domingo, 15 de outubro de 2017

A ESCALA DA PERFEIÇÃO


Walter Hilton 1

Não se surpreenda com o fato de que a consciência da graça é ocasionalmente retirada de quem ama a Deus, pois a Sagrada Escritura diz do esposo: “Busquei-o e não o achei; chamei-o, e ele não respondeu”. Isto é, quando recaio na minha fraqueza natural, a graça é retirada; se ela é retirada, a causa é a minha falha, não o fato de ele ter-se afastado de mim. Mas a ausência faz-me sentir a minha miséria. Procuro-o com grande desejo no coração, e ele não me dá resposta que eu possa reconhecer. Então grito com toda a alma: Volta outra vez, meu amado. No entanto, é como se ele não me ouvisse. A dolorosa consciência de mim mesmo, os ataques do amor sensato e do medo, e minha carência de força espiritual constituem de certo modo um clamor contínuo da minha alma a Deus. E, no entanto, ele se torna um estranho por um tempo e, por mais que eu grite, ele não aparece. A razão é que ele tem certeza sobre o seu amante; ele sabe que não voltará outra vez inteiramente ao amor do mundo porque não sente gosto nisso, e assim ele se mantém distante.

Mas no fim, a seu tempo e hora, ele volta, cheio de graça verdade, e visita a minha alma que está lânguida de desejo e suspira apaixonada pela sua presença.

Bem-aventurada é a alma que sempre se nutre da experiência do amor quando ele está presente, e é sustentada pelo desejo dele quando ele está ausente. Sábio e bem orientado é o amor a Deus que se mantém sóbrio e reverente na presença dele, que o contempla com amor sem nenhuma leviandade descuidada, e fica paciente e tranqüilo na sua ausência sem nenhum pernicioso desespero e dolorosa amargura.


Texto extraído do livro: “A Biblioteca de C. S. Lewis”; BELL, James S. & DAWSON, Anthony; Ed. Mundo Cristão. P. 152.
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1 WALTER HILTON: Um dos escritores preferidos de C. S. Lewis, Walter Hilton (1340-1396) foi um místico inglês, cônego regular agostiniano. Ordenando ao sacerdócio após ter se formado em teologia em Paris, pregou o caminho da introspecção, Lectio divina. Sua obra principal foi “A escala da perfeição”. Para aqueles que apreciam a mística medieval cristã (não esotérica), os escritos de Walter Hilton (como foi para Lewis) são fontes de grande deleite para uma a alma ansiosa por Deus. 


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quinta-feira, 12 de outubro de 2017

IGREJA É LUGAR DE GENTE DOENTE

Por Fabio Campos


Muito dos nossos problemas fraternais dentro das igrejas seriam mais facilmente resolvidos se soubéssemos (não romanticamente) que igreja é lugar de gente doente.

Alguém pode indagar e repudiar o título deste artigo, pois vende o evangelho do mesmo modo como a Brahma vende suas cervejas: sol, praia e bastante gente bonita e sarada.

Se você aderiu o evangelho por conta de uma propaganda parecida com esta, por favor, entre em contato com o PROCON celestial, pois o que foi vendido para você não se trata do evangelho de Cristo, mas do “evangelho” dos homens – criado conforme os seus desejos e cobiças. O Evangelho não veio chamar sãos, mas doentes: “Jesus lhes respondeu: ‘Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes’” (Lc 5.31).

Grande parte das pessoas que rejeitam a mensagem da cruz, como, por exemplo, a grande mídia, leva uma vida de fazer inveja até mesmo o mais piedoso samaritano. São prósperos; não tem problemas; possui um corpo saudável. Não passam por ferrenhas tribulações e nem são afligidos como os demais homens. É ou não é de fazer inveja?

A teologia da prosperidade, por sua vez, adotou este estereótipo e o “cristianizou” dizendo que o homem bem-aventurado é aquele que possui todas essas coisas (basta assistir aos testemunhos de vitórias contados por seus adeptos). Mas o que eles dizem ser bênção (o amor e a ambição por todas essas coisas), a Bíblia chama de iniquidade e estrada para o inferno (Sl 73. 3-12).

Pois bem, voltando para a realidade do verdadeiro evangelho.

Igreja é lugar de gente doente e com vários problemas. Como eu sei disto? Eu faço parte dela e sou um deles. Quando fiz um auto-exame sincero do meu próprio coração, esta verdade se tornou tão clara como o sol do meio dia: tudo veio à luz. Como disse C. S. Lewis, encontrei em mim mesmo um bestiário de luxurias, um hospício de ambições, um canteiro de medos, um harém de ódios mimados. Malditos homens e mulheres que somos!!!

Ao perceber que meu diagnóstico era um caso irreversível, imediatamente fui procurar, depois de buscar outros, o médico que poderia reverter a situação (e ao chegar lá descobri que ele havia me procurado primeiro). Do pior, Ele me curou; mas ainda estou (e sempre estarei) em tratamento.

Outros moribundos, porém, estão aguardando o remédio fazer efeito. O fato é que todos não estão, mas são doentes. No meu pior estágio – aqueles que já se encontravam melhores – tiveram paciência e cuidaram de mim. Ou seja, sendo Jesus o médico, a igreja o hospital – os membros são os doentes que cuidam um dos outros (isso exige muita paciência, principalmente com as falhas agudas).

Agora há algo que sempre me inquietou: por que será que a igreja é o lugar que mais tememos de ter as nossas doenças expostas? Não estamos falando de um hospital? Por lá, há alguém são, que nunca pecou?

Eu acho muito patético (para não dizer maligno) como nós nos apartamos da simplicidade devida a Cristo e idealizamos a igreja uma SMART FIT, lugar de gente forte e saudável. É importante salientar que, mesmo nas academias, há pessoas pobres, feias e gordinhas (eu sou a prova viva disto... risos...).  

Infelizmente, há uma neurose triunfalista (e o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás em cima, e não debaixo... blá... blá... blá...) no meio de grande parte das comunidades evangélicas. Mostram apenas os músculos espirituais, mas mudam de papo quando o assunto é o próprio coração que está adoecido, quando se trata de sua alma enferma.

Jesus não construiu uma academia; Jesus preferiu edificar um hospital. O médico não cuida (do ponto de vista espiritual) de gente bombada, marombada, mas de raquíticos e magrelos. Ele conhece todas as nossas mazelas. Cristo usa justamente aqueles que não são sábios e nem poderosos segundo o critério humano.

Sabe aquele irmãozinho meio estranho, que sempre fica na marginalidade ministerial; sim, aquele que é taxado por todos de excêntrico, que não se veste com roupas de marcas e que nem usa perfume ou desodorante? Do ponto de vista do homem natural (e de crentes carnais) ele seja insignificante, mas Deus o escolheu para reduzir a nada aqueles que pensam que são alguma coisa.

Portanto, pessoas doentes carecem de atenção e paciência. A igreja é lugar de gente doente. Talvez você já tenha sido curado das piores lepras, mas ainda sim é um doente em tratamento. Alguém que foi tirado da UTI para cuidar dos que ainda por lá estão. Afinal, amanhã eu e você poderemos estar na maca expirando cuidados (1 Co 10.12), e a medida com que tivermos medido nos medirão igualmente a nós.

Há, todavia, uma doença que não é encontrada nos corredores deste hospital.

A submissão ao tratamento evidencia a cura da pior das lepras, o orgulho (outros ainda poderão estar por lá, mas o pior já foi removido). O orgulho, que infectou a todos, se espalhou por toda a terra. O principal órgão que ele atacou foi o entendimento dos incrédulos, ao ponto de cometerem a tolice de rejeitar tratamento julgando eles ser sãos.

Com efeito, na igreja há muitas doenças, mas fora dela tem a pior de todas, e sem o especialista na área o diagnostico é incurável. Você vai morrer doente pensando que é são.

Igreja é lugar de gente doente; o mundo é lugar de gente morta.


Em Cristo Jesus, considere esta reflexão e arrazoe isto em seu coração.

 Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
“A folha branca é o meu púlpito principal.”

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sábado, 7 de outubro de 2017

A SALVAÇÃO NA PÁSCOA JUDAICA

Escola Bíblica Dominical – 8 de outubro de 2017 | Lição 2

Texto Áureo: Êx 6.6

Verdade prática: A libertação do povo israelita vislumbrava um plano divino maior: libertar e salvar a humanidade.

Leitura bíblica em classe: Êxodo 12.21-24, 29

REFLEXÃO E OBJETIVO DA LIÇÃO:

I- Mostrar como se deu a instituição da Páscoa;
II- Explicar a importância e o significado do cordeiro da Páscoa;
III- Tratar a respeito da relevância e do significado do sangue do cordeiro na Páscoa.

INTRODUÇÃO:

a. Essa antiga festa que acontece na primavera está associada ao episódio histórico da saída de Israel do Egito. Êxodo 12.13 é explicado etimologicamente: “passando sobre” as casas dos hebreus que exibiam o sinal do sangue, quando o Senhor feriu a terra do Egito. O sangue do cordeiro morto no décimo quarto dia do primeiro mês deveria ser colocado sobre a verga da porta e em ambas as ombreiras, para proteger os primogênitos dos hebreus (Êx 12.15ss.).

b. O Senhor institui esta festa justamente para trazer à memória do povo o modo pelo qual Ele os salvou e misericordialmente (pois o Senhor escutou o clamor dos israelitas) os livrou da opressão e sofrimento causado pelos egípcios.

c. Hoje não celebramos uma festa, mas uma Pessoa, pois “Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (1 Co 5.7).

I. A INSTITUIÇÃO DA PÁSCOA

1. O livramento nacional.

a. Para o povo de Israel, a Páscoa representa o que o dia da independência significa para um país colonizado por uma metrópole. Mais ainda, essa magna celebração significa a verdadeira libertação experimentada por uma nação, expressada pela liberdade espiritual do povo para servir ao Deus Criador (Êx 12.1-13,16).

b. São acontecimentos anunciados desde o princípio do mundo, desde A história bíblica é escrita com um propósito, e o propósito é atestar os atos graciosos de Deus. Israel compreende sua liberdade como um milagre operado por YHWH que, com “poderosa mão e com braço estendido” levou seu povo para fora do Egito (Dt 26.8).

c. Ainda que o livramento de Deus para com o povo no Egito tenha o aspecto físico – opressão e sofrimento – o propósito de Deus em libertar o seu povo foi com um fim totalmente espiritual:

“Agora, deixe-nos fazer uma caminhada de três dias, adentrando o deserto, para oferecermos sacrifícios ao Senhor nosso Deus.” – Êxodo 3:18

2. A libertação da escravidão.

a.  Os israelitas habitaram por aproximadamente 430 anos no Egito (Êx 12.40). Na maior parte desse tempo, eles experimentaram a dominação, a escravidão e a humilhação. Ser escravo no Antigo Oriente era estar sob a dependência política, econômica e social de outra nação. A religião a ser professada pelo povo escravo era a da nação dominadora, logo, não havia dignidade nacional para a escrava.

b. As Para os profetas, o Êxodo é um fato central na história de Israel. Israel conhece YHWH principalmente como aquele que tirou seu povo da escravidão do Egito, e o guiou pelo deserto lhe dando estatutos e ordenanças (Ez 20.9-11). Ezequiel parece associar a instituição do sábado à história da redenção do Egito (20.12), e a “lascívia e... prostituição” de Israel é uma triste herança trazida da casa da escravidão (23.27).

“Assim darei um basta à lascívia e à prostituição que você começou no Egito. Você deixará de olhar com desejo para essas coisas e não se lembrará mais do Egito.” – Ezequiel 23:27

c. Deus livrou o seu povo da opressão e sofrimento, escutando o clamor dos israelitas; porém, o Egito (e suas delícias) ainda estava dentro deles; a maior obra ainda estava por vir, isto é, através da Nova Aliança feita por intermédio de Cristo, o Cordeiro de Deus, que tira o nosso coração de pedra e nos dá um coração de carne, onde toda a lei agora é escrita no mais íntimo de nosso ser.

3. A nova celebração judaica.

a. Na noite em que libertou o seu povo do Egito, o Senhor ordenou que celebrasse o dia da apressada fuga; foi-lhes ordenado que comecem o seu cordeiro pascal com pão não levedado:

“... cinco no lugar, sandálias nos pés e cajado na mão. Comam apressadamente.” – Êxodo 12.11

b. Deus ia matar os primogênitos homens de todos os egípcios naquela noite, e se esperava que os judeus estivessem preparados para sair imediatamente.

c. Não lhes foi permitido comer nada fermentado, nem ter fermento em suas casas (Êx 12. 19,20), pois o processo de fermentação tomava tempo, e a ocasião exigia pressa.

SÍNTESE DO TÓPICO I   
                                                      
A Páscoa foi instituída por Deus.

II. O CORDEIRO DA PÁSCOA

1. O cordeiro no Antigo Testamento.

a. No Antigo Testamento, o cordeiro constituía parte fundamental dos sacrifícios oferecidos para remissão dos pecados. Ele foi introduzido na cultura dos israelitas quando Deus libertou o seu povo, conforme nos relata Êxodo 12.3-10.

b. O cordeiro a ser sacrificado deveria ser macho, sem defeito e com um ano de idade (Êx 12.5)

c. Tudo isto apontava para Jesus, o Nosso Cordeiro pascal.

d. Antes da polêmica dos comentaristas judaicos contra os cristãos, que os levou a procurarem outra explicação, o cordeiro em Is 53 era identificado com o Messias como servo de Deus. Esta identificação de Jesus, o Messias, com o Cordeiro de Deus era algo certo para João Batista (Jo 1.20, 23, 29):

 “(Jo 1.20) Ele confessou e não negou; declarou abertamente: "Não sou o Cristo". (Jo 1.23) João respondeu com as palavras do profeta Isaías: "Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Façam um caminho reto para o Senhor’. (Jo 1.29) No dia seguinte João viu Jesus aproximando-se e disse: "Vejam! É o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”

e. As palavras ditas por João Batista não foram frutos de seu próprio entendimento, mas das Escrituras que ele conhecia muito bem:

“Ele foi oprimido e afligido, contudo não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca.” – Isaías 53:7 (NVI)

2. Jesus, o verdadeiro Cordeiro pascal.

a. A páscoa cristã é o memorial de como Deus substituiu os sacrifícios temporários por um único e definitivo. Nesse aspecto, o cordeiro do Antigo Testamento era sombra do apresentado no Novo, "morto desde a fundação do mundo" (Ap 13.8).

b. A páscoa é uma festa judaica; nós, cristãos, não podemos assisti-la como fazem os judeus. Tudo isto, o ritualismo do Antigo Testamento são sombras do que já veio, o Cordeiro de Deus que tirou o pecado de uma vez por todas (Hb 9.26).


“Mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus.” – Hebreus 10:12

c. Deus nos purificou e nos fez dignos de "assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus" (Ef 2.6). Agora, uma vez em Cristo, somos santificados, justificados e perdoados (Rm 5.1,2; 8.1).

SÍNTESE DO TÓPICO II

O cordeiro da Páscoa apontava para Jesus, o Cordeiro Deus.

III - O SANGUE DO CORDEIRO

1. O significado do sangue.

a. A primeira abordagem da Bíblia acerca dos sacrifícios está no livro de Gênesis (Gn 3.21; 4.1-7). O sacrifício de animais era uma forma de lidar com os problemas do pecado, quando este destruiu a paz entre Deus e a humanidade (Is 59.2). O sacrifício era oferecido para expiação dos pecados do transgressor, em que este era perdoado e, mediante essa expiação, tinha a sua relação com Deus restabelecida.

b. Devido à importância que tem para a manutenção da existência, o termo era usado com freqüência como sinônimo de vida. No AT a palavra ocorre 362 vezes, das quais 203 indicam morte violenta e 103 sangue de sacrifício.

c. O texto mais direto nesse sentido (Lv 17.11) anuncia que “a vida da carne está no sangue” e que a expiação é feita por meio de sangue “em virtude da vida”. O maior símbolo, e principal elemento desse ritual, era o sangue do animal sacrificado.

d. Os ritos sacrificiais apontavam consistentemente para a gravidade do pecado, e o derramamento de sangue nos sacrifícios foi prescrito como um ato aceitável de substituição do sangue do pecador, e um ato de expiação por meio do qual esse pecador tem sua comunhão com Deus restaurada.

e. As passagens em que o sangue de Cristo é mencionado (i.e. Cl 1.20) apontam claramente a morte de Cristo. A justificação alcançada pelo sangue de Cristo (Rm 5.9) é comparado à declaração que menciona a reconciliação do pecador com Deus “mediante a morte do seu Filho” e a salvação “pela sua vida” (Rm 5.10).

2. O sangue do cordeiro pascal.

a. Antes do advento da última praga sobre os egípcios, Deus ordenou aos judeus que preparassem um cordeiro para cada família (Êx 12.3). A orientação era a seguinte: após matarem o cordeiro, os israelitas deveriam passar o sangue da vítima nas ombreiras e no umbral da porta de suas casas (Êx 12.7). Isso serviria de sinal para que quando o Senhor passasse e ferisse os primogênitos do Egito, conservasse a vida dos israelitas intacta (Êx 12.13).

b. Por esta razão, a páscoa judaica não é uma festa cristã; apenas prenunciou a vinda do Messias.

c. Isso se comprova pelo fato de que as antigas leis tiveram que ser modificadas. Os cultos centralizados em Jerusalém dificultaram algumas práticas.

d. A mancha de sangue nos umbrais da porta deveria ser completada com o borrifar do sangue no altar (cp. 2Cr 30.16; 35.11). A regra de comer o cordeiro na casa foi, de acordo com o Talmude, modificada para as casas em Jerusalém apenas (cp. Pes 9.12; mas cp. Jub 49.20).

e. O sangue de Jesus Cristo, o verdadeiro Cordeiro, nos protege da morte eterna. A libertação do Egito e o estabelecimento na terra de Israel são considerados como o selo da lealdade de YHWH para com as promessas da aliança (cp. Mq 6.3s.). O tema da Páscoa como a festa da libertação é transportado para o NT.

f. Tal como o sangue do cordeiro pascal que livrou o povo da morte, assim também o sangue de Jesus nos livra da morte espiritual e da condenação eterna.

3. O sangue da Nova Aliança.

a. A atividade messiânica de Jesus alcança seu clímax nos eventos de sua Última Páscoa. De acordo com João, a crucificação aconteceu no primeiro dia da “Páscoa” (usado aqui aparentemente como uma designação da Festa dos Pães Asmos).

b. Em o Novo Testamento, ao celebrar a Páscoa na última ceia, Jesus afirmou que o seu sangue era o símbolo da Nova Aliança (Lc 22.14-20); era o real cordeiro, bem como o verdadeiro sacerdote, sendo o sacrifício e o oficiante ao mesmo tempo. Por essa razão, o livro de Hebreus afirma que Cristo é o mediador da Nova Aliança e, mediante seu sangue, redime de modo efetivo ao que crê (Hb 12.24).

c. Jesus inseriu um novo elemento na celebração da páscoa, o vinho.

d. Não havia vinho especificado para a festa da páscoa. Ao instituir a refeição da Nova Aliança, Jesus incluiu especificicamente o vinho.

e. O fato curioso é que Jesus deu ênfase justamente no vinho, ou seja, no cálice: “É a nova aliança no meu sangue”. Ele não disse isso do pão. A aliança é no sangue, no cálice.

f. Desse modo Cristo fez da Igreja um povo de verdadeiros sacerdotes com autoridade e legitimidade para partilhar da intimidade com Deus, para interceder uns pelos outros e anunciar as boas novas dessa Nova Aliança (1Pe 2.9).

SÍNTESE DO TÓPICO III

O sangue do cordeiro pascal apontava para o sacrifício perfeito do Cordeiro de Deus.

CONCLUSÃO

1. A páscoa representa para os:
®    EGÍPCIOS – O juízo divino sobre o Egito.
®    ISRAELITAS – A saída do Egito, a passagem para a liberdade.
®    CRISTÃOS – A passagem da morte dos nossos pecados para a vida de santidade em Cristo.

2. Jesus é a nossa páscoa; não celebramos uma festa, pois, n’Ele a vida já é uma festa; não há mais separação; não há mais condenação. Estamos em paz com Deus para a eternidade.


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICT – J - dia 08/10/2017

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Bibliografias:

Escola Bíblica dominical. A obra da salvação. 4º trimestre de 2017; CPAD; lição 02.
TENNEY, Merrill C. Enciclopédia da Bíblia. São Paulo, SP; Cultura Cristã.
MCDURMON, Joel. O que Jesus beberia? Editora Monergismo, 2012. Brasília, DF.