terça-feira, 15 de agosto de 2017

O NOBRE QUE ESCOLHEU A PORTA AO INVÉS DO TRONO

Por Fabio Campos

Texto base: “Depois disso, Mardoqueu voltou para a porta do palácio real.” – Ester 6:12a


O homem, por natureza, é escravo e condicionado a opinião de seu semelhante. Carece de atenção e paparicos. Sua vaidade demanda por reconhecimento e apreciação. Satanás, que também é agricultor (Mt 13.39), sabe cultivar a semente da carência, campo fértil para todo tipo de maldade que lá se encontram no coração dos seres humanos.

Hamã, um estadista no reinado de Assuero (Xerxes), rei da Pérsia, foi mais um que se deixou cirandar pelo Diabo. 

Sua promoção subiu-lhe à cabeça, e ele se tornou um ambicioso assassino. Mardoqueu, judeu devoto, não se curvava perante Hamã, e isso deixou o orgulhoso governante com muita raiva. Por esta razão, Hamã decidiu destruir todos os judeus.Ele persuadiu o réu Xerxes a assinar um decreto no qual era ordenado aos persas que destruíssem, matassem e saqueassem todos os judeus, em toda a extensão do reino. Mas Deus, que é Soberano, não permitiu que Hamã desse continuidade ao seu ardiloso plano.

Os homens matam não porque são corajosos, mas por serem medrosos. Temem a inferioridade.Descobri que todo trabalho e toda realização surgem da competição que existe entre as pessoas (Ec 4.4). Dominar o próximo é o meio de não ser dominado por ele.

Mardoqueu, do ponto de vista do mundo, era apenas um zero a esquerda. Você acha que ele se importava em ser lembrado desta forma? Nenhum um pouquinho.Dia após dia eles lhe falavam, mas ele não lhes dava atenção...” (Et 3.4).

O tio de Ester era justo; amava o seu povo; temia a Deus. Após uma reviravolta incrível (convido a você a ler o livro de Ester), Hamã vestiu Mardoqueu com as vestes do rei, colocou sobre sua cabeça uma coroa e lhe preparou o cavalo da realeza, para que houvesse uma congratulação pública. O humilhado agora era exaltado; e o exaltado, humilhado. Com Deus é assim!

Aquele que ficava à porta do rei, agora possuía a coroa do rei. Assim Mardoqueu, após isto, mandou-lhe preparar um trono ao lado de Xexes. Foi isto que aconteceu? Não, não!“Depois disso, Mardoqueu voltou para a porta do palácio real” (Et 6,12). Suas vestes poderiam ser reais, mas o seu coração era do único Rei, o seu Deus.  

Hamã, por sua vez, era um empregado da realeza; mas o seu coração sempre esteve no trono. Comia mortadela e arrotava caviar. Mardoqueu foi longe demais quando faltou com a reverencia à Hamã. Feriu seu ego. Hamã era pedante, falava do que não sabia para se aparecer.

Sabe aquele pessoal entrão, espalhafatoso, aparecido, intrometido? Pois é, assim era o Hamã.

As pessoas que mais se afirmam são as mais inseguras. A força ostentada é a auto defesa da fragilidade. Basta uma simples careta da vida para os inseguros anunciarem com megafones suas “qualidades”.

Hamã era um falastrão. Quando alguém o elogiava fazia questão de tornar o fato conhecido a todos.

O homem piedoso, no entanto, busca apenas o elogio de Deus. Nossa pecaminosidade nos leva, por vezes, a ser um “Hamã” perante as pessoas. Nos tornamos o “bobo da corte”. O tolo não tem prazer no entendimento, mas sim em expor os seus pensamentos (Pr 18.2).

Irmãos, há pecado até mesmo em nossa santidade, pois “por trás de uma atitude piedosa”, como disse George MacDonald, “pode haver uma ganância ímpia”. Eu, por exemplo, posso ter escrito este artigo com intuito de ganhar o louvor dos homens. Lutei contra isto, para não me assemelhar a Hamã. O pecado habita em nós, mas ele jamais deve ser nosso senhor.

O homem honrado, todavia, prioriza o Reino de Deus (ainda que para isto precise ser humilhado no reino dos homens). Onde está o nosso coração? Na porta com Deus ou no trono com o Diabo?

Ainda que Deus nos coloque no trono, o nosso coração, entretanto, jamais poderá sair da porta. Nos bastidores da queda há um coração cheio de vaidades. Somente os passos da humildade desfilarão na passarela da honra (Pr 18.12).


Em Cristo Jesus, considere esta reflexão e arrazoe isto em seu coração.


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
“A folha branca é o meu púlpito principal.”


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BIBLIOGRAFIAS:

Quem é quem na Bíblia Sagrada. Editado por Paul Gardner. Editora Vida Acadêmica. São Paulo, SP


segunda-feira, 24 de julho de 2017

NÃO É A BERMUDA E NEM A MAQUIAGEM QUEM FAZ O MUNDO ENTRAR NA IGREJA

Por Fabio Campos

Texto base: “Mas entre vós não será assim...” – Marcos 10.43


Dias atrás, fui surpreendido pela postura (neófita) de um líder cristão já avançado em idade. Ele olhou minha barba, minha bermuda, e perguntou se era deste modo que eu congregava (o detalhe é que não estávamos dentro de uma igreja).

Contornei a situação e levei na brincadeira, pois de outro modo, caso entrasse na provocação, reduziria o cristianismo (em rudimentos: Cl 2. 20-23) como aquele irmão havia feito. Ou seja, o conceito de mundo para ele se restringe ao tipo de roupa que se veste ou o estilo de música que se ouve.

Pois bem.

Muito se fala que o mundo entrou na igreja. Ao pedir uma explicação a respeito desta afirmativa, sempre me deparo com argumentos simplistas e desprovidos de respaldo bíblico. Para este pessoal, o mundo entra na igreja quando o louvor é tocado através da guitarra (como se Deus tivesse preferência musical); ou pela moça que usa maquiagem; ou pelo rapaz que deixa a barba crescer.

Por estas e outras explicações se faz notório que o amparo deles para fundamentar seus pré-conceitos é exclusivamente “moral” baseado tão somente em “usos e costumes”.

O evangelho de Marcos narra uma situação onde Cristo mostra o que, com efeito, é ser diferente do mundo (10. 35-45).

Os irmãos Tiago e João, se aproximaram de Jesus e lhe pediu que, em seu reino, ambos se assentam com Ele; um à sua esquerda, e o outro, à sua direita. Porém, a glória do evangelho para a igreja não está em assentar-se com Cristo em seu reino futuro, mas sofrer por Ele nesta terra. Antes de julgar o mundo, Cristo nos chama para participarmos dos seus sofrimentos (1 Pe 4.13).

Jesus, porém, disse que eles não sabiam o que estavam pedindo. Ao afirmarem que poderiam “beber do cálice” que Jesus beberia, e ser “batizado no batismo” que Jesus seria batizado, o Senhor diz que se fosse da vontade do Pai, eles se assentariam no trono.

Quando os outros discípulos ouviram o parecer de Jesus a respeito disto, houve um grande tumulto. Picuinha na igreja da galileia! Todos ou outros ficaram bravos com Tiago e João.

Eles já estavam brigando entre si para saber e provar quem de fato era o maior. Todos os discípulos estavam bem vestidos; cantavam os salmos; observavam o dia do Senhor; liam as Escrituras; mas o mundo estava entrando na igreja dos galileus: Jesus os chamou e disse: "Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Pelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo; e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos. (Mc 10: 42-44).

O poder é sedutor (independentemente do seguimento, inclusive na igreja), pois viabiliza o caminho para dominar o próximo.

O mesmo desejo que havia entre os governantes e gentios – em chegar ao poder para controlar as pessoas – estava também no seio da igreja. Jesus, então, corrige a rota e diz que mundanismo é buscar o topo da hierarquia, conforme era o costume dos pagãos, para que, ao invés de servir, angariar o privilégio de ser servido.

Neste instante o Senhor colocou o mundo de cabeça para baixo; quem quiser ser importante, que sirva aos outros, e quem quiser ser o primeiro, que seja o escravo de todos.

Jesus mostrou na prática esta lição. “Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido” (Mc 10.45). No reino de Deus só há um Rei; todo o resto é súdito. O extraordinário disto tudo é que este Rei se fez Servo justamente para servir seus servos; mesmo assim, Ele nunca deixou de ser Senhor (Lc 12.37).

Você vai perceber, portanto, que não é a comida, bebida ou roupa que faz de alguém um mundano (evidente que há jeito certo de usar estas coisas, porém não da forma imposta pelos legalistas). O que nos torna parecidos com o mundo, como disse Jesus, é a busca pelo poder; é a moça que deseja casar com o irmão não por causa do seu caráter e piedade, mas pela sua posição de destaque na igreja. O mundo entra na igreja quando o irmão que, ao invés de olhar para a virtude da moça, prefere analisar a adereça do vestido que destaca as suas curvas.

Quando aquele senhor cristão olhou com desdém para a minha vestimenta, mal sabia ele que eu conhecia um pouco dos bastidores da igreja que ele pertencia. Uma denominação embriagada pelo poder, ao ponto de estar em litígio entre os próprios irmãos – por meio da justiça comum – para levar ao topo da pirâmide os “reclamados”.

E é a barba ou a bermuda que fazem de alguém mundano. Lamento dizer, mas isto é demoníaco.

Caso eu não conhecesse a Bíblia, certamente me faria escravo deste tipo ensino (1 Co 7.23). Mas a verdade, que vem pelo estudo das Escrituras, me libertou. Deus é INFINITAMENTE maior do que a mente humana.

A respeito disto, reflita comigo e pense se Deus é pequeno como essa gente demonstra com este tipo de atitude.

Os cientistas dizem que há no universo um número de estrelas maior do que o número de todos os grãos de areia de todas as praias e de todos os desertos do planeta. Assustador, não!? No dia que você for à praia, experimente levar um bocado de areia em suas mãos; depois jogue esses grãos em cima de uma mesa de vidro e tente contar quantos grãos de areia você conseguiu apanhar.

Por um instante pare de ler e olhe para céu (pois todos estes planetas são simplesmente enfeites da casa de Deus Sl 19.1).

Voltando.

Há mais estrelas no universo que grão de areia em todas as praias do planeta (pense no tamanho de cada planeta). Quantos grãos de areia será que você consegue apanhar? O detalhe mais fantástico é que Deus conhece cada estrela pelo nome (Sl 147.4).

Com toda essa grandeza (que é assustadora), estou convencido de que Deus está preocupado com a minha bermuda e com a maquiagem da irmã, entre tantas coisas, como, por exemplo, se é certo ou não tocar hinos na guitarra invés de usar o piano.

Risos...

Não é o tipo de música e nem o estilo da vestimenta quem faz o mundo entrar na igreja. O mundo entra no seio da igreja quando líderes e membros disputam entre si para ser o maior. Isto tudo se dá quando caiamos no galanteio do Diabo, que nos faz acreditar que somos estrelas no Corpo de Cristo.

Afinal, o que é mundo e quando é que ele entra na igreja?

A Bíblia chama de mundo o “desejo da carne”, o “desejo dos olhos” e o “orgulho dos bens” (1 Jo 2. 16).

Se você usa terno ou é aderente do coque, mas estas coisas existem em você, o rapaz cheio de tatuagem e de bermuda, porém convertido a Cristo, é muito mais cristão do que você. Num contexto parecido, acusado de mundano pelos religiosos fundamentalistas de sua época, C. S. Lewis dizia que “ele era um pagão convertido no meio de puritanos apóstatas”. Compartilho um pouco deste sentimento.

Fiquemos com as Escrituras Somente:

“... o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração”. – 1 Samuel 16:7



Em Cristo Jesus, considere esta reflexão e arrazoe isto em seu coração.



Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
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sábado, 8 de julho de 2017

O ÚNICO DEUS VERDADEIRO E A CRIAÇÃO

Escola Bíblica Dominical – 9 de julho de 2017 | Lição 2

Texto Áureo: Mc 12.29

Verdade prática: Cremos em um só Deus, o Pai Todo-Poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas, visíveis e invisíveis.

Leitura bíblica em classe: Dt 6.4; Gn 1.1

REFLEXÃO E OBJETIVO DA LIÇÃO: 1) Reconhecer que há somente um único Deus verdadeiro; 2) Explicar porque o criacionismo e evolucionismo são antagônicos; 3) Compreender a narrativa da criação.

INTRODUÇÃO:

a. Nenhuma outra religião forneceu tantos livros à humanidade como o judaísmo e o cristianismo.

b. É humanamente impossível ler todas as obras produzidas pelos principais expoentes do protestantismo (também levo em consideração as boas obras católicas). Vamos morrer sem ter conseguido ler todos os livros de nossa biblioteca.

c. O monoteísmo judaico-cristão prova com argumentos irrefutáveis que há um abismo intransponível entre o criacionismo e o evolucionismo.

d. Nossa função como igreja, portanto, é desenvolver uma estrutura de pensamento coerente e consistente, como fizeram os homens da tribo de Issacar: “... que sabiam como Israel deveria agir em qualquer circunstancia...”. (1 Cr 12.32).

I. O ÚNICO DEUS VERDADEIRO

1. O Shemá.

a. Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.” (Deuteronômio 6:4)

b. É o imperativo de um verbo hebraico que significa “ouvir”, “obedecer”.

c. Tornou-se uma oração essencial no judaísmo, porque expressa em poucas palavras as idéias mais importantes na religião do AT.

d. Primeiro, só o Senhor é o Deus de Israel. Ou “O Senhor é um” (Gl 3.20), conforme as versões espanhola Reina-Valera (primeira tradução castelhana completa, direta e literal dos bíblicos textos em grego, hebraico e aramaico) e judaica, conhecida no Brasil como Bíblia Hebraica.

E . A ideia do texto não se restringe apenas em provar que há somente “Um Deus”, mas a sua singularidade em beleza, poder e majestade.

2. O monoteísmo.

a. É a crença em um só Deus e se distingue do politeísmo.

b. As principais religiões monoteístas são o judaísmo, o cristianismo e o islamismo; as três têm origem em Abraão.

c. Há, porém, uma grande diferença ente Alá e Javé, embora o islã (teoricamente) aceite o judaísmo e cristianismo como religiões parcialmente verdadeiras, por serem baseadas em revelações antigas de Deus e irmãs no monoteísmo. O Pacto de Omar, por exemplo, foi criado pelo islã para dar aos cristãos e judeus o direito de praticar sua religião dentro do seu domínio, desde que fossem pagos impostos especiais e com a condição de que se comportassem de uma maneira considerada apropriada a uma população de vassalo.

d. ISLÃ: Essa palavra é de origem árabe e significa “submissão a Deus”. Esse é o nome da religião fundada por Maomé, religião essa também conhecida por islamismo e maometanismo. As tradições islâmicas dizem que o anjo Gabriel perguntou de Maomé (o mensageiro de Deus): “O que é o islã?” E Maomé replicou, dando a essência da fé islâmica: “O islã é crer em Deus e no seu profeta; é dizer as orações prescritas; é dar esmolas; é observar a festa de Ramadã, e é fazer uma peregrinação a Meca”.

e. ALÁ nunca foi conhecido dos patriarcas, nem dos reis, nem dos profetas do Antigo Testamento.

f. Os teólogos muçulmanos se esforçam para fazer o povo crer que Alá é uma forma alternativa do nome de Deus, Javé de Israel; porém, evidencias históricas e arqueológicas não conseguem sustentar essa tese visto que, também, o islã declara que as versões anteriores da revelação, como feitas a judeus e cristãos, haviam sido imperfeitas.

3. O monoteísmo judaico-cristão.

a. Conceito sobre Deus no monoteísmo judaico-cristão O refere como um ser infinito, Todo-Poderoso, conhecedor de todas as coisas, completamente bom, vivo e Criador do Universo, transcendente, mas também imanente.

b. De forma grotesca (embora essa atitude também provenha de cristãos) muitos fazem distinção entre o Deus do Antigo Testamente do Deus do Novo Testamente, que é o Pai do Senhor Jesus Cristo.

c. O marcionismo, movimento criado por Márcion (95-165), foi o primeiro a fazer essa distinção do Deus de Israel com o Deus do evangelho pregado por Cristo.  

d. Ele dizia que o cristianismo era totalmente independente do judaísmo. Márcion formou uma escola gnóstica. Sua mente prolífera o levou a desenvolver muitos conceitos que publicou em uma obra apologética muito combatida pelos apologistas de sua época, principalmente por Tertuliano e Epifânio.

e. Por mais incoerente que isto pareça (pois Paulo valorizava o povo judeu e sua tradição), Márcion procurou ter uma perspectiva paulina para sua teologia.

f. Márcion acreditava que tinha uma missão pessoal: restaurar o puro evangelho. Entre outros ensinos dele, encontramos o batismo pelos mortos. Seu “cânon” era formado pelas dez epístolas do apóstolo Paulo e por uma versão modificada do evangelho de Lucas.

g. Márcion deu uma importante contribuição para o cristianismo; foi por causa da sua heresia que a canocidade dos livros passou a ser debatida e defendida. Até então, em 397, Atanásio apresenta uma lista dos livros canônicos do NT, incluindo todos os vinte e sete livros, e apenas estes. Finalmente, em 397, no Concílio de Cartago, a igreja reconheceu oficialmente todos os vinte e sete livros, e somente estes, como Canônicos. Essa decisão foi ratificada pelo Concílio de Hipona, em 419.

h. Toda tese de que o Deus do AT é diferente do Deus do NT cai por terra na simples afirmação de Cristo, o Shemá. De fato, este Deus se revelou primeiro ao seu povo escolhido, e depois, em Cristo, na plenitude dos tempos, a todo mundo:

“Então ele disse: ‘O Deus dos nossos antepassados o escolheu para conhecer a sua vontade, ver o Justo e ouvir as palavras de sua boca’.” – Atos 22:14

SÍNTESE DO TÓPICO I                                                         

Deus é o único e verdadeiro.

II. CRIAÇÃO X EVOLUÇÃO

1. O modelo criacionista.

a. O criacionismo é a posição que propõe ser a origem do Universo e da vida resultado de um ato criador intencional.

b. A acusação da comunidade cientifica evolucionista sobre o criacionismo, é que o criacionismo se apóia na fé para explicar a criação do mundo (Hb 11.3).

c. No universo existe um número de estrelas maior do que o número de todos os grãos de areia de todas as praias e de todos os desertos do planeta.

d. Há, portanto, diante disto, como provar cientificamente com todas as técnicas e tecnologias disponíveis por quem e como o universo foi criado? Absolutamente, não!

e. O Design Inteligente difere do Criacionismo (apesar de ambos concordarem que exista uma mente inteligente por de trás da criação), pois crê que o mundo foi criado, mas não atribui ao Deus da Bíblia a autoria da criação (exceto os cristãos aderentes desta corrente). 

d. A Ciência demonstra que todas as coisas foram criadas. Mas o cristianismo revela quem é o criador:

“Pois, ainda que mesmo a alma dos ímpios seja forçada e elevar-se até o Criador pela visão da terra e do céu, a fé tem seu modo peculiar de atribuir a Deus o pleno louvor da criação. A isso é pertinente o que antes já citamos do apóstolo [Hb 11.3]: “Apenas pela fé compreendemos que o mundo foi disposto pela Palavra de Deus, pois que, se não chegamos até sua providencia, por mais que pareçamos compreendê-lo com a mente e confessá-lo com a língua, não podemos entender o que vale dizer que Deus é criador”. – CALVINO, João; As Instituas; Tomo I, Capitulo XVI (Unesp).

2. O modelo evolucionista.

a. É uma teoria (que nunca foi comprovada) que tem por base pressupostos naturalistas, entre os quais a proposta darwinista da seleção natural se destaca como o principal mecanismo evolutivo.

b. Darwin trata em sua obra, sobre a origem da variedade das formas de vida e não sobre a origem da vida. Por isso o nome é Origem das Espécies (no plural) e não Origem da Espécie (no singular).

c. O naturalismo, a hipótese mais aceita para explicar o evolucionismo, ensina que organismos biológicos existentes evoluíram em um longo processo através das eras.  É a cosmovisão favorável à ideia de que o universo e a vida vieram à existência por meio de processos de geração espontânea, sem intervenção de um ato criador, isto é, eles teriam evoluído até a complexidade atual por meio da seleção natural, a teoria da sobrevivência dos mais fortes.

d. Não somente pela fé, mas pela própria lógica, é impossível pensar que toda essa complexidade fora criado pelo acaso:

“Ao contrário da noção popular de que só o criacionismo se apóia no sobrenatural, o evolucionismo deve também apoiar-se, desde que as probabilidades da formação da vida ao acaso são tão pequenas que exigem um milagre de geração espontânea equivalente ao argumento teológico”. – Dr. Chandra Wickramasinghe 1

SÍNTESE DO TÓPICO II

O criacionismo e o evolucionismo são antagônicos.

III. A CRIAÇÃO

1. A criação do Universo.

a. Deus criou o universo do nada; é a chamada creatio ex nihilo da teologia judaico-cristã revelada na Bíblia.

b. Se você acreditar em Gn 1.1,“No principio criou Deus os céus e a terra”, você terá que levar a sério todo o restante da Bíblia.

c. Assim como Big Bang, há diversas teorias a respeito da criação do universo, porém a Bíblia traz uma afirmação totalmente irrefutável: “Deus criou os céus e a terra”.

d. O verbo hebraico “criou” é bará, e este apresenta características peculiares: o sujeito da afirmação é sempre Deus, o Deus de Israel, e nunca foi aplicado a deuses estranhos.

e. Gênesis 1 – 2, como afirma grande parte dos estudiosos, trata-se de um livro apologético contra formas antigas e rivais de se entender a criação (Enuma Elish, mito da criação babilônica).

f. Pecamos quando refutamos o darwinismo tentando encontrar todas respostas em Gênesis, como se Gênesis estivesse sido escrito para defender o criacionismo contra as idéias de Darwin.

g. Deus se distingue do homem na criação, justamente porque Ele é Criador e o homem é criatura. Só alguém eterno poderia criar algo do nada. Deus não vê o futuro porque ele não está preso ao tempo. Ele está o tempo todo em todo o tempo: no passado, no presente e no futuro.

h. Deus trouxe o universo à existência do nada e de maneira instantânea, pela sua soberana e livre vontade (SI 33.9; Hb 11.3; Ap 4.11).

2. A narrativa da criação em Gênesis 1.

a. No primeiro dia. Deus trouxe à existência a luz (Gn 1.3); no segundo, criou a expansão ou firmamento (vv.6-8); e, no terceiro, "disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca" (v.9). A essa porção seca Ele chamou terra e ao ajuntamento das águas, mares (v.10). Ainda no terceiro dia, surgiram os continentes com seus relevos e a vegetação (vv.9-13). Os corpos celestes: o sol, a lua e as estrelas aparecem no quarto dia (vv.14-19). As aves e os animais marinhos surgem no quinto dia (vv.20-23).

b.  A Bíblia oferece a verdadeira história. Tudo o que ela relata ocorreu no tempo e no espaço: numa hora específica, de um dia específico, de um mês especifico, de um lugar específico, num lugar específico.

c. Esse elementos básicos: tempo (no princípio), espaço (os céus) e a matéria (a terra), foram trazidos à existência no princípio e são fundamentais no processo de criação.

3. A criação do ser humano.

a. A raça humana teve sua origem em Deus, através de Adão (At 17.26; 1Co 15.45). O ser humano foi criado no sexto dia, como a coroa de toda a criação, e recebeu de Deus a incumbência de administrar a terra e a natureza.

b. A criação do homem foi muito bem planejada pela Trindade. “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1.26).

c. O evolucionismo ensinado nas escolas e propagado pela mídia, afirma como fato e não teoria, que todos os seres humanos evoluíram de um ancestral comum aos chimpanzés e gorilas, que viveu num passado distante de centenas de milhares ou até mesmo de alguns milhões de anos, provavelmente no continente africano.

d. Os dois verbos “asah” e “bara” foram utilizados para demonstrar que os seres humanos foram feitos daquilo que Deus já havia criado anteriormente, a saber, do pó (verbo Asah).

e. A missão do homem era de governar a terra e de guardar o jardim

f. Esse ser humano recebeu diretamente de Deus o sopro em suas narinas (Gn 2.7). Em outro lugar, a Bíblia revela que Deus o fez um pouco menor do que os anjos (SI 8.5).

SÍNTESE DO TÓPICO III

A narrativa bíblica a respeito da criação é verdadeira.

CONCLUSÃO

1. Batalhar pela fé não é opção ao cristão, mas obrigação (Jd 1.3). Graças ao empenho de homens e mulheres no decorrer da história, hoje temos de forma cristalina, o conhecimento do único Deus verdadeiro, que criou o céu e a terra.

2. O desafio hoje não são os ensinos mesopotâmios da época dos patriarcas; ou dos gnósticos da época dos apóstolos.

3. Entendo que o principal desafio da igreja seja o secularismo e, principalmente, o ateísmo prático. O ateu teórico afirma que Deus não existe; o ateu prático age como se Deus não existisse.

4. A melhor forma de proclamar a existência de Deus é viver de acordo com o fato d’Ele existir. Se Deus existe, então há um jeito certo de viver.

5. Os materialistas, existencialistas, dizem que as pessoas procuram a religião para fugir de seus problemas. No entanto, nada pode ser mais angustiante do que saber que há uma realidade e danação eterna, principalmente com a certeza de que “muitos são chamados, mas poucos escolhidos”.

6. Portanto, seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso. Ele é Único, Criador de todas as coisas.


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos

Aula ministrada na ICT – J - dia 09/07/2017

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1 Citado por Adauto Lourenço em Estudo sobre o Design Inteligente e o Criacionismo

Bibliografias:

Escola Bíblica dominical. A razão da nossa fé. 3º trimestre de 2017; CPAD; lição 2.
CARSON, D.A & FRANCE R.T & WENHAM, G. J. Comentário Bíblico Vida Nova. Editora Vida Nova, 2009. São Paulo, SP
LOURENÇO, Adauto. Gênesis 1 & 2, a mão de Deus na criação. São José dos Campos, SP; Editora Fiel, 2011.
LOURENÇO, Adauto. A igreja e o criacionismo. São José dos Campos, SP; Editora Fiel, 2011.
LONGMAN III, Tremper. Como ler Gênesis. São Paulo, SP; Vida Nova, 2009.
PAULO, Anglada. Sola Scriptura. Editora Knox Publicações, 2º impressão 2016. Ananindeua, PA
EVANS, C. Stephen. Dicionário de Apologética e Filosofia da Religião. Editora Vida, 2004. São Paulo, SP
Bíblia Apologética de Estudo. 2ª edição. ICP Editora. São Paulo, SP: 2005.
SHEINDLIN, Raymond P. A história ilustrada do povo judeu. Rio de Janeiro, Ediouro, 2004
HINNELLS, C. John R.. Dicionário das religiões. Circulo do Livro, 1984. São Paulo, SP
CHAMPLIN, Norman R. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Editora Hagnos.