estupro por meio do incesto entre os irmãos Amnon e Tamar, filhos do rei. Deus, porém, perdoou Davi por haver ele confessado o seu pecado publicamente (ver salmo 51).

Infelizmente o mundo é atraído pelo carisma, e não pelo caráter. Urias não foi uma personagem de destaque nas Escrituras, mas não tenho dúvida que Deus o considera um herói.

A maior tentação dos cristãos não é o desânimo dos fracassos, mas o anseio pelo sucesso. É aqui que todos aqueles que se deixam levar comem nas mãos do diabo (Mt 4.8).  O sucesso pode nos dar privilégios – como tinha o rei Davi – porém facilita a possibilidade de adquirir também aquilo que não nos pertence. Como disse Charles Haddon Spurgeon, considerado o príncipe dos pregadores: “Com muito mais frequência o cristão envergonha sua fé na prosperidade do que na adversidade."

Que Deus nos guie e nos livre não somente do mal, mas de não sermos o agente do mal na vida de alguém.


Em Cristo Jesus, considere este artigo e arrazoe isto em seu coração.

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos

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Bibliografias:

O Novo Dicionário da Bíblia, Vol 1 e 2. São Paulo, SP; Edições Vida Nova, 1984
Quem é quem na Bíblia Sagrada. Editado por Paul Gardner. Editora Vida Acadêmica. São Paulo, SP




terça-feira, 6 de junho de 2017

EVANGÉLICOS ADORADORES DE BAAL


Por Fabio Campos

Texto base: “Então pegaram o novilho que lhes foi dado e o prepararam. E clamaram pelo nome de Baal desde a manhã até o meio-dia. "Ó Baal, responde-nos!”, gritavam. E dançavam em volta do altar que haviam feito. Mas não houve nenhuma resposta; ninguém respondeu.” – 1 Reis 18:26 (NVI)


Alguns evangélicos estão servindo e adorando um “deus” diferente do Pai de Senhor Jesus Cristo. Votos, ritos e sacrifícios são realizados na expectativa de que por Deus serão ouvidos.

O evangelicalismo brasileiro (não todo ele) está em maus lençóis. Com zelo, porém, sem entendimento, estão prestando culto a um “deus desconhecido” convencidos de estarem adorando ao Deus da Bíblia. Com efeito, Jesus foi moldado a própria imagem e semelhança deste pessoal; como disse Blaise Pascal: “Deus fez o homem a sua imagem e semelhança, e o homem devolveu a gentileza”.

É exatamente isto o que tem acontecido na maioria das igrejas evangélicas, principalmente nas neopentecostais. Mudaram os atributos de Deus; na ignorância, fizeram para si um deus pequeno, do tamanho deles, que depende de ordens e decretos dos bispos, apóstolos e pastores que se auto-intitularam “ungidos do Senhor”; um deus pagão parecido com Baal, onde “atos proféticos” precisam ser realizados para que ele possa manifestar. Não se trata do Senhor, mas de um ídolo criado de acordo com as suas cobiças. Bem diferente do Deus pregado por Jesus.

Baal era basicamente um deus do clima e, desse modo, responsável pelas colheitas. Os ritos dedicados a esta divindade eram realizados de forma frenéticos, pois, entendiam que, quanto mais barulho e êxtase (um tipo de reteté 1), maior eram as chances de obter êxito para suas petições.

Israel vivia um tempo de seca que durara aproximadamente três anos. O rei Acabe e sua esposa Jezabel, levou o povo a adorar e confiar em Baal. Elias, profeta de Yahweh, lançou um desafio aos quatrocentos e cinquenta profetas que servia este ídolo. Aquele que respondesse com fogo do céu, consumindo o sacrifício ali posto, deveria ser reconhecido como único Deus verdadeiro (1 Rs 18. 1-40).

A Bíblia diz que, os quatrocentos e cinquenta profetas preparam o sacrifício, oraram desde a manhã até o meio dia. Eles GRITAVAM: “Ó Baal, responde às nossas orações!”. Também dançavam em volta do altar que haviam feito. Porém, não houve resposta.

O profeta Elias, por sua vez, começou a caçoar deles, dizendo que orassem mais alto, pois poderia ser que Baal estivesse meditando ou que tivesse ido ao banheiro; ou que talvez estivesse dormindo.

Quando chegou sua vez de orar – antes de qualquer outra coisa – Elias fez o que o Senhor requer de seus servos: “consertou o altar do Senhor Deus, que estava derrubado”. Como bem disse Hermas, pastor do século II: “Cuidemos para não buscar experiências místicas quando o que deveríamos estar buscando é arrependimento e conversão”.

Com uma oração curta – que segundo comentaristas, durou aproximadamente dez segundos – Elias pediu a Deus que mostrasse àquele povo que o Senhor de fato era o Único, e que ele, Elias, era verdadeiro profeta.

Deus respondeu Elias.

Após a curta oração, o fogo consumiu o sacrifício. Vendo aquilo, o povo se ajoelhou e encostou o rosto no chão, orando: “Só o Senhor é Deus! Só o Senhor é Deus!”

Hoje, de igual modo, o paganismo de Baal está na crença (pois não posso chamar isto de fé) de alguns líderes religiosos, que exigem dos fiéis sacrifícios extremos (seja físicos ou financeiros), dizendo que, somente assim, terão a atenção de Deus.

Se o pedido não for atendido, “dobre a oferta!”; se a sua vida não está prosperando, “faça um ritual de quebra de maldição!”; se porventura você não está conseguindo largar os vícios, “participe das reuniões de cura e libertação e de grande renuncia!”2 Deste modo, Deus poderá fazer algo por você – dizem eles. Isto é paganismo travestido de cristianismo.

O cristianismo consiste principalmente, não naquilo que fazemos para Deus, mas no que Deus faz por nós – as coisas maravilhosas e grandiosas que Deus concebeu e conquistou para nós em Cristo Jesus 3.

Uma igreja fascinada por sucesso e poder é presa fácil do Diabo. As pessoas desta comunidade serão facilmente persuadidas a colocarem sua confiança nas obras e em suas “experiências místicas”. O anseio por estimulantes suplica por experiências que mexem com o estado de espírito. O culto racional, conforme ensinado pela Bíblia (Rm 12. 1-2), não será mais suficiente. As conseqüências serão trágicas; o efeito será o mesmo produzido pelas drogas; dependência por novos estímulos em busca de satisfação.

Precisamos ter cuidado com isto.

Procure uma pessoa verdadeiramente contemplativa – não aquela que ouve vozes angelicais e tem visões poderosas de querubins, mas a que baixa a guarda para se encontrar com Deus.4

Qualquer pessoa que esteja verdadeiramente faminta por Cristo – que estiver disposta a abandonar as cobiças da carne – logo rejeitará a mensagem propagada por estes religiosos midiáticos através do rádio e da televisão.

Isto não é evangelho; a alma do homem só poderá encontrar saciedade, e o coração repouso, se de fato Cristo estiver presente. Este pessoal, todavia, por não terem Cristo como fonte de satisfação, buscam, insaciavelmente, poder e riqueza.

Ao contrário de Buda, Maomé e dos fundadores de outras religiões mundiais, Jesus nos convida não apenas a crermos nos seus ensinos, mas a colocar toda a nossa fé n’Ele.5 Aqui consiste a pureza do evangelho e o escândalo da Cruz: toda soberba, principalmente religiosa, isto é – ego, controle, justiça própria, espiritualidade indulgente, ausência de liberdade – deve jazer no Calvário.

Por fim, os profetas de Baal dançaram, gritaram, se mutilaram; tudo para que pudessem ser ouvidos naquele momento de crise. O Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus deseja, entretanto, que o amemos e nos sintamos amados mesmo que a vida não esteja em ordem ou que as coisas nas quais nos apoiamos não estejam no lugar certo.

Isto é cristianismo! Isto é fé!
O resto é crença e paganismo!

Que Deus, por Sua misericórdia, possa reconduzir esta “igreja desviada” do caminho da simplicidade devida a Cristo.


Em Cristo Jesus, considere este artigo e arrazoe isto em seu coração.


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos

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1 Manifestação física praticada durante cultos ligados a algumas igrejas pentecostais e neopentecostais.
2 Uma oração (que mais se parece com um mantra) onde as pessoas (principalmente novos convertidos) devem recitar e declarar ao mundo espiritual a renúncia dos pecados cometidos e suas conseqüências, invalidando assim, a suposta legalidade que o Diabo tenha sobre a vida de alguém. Geralmente é feito por preletores de batalha espiritual.
3 MANNING, Brennan. O impostor que vive em mim. São Paulo, SP; Mundo Cristão, 2007, p. 185.
4 Ibid, p.22.
5 MANNING, Brennan. A assinatura de Jesus. São Paulo, SP; Mundo Cristão, 2006, p. 21