quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

A SUPERIORIDADE DE JESUS EM RELAÇÃO A MOISÉS

Escola Bíblica Dominical – 21 janeiro de 2018 | Lição 3

Texto Áureo: Hb 3.3

1. Os judeus entendiam que ninguém era maior do que Moises; o autor de Hebreus teve a sensibilidade de, ao invés de dizer que Jesus é o Criador de Moisés (talvez soasse uma nova doutrina politeísta), ele preferiu ensinar essa verdade ilustrando com a casa e o seu construtor.

2. Por analogia, o autor diz que Deus é o arquiteto e Jesus é o construtor da casa de Deus; Moisés é servo nesta casa, enquanto que Cristo, Senhor.
Verdade prática: Cristo em tudo foi superior a Moisés na Casa de Deus, pois enquanto o legislador hebreu foi um mordomo, o Salvador foi o dono.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Hb 3. 1-19

REFLEXÃO E OBJETIVO DA LIÇÃO:

I. Apresentar a superioridade da vocação, da missão e da mediação de Jesus em relação a Moisés;

II. Exprimir a autoridade maior de Jesus em relação a Moisés;

III. Esclarecer a superioridade do discurso de Jesus em relação ao de Moisés.

INTRODUÇÃO:

a. O autor dá início ao capítulo três fazendo um contraste entre Moisés e Cristo. Ele estava consciente da grande estima que seus compatriotas tinham pela figura do grande legislador hebreu, Moisés. Em nenhum momento desse contraste o autor deprecia a pessoa de Moisés, mas sempre o coloca como um homem fiel a Deus na execução de sua obra. Entretanto, mesmo tendo assumido a grande missão de conduzir o povo rumo à Terra Prometida, Moisés não poderia se equiparar a Jesus, o Autor da nossa fé. O contraste entre Moisés e Cristo é bem definido: Moisés é visto como um administrador da casa, Jesus como Edificador; Moisés é retratado como servo, Jesus como Filho; Moisés foi enviado em uma missão terrena, Jesus numa missão celestial, eterna.

b. Moisés foi fiel ao seu chamado. Deus honrou sua fidelidade: falou com ele face a face (Dt 33.11) e Ele próprio o sepultou (Dt 34.6).

c. Jesus, porém, não foi um servo da casa de Deus, mas o fundador dela; família que o próprio Moisés pertence.

d. Moisés falou a acerca de Cristo, dizendo que no futuro o povo deveria ouvi-Lo (Ler Dt 18.15; citado em At 3.22 na pregação do apóstolo Pedro e em At 7.37 por Estevão).

l - UMA TAREFA SUPERIOR

1. Uma vocação superior.

a. O autor introduz a seção vv.1-6 tomando como ponto de partida o que havia dito anteriormente — Jesus era o autor e mediador da nossa salvação (Hb 2.14-18). Tomando por base esse conhecimento, seus leitores, a quem ele chama afetuosamente de irmãos santos, deveriam ficar atentos ao que seria dito agora (Hb 3.1). Eles não eram apenas um povo nómade pelo deserto escaldante à procura da Terra Prometida, mas herdeiros de uma vocação celestial.

b. A menção a um chamado “celestial” teria atraído os pensadores judeus que se dedicavam à filosofia, como Filo (que tentava conciliar o conteúdo bíblico à tradição filosófica ocidental) qual considerava a realidade terrena apenas sombra da realidade celestial.

c. Eles deveriam se lembrar de quem os fez aptos e idôneos dessa vocação. Nesse aspecto, os leitores de Hebreus não deveriam ter dúvida alguma de que Jesus, como Aquele que os conduzia ao destino eterno, era em tudo superior a Moisés, a quem coube a missão de conduzir o povo à Canaã terrena.

d. Jesus não só é o Criador, mas o sustentador de todas as coisas; nós somos supridos n”Ele. Moisés estava sob a responsabilidade de conduzir o povo até a terra prometida; mas ele mesmo não entrou.

e. Jesus, pela mesma maneira, já nos aperfeiçoou (legalmente) e continua aperfeiçoando-nos (ontologicamente) para chegarmos até a terra prometida celestial.

f. Porém não será como no tempo de Moisés, pois Jesus que começou a boa obra em nós e a aperfeiçoará até aquele dia, onde nos encontraremos com Ele e O veremos face a face.

2. Uma missão superior.

a.  O autor pela primeira vez usa a palavra apóstolo em relação a Jesus (Hb 3.1). A palavra apóstolo se refere a alguém que é comissionado como um representante autorizado. Não havia dúvida de que Moisés havia sido um enviado de Deus em uma missão, todavia, ele não foi o "apóstolo da grande salvação". A missão de Moisés foi tirar o povo de dentro do Egito e conduzi-lo à Terra Prometida, mas a missão de Jesus é a de conduzir a Igreja à Canaã celestial).

b. Deus designou-o para ser apóstolo e sumo sacerdote e esperou dele a execução fiel de sua tarefa, o que Jesus cumpriu.

c. A obra que Jesus foi designado por Deus para fazer não terminou quando sua tarefa terrena foi concluída, mas continua nos céus (por isso o livro de Hebreus é chamado o de QUINTO evangelho).

d. Jesus continua a ser fiel em seu trabalho sumo sacerdotal de intercessão e em preparar um lugar para seu povo (Jo 14.3).

e. A missão mosaica era daqui, a Canaã terrena; a missão de Jesus possuía uma vocação celestial. Cristo não foi apenas um enviado em uma missão, mas acima de tudo, o apóstolo da nossa confissão, alguém com autoridade na missão de nos conduzir ao destino eterno.

f. Ele permanece fiel em amor e em aperfeiçoar a igreja da qual ele é o cabeça. Paulo afirma isso de modo eloqüente: “No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor” (Ef 2.21).

3. Uma mediação superior.

a. Depois de afirmar que Jesus era "o apóstolo", o autor também diz que Ele é o "sumo sacerdote da nossa confissão". Jesus era superior a Moisés, não apenas em relação à missão, mas também em relação à função que exercia. O autor fará um contraste mais detalhado entre o sacerdócio de Cristo e o araônico mais adiante, mas aqui os crentes deveriam ter em mente que a mediação de Jesus era em tudo superior ao sistema mosaico e levítico.

b. É interessante observar que a palavra apóstolo aparece primeiro nesse versículo, embora nós esperássemos a expressão sumo sacerdote, por causa de seu uso em Hebreus 2.17.

c. Alguns autores samaritanos viam Moisés como um apóstolo, e alguns autores judeus viam o sumo sacerdote assim também, ainda que raras vezes.

d. O autor de Hebreus considera Jesus como um “Apóstolo”; Moisés não era sumo sacerdote; o autor de Hebreus, porém, trata a questão da perspectiva que os seus leitores tinham do Antigo Testamento.

e. Filo, por exemplo, considerava Moisés um tipo de Sumo Sacerdote, mas o Antigo Testamento e a maior parte do judaísmo reconheciam que Arão preenchia esse papel.

f. A palavra "confissão" traduz o termo original homoiogia, que tem o sentido primeiro de "concordância". Quando confessamos Jesus como Salvador, concordamos que Ele em tudo tem a primazia. Ele é o Senhor. Ele é maior do que tudo e do que todos; Ele, e somente Ele, é a razão do nosso viver.

g. Aqueles irmãos hebreus confessaram a Cristo como Senhor, mas por causa da perseguição estavam se esfriando.

h. Confissão, aqui, carrega dois significados:

1) Lealdade: ato voluntário àquele a quem confessava; e 2) formalidade de um voto, de um acordo legal.

i. Ou seja, negar esta confissão traria conseqüências legais conforme o autor de Hebreus descreve nos capítulos seguintes.

SÍNTESE DO TÓPICO I       
                                                  
Em relação a Moisés, a carta de Hebreus apresenta o Senhor Jesus com uma vocação superior, uma missão superior e uma mediação superior.

II - UMA AUTORIDADE SUPERIOR

1. Construtor, não apenas administrador.

a. O autor destaca que tanto Moisés como Jesus foram fiéis na "casa de Deus" (Hb 3.2). Eles foram fiéis na missão que lhes foram confiada. Isso mostra o apreço que o autor possuía pelo legislador hebreu. Todavia, ao se referir a Jesus, o autor usa a palavra grega aksioô, traduzida como "digno", "valor", "mérito". Duas coisas precisam ser destacadas no uso desse vocábulo pelo autor. Primeiramente ele quer mostrar que o mérito de Jesus era maior do que o de Moisés. Nosso Senhor era o construtor do edifício, da casa de Deus, e não apenas o mordomo, como fora Moisés. Os crentes precisavam enxergar isso e, assim, valorizarem mais a sua salvação. Por outro lado, ao usar o pretérito perfeito (tempo verbal grego), ele demonstra que a glória de Moisés era desvanecente, enquanto a de Jesus era permanente.

b. O autor da carta, ao dizer que “Moisés foi fiel em toda a casa de Deus”, elabora um Midrash de Números 12. 7,8, expondo o texto bem conhecido sem citá-lo.

c. Nessa passagem, Deus honra Moisés acima de Arão e Miriã, afirmando que ele era maior que um profeta comum observando que “ele foi fiel em toda a minha casa”.

d. Jesus, porém, é esse tipo especial de profeta “como Moisés”, além do qual não havia outros (Dt 18. 15-18).

e. Paralelismo com Nn 12. 7,8:

Jesus foi fiel a Deus que o designou
Moisés foi fiel a Deus em toda a sua casa.

f.  O paralelismo adquire significado quando nós interpretamos a palavra casa não literalmente, mas de modo figurado. O termo casa é um sinônimo para a família de Deus. Moisés ministrou fielmente à igreja de Deus no deserto durante a jornada dos quarenta anos. Então qual é a diferença entre Jesus e Moisés? Essa pergunta é respondida no versículo seguinte (v3):

 “Jesus foi considerado digno de maior glória do que Moisés, da mesma forma que o construtor de uma casa tem mais honra do que a própria casa.” – Hebreus 3:3 (NVI)

2. O perigo de ver, mas não crer.

a. "[...] E viram, por quarenta anos, as minhas obras" (Hb 3.9). Erra quem pensa que só acredita quem vê. Parece que quem muito vê, menos acredita. Acaba ficando acostumado com o sobrenatural. Para algumas pessoas o sobrenatural se "naturaliza". É exatamente isso que aconteceu no deserto e era especificamente isso que acontecera com a comunidade dos primeiros leitores de Hebreus. Tanto Moisés como Jesus foram poderosos em obras, mas isso não era suficiente para segurar os crentes.

b. O escritor Philip Yancey, a respeito desta busca desenfreada (e sem critérios) por sinais e milagres, em seu livro “Decepcionados com Deus”, disse:

“Será que uma erupção de milagres sustentaria a fé? Provavelmente não; pelo menos, não sustentaria o tipo de fé em que Deus parece estar interessado. Os israelitas são uma grande demonstração de que os sinais só conseguem nos tornar viciados em sinais, não em Deus.” (Mundo Cristão, p. 49)

c. É preocupante quando o cristão se acostuma com o sobrenatural e nada mais parece impactá-lo ou sensibilizá-lo.

3. O perigo de começar, mas não terminar.

a. "Estes sempre erram em seu coração e não conheceram os meus caminhos" (Hb 3.10b). Com essas palavras o autor mostra o perigo de começar, mas não chegar; de andar, mas se desviar. Alguns do antigo povo de Deus haviam começado bem, mas terminado mal. Muitos caíram pelo caminho, desistiram da estrada. O mesmo risco estava ocorrendo com os cristãos neotestamentários — haviam começado bem, mas corriam o risco de caírem e perderem a fé.

b. O autor cita Salmos 95. 7-11, um texto que depois ficou conhecido por seu uso regular na liturgia da sinagoga (uma espécie de advertência), mas ele já seria conhecido por muitos judeus do século 1 que recitavam os salmos.

c. O autor está trazendo um exemplo negativo de seus ancestrais, o motivo (rebelião) pelo qual não puderam entrar no descanso de Deus.

d. Há um debate entre os mestres judeus acerca da salvação destas pessoas que não entraram na terra prometida. Esses rabinos acreditavam que o povo de Deus poderia fazer expiação por seus pecados nesta era mediante o sofrimento.

e. Entretanto, as palavras do salmista se parecem com o decreto de rejeição, sem ofertar o privilégio da salvação segundo critérios étnicos; portanto, o autor de Hebreus argumenta, com razão, que eles não entraram no mundo vindouro.

f. Esse alerta é para nós hoje! Como está a tua fé?

SÍNTESE DO TÓPICO II

Hebreus destaca o Senhor Jesus como o construtor da Nova Aliança; o Filho amado de Deus; o ministro excelente da Igreja de Deus.

III - UM DISCURSO SUPERIOR

1. O perigo de ouvir, mas não atender.

a. Seguindo a redação da Septuaginta (tradução grega da Bíblia Hebraica), o autor cita o Salmo 95.7-11 para trazer uma série de advertências. Se o povo de Deus no Antigo Pacto precisou ser exortado, maior exortação precisava os que tinham maiores promessas. Primeiramente havia o perigo de ouvir e não atender (Hb 3.7,8). No passado, o povo de Deus tinha ouvido a mensagem divina; entendido, mas não atendido! O mesmo erro estava se repetindo. O Espírito Santo, falando profeticamente pela boca do salmista, advertia os o leitores para que seus corações não se endurecessem. É um apelo atual, porque o povo de Deus muitas vezes demonstra ser tardio para ouvir.

b. Nós já vimos sobre como o povo endureceu o seu coração na peregrinação no deserto.

c. Precisamos tomar cuidado para não fazermos o mesmo; principalmente em momentos em que privações e testes chegam até nós. Não podemos reclamar do maná diário, pois é através dele que seremos sustentados para chegarmos à terra prometida, que emana leite e mel.

d. A incredulidade, já dizia Agostinho, é a raiz de todos os pecados. Pecamos (todos nós) porque não acreditamos nas promessas e nos juízos de Deus.

e. Duvidar de Deus em qualquer coisa desenvolve um coração de incredulidade perverso.

NOTA: Nos tópicos 2 e 3 da lição III, a revista traz outro assunto; certamente foi um erro de formatação; por essa razão, omiti estes dois pontos.

SÍNTESE DO TÓPICO III

A mensagem de Cristo faz alguns alertas: o perigo de ouvir, mas não atender ao apelo; o perigo de ver, mas não crer na revelação; o perigo de começar, mas não terminar a jornada.

CONCLUSÃO

1. A palavra de Deus em nenhum lugar rebaixa Moisés naquilo que ele verdadeiramente ele foi; a questão, contudo, é que, todo aquele que é comparado com Jesus Cristo terá tido por criatura; Jesus é Criador.

2. Outra questão, a Lei não foi rejeitada ou substituída pela graça; a Lei foi cumprida para que (tanto crentes do AT como do NT) fosse salvos pela graça de Deus por meio de Jesus Cristo.

3. Moisés (lei) deu honra a Jesus; Elias (profetas) deu honra a Cristo; o Pai deu honra ao Filho, quando, na presença da Lei e dos Profetas, disse: “A Ele (isto é, Jesus) escutai!”


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICT – J - dia 21/01/2018

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Bibliografias:

Escola Bíblica dominical. A Supremacia de Cristo. 1º trimestre de 2018; CPAD; lição 3.
KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia. Editora Vida Nova, 1° edição 2017
WARREN, W. Wiersbe. Comentário Bíblico NT. Santo André, SP; Central Gospel, 2009.
HENDRIKSEN, William & KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento de Hebreus NT. São Paulo, SP; Cultura Cristã, 2003.
CHAMPLIN, Norman R. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo - SP Editora Hagnos, 2002.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

MINHAS PRINCIPAIS LEITURAS DE 2017


Caros amigos e irmãos,

Como de costume, ao começo de cada ano, publico um texto onde compartilho e indico as principais leituras que fiz no ano anterior. A ordem da lista não está atrelada a preferências.


Segue as indicações de 2017:


1) D. Martyn Llod-Jones, Cartas 1919 – 1981; Seleção e Anotações por Iain H. Murray; Ed. PES

O dr. Martyn Llod-Jones quase não escreveu; no entanto, são muitas as obras dele publicadas. Acontece que, seus sermões como também palestras – eram transcritos. No caso de Cartas (1919 – 1981), há algo interessante: os escritos saíram da própria pena do doutor. Com a elegância que lhe é peculiar, Llod-Jones se corresponde com várias pessoas. Ele envia cartas a pregadores, pastores e professores – passando-lhes instruções e alertando-os sobre os perigos das heresias que ameaçavam a igreja na época. Consolou pessoas que perderam seus entes queridos; escreveu para sua comunidade; se comunicou com sua mãe. Quando o doutor Llod-Jones precisava se ausentar de casa por algumas semanas, ele escrevia para sua esposa e seus filhos. Essa obra mostra o lado pessoal de Martyn Llod-Jones; aqui não vemos somente o brilhante pregador que ele foi, mas o exemplo de pai, marido, filho, irmão e amigo. O livro foi relançado pela Shedd Publicações. 

2) Cultivando a Santidade; J. C. Ryle e Joel Beeke; Ed. Os Puritanos

O livreto traz parte de escritos e pregações de J. C. Ryle (pastor Anglicano do século IXX) e Joel Beeke. Os autores são de épocas diferentes (Dr. Beeke é nosso contemporâneo), mas, a visão deles a respeito do assunto é a mesma.  Estes dois servos de Deus apelam a todo cristão sincero que busque e cultive a santidade. O assunto (santidade) é tratado da perspectiva bíblica; e não conforme o padrão austero e pagão imposto nas igrejas neopentecostais. Publiquei em meu blog a Distinção entre Justificação e Santificação, uma parte que se encontra na obra. Há coisas que lemos para informar a nossa mente; essa obra, porém, além de alimentar a minha alma, me ajudou a relembrar que sem santidade ninguém verá ao Senhor. 

3) Sola Scriptura, A Doutrina Reformada das Escrituras; Paulo Anglada; Ed. Knox

Comemoramos com júbilo, em 2017, os 500 anos da reforma protestante. Talvez, dentre os cinco pilares, isto é, os 5 Solas, Sola Scriptura (somente as Escrituras) foi o alicerce para todos os outros solas, lembrados pelos reformadores. Nesta obra, Paulo Anglada traz a história que a igreja trilhou rumo a proposta bíblica: a Escritura, com efeito, está acima da tradição, dos credos, das confissões, dos catecismos, das experiências, da liturgia e etc.

4) A Soberania de Deus na Salvação; Jonathan Edwards; Ed. PES

Trata-se de um livreto onde Edwards (talvez o mais brilhante dos puritanos) aborda temas relacionados a Soberania de Deus na Salvação. Com efeito, o livro defende a visão soteriológica calvinista; entretanto, caso você seja, por exemplo, um arminiano, não deixe o seu preconceito impedir que sua alma seja abençoada por meio de outros pontos citados por Edwards. Eu diria o mesmo aos calvinistas, acerca dos escritos de John Wesley, que tendo uma visão soteriológica diferente do calvinismo, certamente os abençoará; ainda que o seu tratado seja uma refutação da própria convicção pessoal dos calvinistas. Leia de tudo e retenha o que é bom.

 5) Vida de Oração; Teresa de Ávila; Editado por James M. Houston; Ed. Palavra (Os clássicos da espiritualidade cristã)

Teresa de Ávila foi uma distinta serva de Deus que viveu no século XVI. Foi considerada a doutora da igreja católica. No entanto, Teresa é muito apreciada por grande parte dos protestantes (visto o editor do livro); Teresa de Ávila também foi uma das escritoras preferidas de C. S. Lewis. Foi por meio dele que tive o meu primeiro contato com Ávila, quando li “As Moradas do Castelo Interior” (É Realizações). No caso da obra em questão, Teresa compartilha seus fracassos e dificuldades na oração. A partir do desafio proposto, ela se auto-disciplina para poder ter êxito na prática da oração. O livro aborda os 1) princípios básicos para uma vida de oração, 2) a oração como fé e fervor por Deus somente, 3) a vida de oração sendo como um jardim. Ela também faz referencias a sua principal obra, conforme já citei, e traz o Castelo Interior parte 1,2 e 3. A obra se encerra trazendo as (benéficas) conseqüências práticas de uma vida de oração. Que obra, meus irmãos, é de tirar o fôlego.  

6) Uma Confissão; Liev Tolstói; Ed. Mundo Cristão

Liev Tosltói narra sua crise existencial até chegar ao cristianismo. Após questionar o sentido da vida (pois ele desfrutava de fama, prestígio e bens materiais), Tolstói é atacado por sentimentos suicidas. Sua auto-análise o levou ao repouso de suas inquietações, quando as palavras de Cristo penetram em seu coração. Trata-se de uma auto-biografia que narra suas angústias e o dissipar delas com a descoberta do Filho de Deus.

7) Como ler livros; Mortimer J. Adler & Charles Van Doren; Ed. É Realizações

Como Ler livros é um clássico originalmente publicado em 1940. Essa leitura eu havia determinado que a fizesse como a primeira do ano; o que ler? como ler? Ler para se informar e ler para entender. Os autores abordam quatro níveis de leituras: 1) leitura elementar; 2) leitura inspecional; 3) leitura analítica; 4) leitura sintópica. É abordado também como devemos ler os livros práticos, os livros de literatura imaginativa; como devemos ler livros de histórias; de ciências e matemáticas; como ler livros de filosofia e teologia; como ler obras de ciências sociais. No final, os autores recomendam os clássicos em que o leitor – que quiser se aperfeiçoar na leitura inteligente – deve se espelhar. 

8) O Desejo de Toda Mulher; Stephen Arterburn & Fred Stoeker; Ed. Mundo Cristão

O livro “Desejo de toda mulher” é um guia para homens sobre como conquistar o coração delas, isto é, de suas esposas. Para aqueles que desejarem, publiquei um vídeo no perfil do meu facebook, trazendo mais detalhes acerca da obra. Eu super recomendo; pelo menos aqui em casa me ajudou bastante... Risos... Pena que o livro está esgotado, talvez você o encontre nos sebo ou no Mercado livre.

9) Um vislumbre de Jesus; Brennan Manning; Ed. Palavra

Manning é um dos meus autores preferidos. Não me lembro de ter passado um ano sem ter lido ao menos uma de suas obras. Em “Um vislumbro de Jesus”, Brennan trabalha o ódio que temos de si mesmo; como isso afeta a nossa relação com Deus e com o nosso próximo. Como encontrar essa cura? Qual o roteiro? Nós temos um bondoso Senhor que, acima de tudo, abomina esse ódio incutido em nós contra nós. O fato de ser aceito no Amado (Jesus), o acesso que temos ao trono, a cruz que nos reconciliou com Deus e a compaixão que o Senhor tem para conosco – são os caminhos nos quais devemos ancorar a nossa esperança; assim seremos libertos do mal constantemente produzido em nós, por nós e, contra nós mesmos. 

10) C. S. Lewis, o mais relutante dos convertidos; David Downing; Ed. Vida

Essa obra foi uma das mais fantásticas que li em 2017. Há algo peculiar aqui: o livro narra a história da conversão de Lewis; diz respeito a viagem que ele fez do ateísmo ao cristianismo. Você não vai encontrar muitos detalhes acerca da sua biografia pessoal. O autor mostra a construção intelectual de Lewis rumo a fé cristã. Como o mais “relutante convertido da Inglaterra” se ajoelhou aos pés da cruz e se rendeu ao Rei dos reis e Senhor dos senhores? Pode colocar na sua lista como prioridade se você ainda não o tenha lido.

11) Surpreendido pela Alegria; C. S. Lewis; Ed. Ultimato

Essa era a obra que faltava na minha lista de livros já lidos. Como um grande admirador de C. S. Lewis, ao ouvir sobre Surpreendido pela Alegria, automaticamente me vinha a cobrança: “Você precisa ler esta obra”. Lewis narra sua auto-biografia. Ele confessa suas pousadas antes de chegar a sua casa, i.e., o cristianismo; uma dessas pousadas foi o espiritismo (influencia de uma de suas professoras). Ele fala de sua infância; como as coisas eram antes do falecimento da sua mãe e como tudo se tornara cinza e escuro após a morte dela. Lewis também diz acerca do relacionamento com seu irmão; como eles vivam no campo de concentração e nas escolas que seu pai, de animo dobre, os colocava. As dificuldades desde cedo na vida C. S Lewis fez dele um dos maiores gênios da história cristã e secular. Como ele mesmo disse: “Dificuldade preparam pessoas simples para destinos extraordinários”. 

12) O que Jesus beberia?; Joel McDurmon; Ed. Monergismo

O álcool ainda é um grande tabu no meio cristão; gera polemica e opiniões diversas. A questão, porém, é saber o que a Bíblia diz? O cristão pode consumir bebida alcoólica, como, por exemplo, vinho, cerveja, destilado? Com muita maestria e fundamento, MacDurmon traz esta resposta; para alguns, a bebida é consumida para a glória de Deus; para outros, porém, ainda que seja licito, é maldição. Como podemos respeitar, então, aquele que Deus deu a liberdade de desfrutar de um cálice; daquele que, mais sensível, se escandaliza quando “flagra” um irmão comprando bebida no mercado? Pois é, a obra aborda todas essas questões. Se Jesus fosse fisicamente jantar na sua casa – junto da refeição – o que você daria de beber ao Mestre? Coca-Cola? Leia o livro e descubra como o paganismo (através de seitas) demonizou o álcool. Você sabia que os mulçumanos não bebem vinho? Eles dizem que é pecado. Os neopentecostais (e parte do pentecostalismo) abominam o consumo do álcool, porém sempre estão embriagados pelo poder e embaraçado com o dinheiro. O que, portanto, a Bíblia fala do assunto? Você até pode ser um abstêmio (por diversas questões), porém, se você quiser ser um cristão bíblico, terá que respeitar (e não julgar) quem não é (Rm 14). 

13) Prova de Fogo; Baseado no filme de Alex Kendrick & Stephen Kendrick; Ed. BvBooks

Este é o tipo de leitura desprezada por muitos cristãos que se acham os Lutero’s e Calvino’s da atualidade. Porém, espere chegar a primeira crise no casamento, juntamente com a leitura das primeiras 50 páginas do livro para que pré-conceitos caiam por terra. Risos.... Gostei bastante da história. Trata de um bombeiro que estava com o seu casamento comprometido devido ao seu mau comportamento. Sua esposa acaba se encantando por uma pessoa de seu trabalho (mas o cara é três vezes pior que o seu marido). O pai deste bombeiro, um cristão verdadeiro, começa aconselhar o filho (ainda não convertido) e lhe entrega um caderno com lições diárias que ele deveria seguir; o mesmo diário que um dia ele usou para salvar seu próprio casamento. Uma leitura super agradável; daquelas que você se esqueça até mesmo de comer. Super indico!!! 

14) Depressão Espiritual; D.M. Llod-Jones; Ed. PES

Essa obra se encontra entre as três mais extraordinárias que já pude ler. O que lá se verifica não saiu diretamente da pena do dr. Llod-Jones, mas é fruto de uma série de sermões pregados em domingos consecutivos na Capela de Westminster, em Londres. Com base no salmo 42 e 43, o doutor expõe o tema em 20 sermões (outros textos também são utilizados como base). Ele trata das causas e curas acerca da depressão. Recentemente, a obra foi relançada pela Publicações Shedd. A todos os cristãos, mas principalmente, aos professores, pastores, líderes – fica o meu apelo para que você priorize a leitura e o estudo deste livro, pois mesmo não sabendo exatamente o que se passo ao seu redor, não tenho dúvida de que você está em contato com alguém (se não for você mesmo) que esteja sofrendo deste mal. Fiz um vídeo e publiquei no perfil do meu facebook, onde falo com mais detalhes acerca deste MARAVILHOSO livro.

15) O Homem Bíblico; Stuart Scott; Ed. Nutra

Stuart trata da masculinidade e liderança do homem na perspectiva bíblica. O que de fato Deus requer dos homens – seja ele casado ou solteiro? O livro é super didático; com uma linguagem simples e acessível, Stuart Scott aborda 1) provisão Divina para o homem; 2) o perfil da masculinidade cristã; 3) a base para a Masculinidade Bíblica no Casamento; 4) a liderança no casamento e suas características e a 5) tomada de decisão bíblica. Indico a todos os irmãos, entretanto, com prioridade, àqueles que estão ativamente no ministério de aconselhamento.

16) Verdadeira Espiritualidade; Francis A. Schaeffer; Ed. Cultura Cristã

Eu tinha uma frustração comigo: nunca havia lido uma obra inteira de Franscis Schaeffer. Já li artigos, estudos, comentários etc, mas um livro de capa a capa, ainda não tinha tido minha apreciação. Um irmão me indicou; pelo o fato de ter sido o primeiro, ele me indiciou “Verdadeira Espiritualidade (quem tem por foco a vida prática cristã). Pois bem... ele acertou! foi amor a primeira vista! Assim como Lewis, Shaeffer não óbvio nos seus argumentos. Ele sempre tira da cartola algo novo a respeito dos assuntos propostos. Nesta obra ele faz uma “abordagem sistemática dos fundamentos de uma vida que se relaciona de modo aberto e sincero com Deus, com os outros e conosco mesmos”. Como levar uma vida cheia de beleza, que edifica e inspira? Ele responde através de alguns temas: 1) a lei e alei do amor; 2) a centralidade da morte; 3) da morte a ressurreição; 4) no pode do espírito; 5) o universo sobrenatural (minha parte preferida); 6) A salvação: passada, presente e futura; 7) a esposa frutífera; 8) livre na consciência; 9) livre na vida dos pensamentos; 10) cura substancial dos problemas psicológicos; 11) cura substancial da pessoal total; 12) cura substancial nos relacionamentos pessoais; e 13) cura substancial na igreja. Fiz um vídeo e publiquei no perfil do meu facebook, onde falo com mais detalhes acerca da obra. Sem dúvida, Schaeffer, é o cara! 

17) O Peso de Glória; C. S. Lewis; Ed. Vida.

Os estudiosos de Lewis dizem que este foi o único sermão pregado publicado. O livro faz uma crítica a pós-modernidade, que abandonou o Criador para servir a criatura. Lewis se direciona a este público e passa a abordar temas como a guerra (o livro foi escrito em meio à 2º guerra mundial), teologia, membresia, perdão e etc. Como sempre brinco, ainda que você não tenha entendido muito bem, o fato de ter lido o livro te fez um pouco mais culto e inteligente. Risos... Lewis é Lewis e por isso sempre recomendo. 


Li outras obras mas foi-me acrescentado mais conhecimento, espiritualidade e informação através destas que trouxe no artigo.
Que Deus abençoe e enriqueça a todos vocês com estas indicações.

“Lemos para saber que não estamos sozinhos.” (C. S. Lewis)

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos

“A FOLHA BRANCA É O MEU PÚLPITO PRINCIPAL.”

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